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Segunda-feira, 09/09/2013

Best-sellers e Leitura Literária

Tags: blogsderioeducadores, educopédia, mídias, especialistas, literatura, best-seller.

A crítica literária diverge quanto ao valor das obras mais vendidas para o público juvenil. Apesar de a grande maioria dos estudiosos entenderem os best-sellers para jovens como uma literatura pobre, com uma estrutura pré-determinada e limitada, alguns conseguem se aproveitar dela para formar leitores, digamos, mais “exigentes”. Surgem questionamentos como: por que a maioria dessas obras é tão repelida pelos críticos se tantos jovens as leem? O mais importante é ler os autores canônicos?

 

Partindo da concepção de que literatura é o texto que toca nossa humanidade ao tratar da “matéria de que somos feitos: os sonhos, as ilusões, a dor, a disposição para renascer”1, os críticos desqualificam determinadas obras que, segundo eles, fogem a essas características. Inimigo obstinado da série Harry Potter, o crítico Harold Bloom, em entrevista, inspirou outros a ver séries recentes como Percy Jackson, Jogos Vorazes e Crepúsculo, não só como antiliteratura, mas como leituras nocivas.

 

 


É sabido que o texto literário, o do cânone, é aquele que requer certo esforço de quem o lê. Comungamos com o pesquisador Luiz Percival Leme Britto quando ele diz que precisamos assumir a dificuldade que é ler, sem que isso minimize sua importância ou assuste a quem se dedique a formar leitores. No entanto, entendemos que “a aquisição da competência ficcional é alcançada em estágios” 2.

 


 

 

Sabendo que a noção de cânone é uma construção social de adultos – e Peter Dickinson, citado por Hunt, lembra que “o olhar do adulto não é necessariamente um instrumento perfeito para discernir certos tipos de valores” 3 –, busquemos em nossas salas de aula dar voz aos jovens, fomentando conversas sobre leituras.

 

 


Nilma Lacerda, num artigo, questiona: “Como formar leitores se não oferecemos à criança textos literários próximos à sua sensibilidade e problemática?” 4 Atender às expectativas dos leitores não é ruim se pudermos, aos poucos, oferecer mais. Em sala de aula, ou fora dela, o diálogo sobre a leitura dessas obras, mediada por leitores vorazes, magos na linguagem, aventureiros ou sugadores de palavras, pode render, sim, muitos leitores.

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1-LACERDA, Nilma Gonçalves. Cartas do São Francisco: conversas com Rilke à beira do rio. 3ª ed. Il. Demóstenes Vargas. São Paulo: Global, 2003, p. 12.
2-HUNT, Peter. Crítica, teoria e literatura infantil. São Paulo: Cosac Naify, 2010, p. 177.
3-Ibidem. p. 88
4-LACERDA. 2003, p. 90

 

 

Alexandra Figueiredo é professora de Língua Portuguesa da rede municipal do Rio de Janeiro e especialista em Literatura Infantil e Juvenil pela Universidade Federal Fluminense, onde atualmente atua como Pesquisadora. Durante 3 anos (2010-2013) foi assessora de projetos da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ). http://lattes.cnpq.br/2660510964800276


 

 

 

Cristiane Guntensperger Sousa

Contatos: cristiane.gun.sousa@gmail.com

Facebook: Cristiane Guntensperger

 

                               

 

 

 


   
           



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