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Quarta-feira, 06/06/2018

Fica a Dica: Vamos aproveitar as festas juninas? Temos forró, baião, xote e xaxado!

Tags: música brasileira, educação musical, dica.

 

Fica a Dica: Vamos aproveitar as festas juninas? Temos forró, baião, xote e xaxado!

 

 

Chegou junho e com ele as festas juninas. Em muitas escolas é o mês de aprendermos e ensaiarmos com as turmas as danças típicas do período, preparar aquela quermesse e por detrás de tudo isso, principalmente, podermos trabalhar muitos conteúdos e planejarmos muitas atividades com esse tema.

Todo mundo sabe que o Brasil possui uma cultura riquíssima, diferente em cada região do país. Com um território de grande extensão, não poderia ser diferente.

Nesse período, nos remetemos muito às regiões Norte e Nordeste quando trabalhamos festejos nesse viés, observando uma riqueza cultural e muita animação na realização dessas festas.

Não abordarei, nesse momento, esse leque amplo de festejos que encontramos de Norte a Sul e que remetem ao nosso folclore. Farei o recorte, porém, que a época exige: as festas, as músicas e danças juninas, o nosso forró, baião, xote, xaxado, os instrumentos musicais, as letras que relatam a vida dura no sertão, as migrações, entre outros.

Temos um amplo repertório a ser trabalhado nesse período, cantores e compositores brasileiros, que trazem pra gente um turbilhão de canções, nos fazendo refletir sobre o contexto de criação dessas obras.

Como sugestão de atividades, basicamente, podemos sempre trabalhar com nossos alunos a apreciação do nosso repertório musical, ricamente construído ao longo do tempo. As letras trazem, com essas canções, um trabalho de interpretação e análise também vasto, que abre correlações com outras áreas, como as de História e Geografia.

Que tal trabalhar, para além da música, a situação dos migrantes nordestinos?

Nossa música regional, como já falado, é riquíssima. Podemos explorar as linhas melódicas, a harmonia, as letras e, principalmente, os ritmos. Baião, forró, xote e xaxado são gêneros e estilos utilizados nas danças típicas juninas, na nossa famosa “quadrilha”.

Uma atividade que sempre faço com meus alunos, além da apreciação e percepção musical, é o trabalho de análise da letra dessas canções.

Como exemplo, cito aqui Luiz Gonzaga e a música “Asa Branca”, que é bastante conhecida. Trabalho com a apreciação musical, a expressão corporal, o canto e o aprendizado da letra, começando com um exercício no qual os alunos devem reconhecer auditivamente o que está sendo cantado e completando algumas lacunas deixadas de propósito na atividade para que os alunos a completem.

Deixo em branco na folha, portanto, algumas palavras-chave, principalmente aquelas que são cantadas de maneira diferente do que a gente costuma falar/escrever.

Tento fazê-los observar essas diferenças e não considerar essa maneira modificada de se expressar como uma escrita ou fala erradas. Procuro mostrar as razões pelas quais essas palavras estão sendo cantadas dessa forma.

E isso abre debates em sala acerca dessas construções, mesmo com os alunos menores. É importante ressaltar essas expressões, sinalizando em qual contexto cultural elas estão estabelecidas.

Quem ouve de maneira ativa, percebe que muitas palavras tem modificações na escrita e emissão. Considero esse um ponto muito importante para debates sobre o tema.

Além disso, podemos apresentar aos nossos alunos os instrumentos musicais que acompanham essas composições, tais como: triângulo, acordeão, zabumba, mostrando (se possível demonstrando na prática) os ritmos dessas músicas.

Fazer uma contextualização histórica também é importante para que se amplie a valorização da nossa cultura popular, para que o respeito às diferenças seja exercido e que a vivência seja construída.

Esse é um momento riquíssimo de exploração da nossa cultura, que, tão perto de nós nesse período, não pode (nem poderá) jamais ser esquecida. Essa relação com o popular é muito importante para o reconhecimento do universo cultural em que estamos mergulhados.

Para ilustrar o nosso post da semana, deixo aqui esse clássico da nossa música popular brasileira: "Asa Branca", de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira. wink

 

 

Essa é a nossa dica da semana! Gostou? Escreva pra gente! smiley

Fica a Dica!! 

 

 


   
           



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Segunda-feira, 04/06/2018

Fica a Dica: Pequenas Atitudes, Grandes emoções

Tags: educação infantil, edis, mídias, rioeduca, educopédia.

 

Fica a Dica: Pequenas Atitudes, Grandes Emoções

 

Olá!


Hoje a dica fica com a Professora Elidia Maria Rodrigues Correia, graduada em Pedagogia e Pós graduanda em Neurociência Pedagógica. Ela relata seu fascínio pelo trabalho com Educação Infantil, e como compartilha a troca de saberes com seus alunos.


Está curioso para conhecer este trabalho?
Então vamos ao que interessa!


A comunidade do EDI Presidente Kennedy percebeu que a violência do entorno estava afetando a todos, inclusive o comportamento das crianças. Aprofundando a discussão em humanizar o ensino da Educação Infantil e minimizar os efeitos da hostilidade do território (que despertam nos pequenos experiências e sensações confusas), a equipe concluiu a relevância de se empenhar ainda mais na dedicação deste trabalho.


A partir da persistência, esmero e esforço dos educadores nasceu então o Projeto: “Pequenas Atitudes, Grandes emoções” que está em  andamento e contribui para gerar novas impressões através da construção de valores.


Como a atividade foi desenvolvida?


A aula começou com a apresentação de um “novo amigo”, um fantoche meio esquisito, parecendo um monstrinho que instigou de imediato a curiosidade da turma. Era impressão deles, ou aquele amigo parecia triste?


“ O que será que está acontecendo? “ - Perguntou uma aluna.
Porque ele não está feliz?” - Questionou um colega.


Com a mediação da Professora, as crianças levantaram hipóteses, deram ideias, e demonstraram curiosidade! Em seguida foi apresentado o filme “ O Monstro das Cores” de Anna Llenas, uma proposta literária sobre as emoções. Elas são explicadas às crianças através das cores. A personagem principal é um monstro que muda de cor consoante o que está a sentir. Ele não percebe porque muda de cor e a sua amiga, a menina, explica-lhe o que significa estar triste, estar alegre, ter medo, estar calmo e sentir raiva.

 

 


Após a transmissão, a professora conversou com os pequenos convidando-os a refletirem sobre o filme. Apresentou fantoches para uma releitura da história, provocando nas crianças várias expressões.
Em seguida, de forma lúdica, potes transparentes foram separados e cada criança colocava a cor que expressava seu sentimento, e realizava expressões faciais e corporais de acordo com o momento.

A partir desta história e da compreensão sobre auto-conhecimento, emoções e como lidar com elas, foi construído o relógio dos sentimentos. Todos os dias, no momento da rodinha são sorteados alunos para relatarem o que sentem, e os amiguinhos contribuem com sugestões para ficarem felizes.

Esta atividade foi baseada na BNCC (Base Nacional Comum Curricular):

• Houve empatia pelos outros, com a percepção dos diferentes sentimentos, necessidades e maneiras de pensar e agir;
• Comunicaram ideias e sentimentos;
• Idealizaram com o corpo formas diversificadas de expressão de sentimentos;
• Arquitetaram movimentos, gestos, olhares e mímicas em brincadeiras, jogos e atividades artísticas como dança, teatro e música;
• Expressaram ideias, desejos sobre suas vidas dentro e fora do EDI, por meio da linguagem oral e escrita espontânea, além de registros fotográficos e artes variadas;

 

Que tal compartilhar a DICA do projeto da Professora Elídia?
Qual será a cor do monstrinho de cada um dos pequenos?
Siga a dica  , e saberá! 

 


   
           



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Sexta-feira, 01/06/2018

Fica a Dica: Livro A Moça Tecelã

 

Livro: A Moça Tecelã

 

Olá!

O livro de hoje é A Moça Tecelã, da premiada autora, Marina Colasanti, com bordados de Ângela, Antônia Zulma, Marilu, Martha e Sávia Dumont e ilustrações de Demóstenes Vargas.

"Acordava ainda no escuro, como se ouvisse o sol chegando atrás das beiradas da noite. E logo sentava-se ao tear. Linha clara, para começar o dia.”

O conto narra o cotidiano de uma jovem tecelã que, com suas linhas e cores, era capaz de dar vida a tudo que nos cerca. Se o sol estivesse forte demais, com fios cinzentos criava nuvens. Se a fome vinha, tecia um lindo peixe.

“Assim, jogando a lançadeira de um lado para outro e batendo os grandes pentes do tear para frente e para trás, a moça passava os seus dias. Nada lhe faltava.”

Mas chegou um tempo em que a solidão foi forte demais e pensou que ter um marido para lhe fazer companhia seria muito bom. E, assim, ansiosa, começou a tecer. Naquela noite, deitada no ombro de seu marido, imaginou os lindos filhos que teceria.

A felicidade reinou por um tempo... Até que seu marido descobriu o poder do tear e vislumbrou tudo que ele poderia ter. Seu primeiro pedido foi uma casa melhor, com as mais belas lãs. Entretanto, não ficou satisfeito. “Para que ter casa se podemos ter palácio?”, dando ordem de como deveria ser. Cada vez mais ambicioso, não se importou com os sonhos e desejos de sua esposa.

Meses se passaram enquanto a moça, cada vez mais entristecida, trabalhava. Sem tempo para chamar o sol ou arrematar o dia, o palácio ficou pronto e dentre tantos cômodos ele designou para ela o quarto na mais alta torre, afinal ninguém poderia ficar sabendo do tapete.

Enquanto as exigências do marido aumentavam, aumentavam, também, sua tristeza. Pensando em como será bom estar sozinha novamente, esperou anoitecer e enquanto o marido dormia começou a desfazer todo seu trabalho.

“Então, como se ouvisse a chegada do sol, a moça escolheu uma linha clara. E foi passando-a devagar entre os fios, delicado traço de luz, que a manhã repetiu na linha do horizonte."

Será que esse é um final que todos esperavam? Afinal, as vezes aquilo que desejamos nem sempre é garantia de felicidade.

A encantadora narrativa criada por Marina Colasanti nos permite pensar em diversos temas. Podemos falar dos sonhos e desejos, e das expectativas sociais em relação ao casamento e a formação de uma família. Falar da busca do autoconhecimento e independência, ser aquele que te faz feliz, o protagonista da sua própria história.

Se você tivesse o dom de tecer em linhas coloridas seu futuro, sua vida e tudo que o cerca, que imagem você criaria?

 

Fica a dica! 

 

Conto com sua participação, professor. Mande também suas dicas e sugestões e vamos explorar o mundo literário!


Até a próxima semana!
 


  


   
           



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Quarta-feira, 30/05/2018

Fica a Dica: A abordagem da Música Popular Brasileira para o segundo segmento

Tags: música popular brasileira, mpb, educação musical.

 

Fica a Dica: A abordagem da Música Popular Brasileira para o segundo segmento

 

 

Na semana passada, nossa dica foi direcionada ao trabalho da Música Popular Brasileira com crianças, das menores até mais ou menos às que se encontram no 6º ano. Falamos sobre o livro “História da Música Popular Brasileira para crianças” e sobre a aula da Educopédia intitulada “O show tem que continuar: do samba ao pagode, a transformação de um gênero” (6º ano).

Hoje vamos falar um pouco sobre como trabalhar a História da Música Popular Brasileira com nossos alunos maiores. Na verdade, farei um relato de experiência sobre como faço atividades referentes a esse conteúdo com os anos finais, mais precisamente com o 9º ano.

Sempre gostei muito de trabalhar com exibição de vídeos, que sempre abriram um grande leque para reflexões e debates em sala. Escolho desde vídeos da época (trabalho bastante com vídeos sobre os Festivais das décadas de 1960/1970, as Canções de Protesto, a Bossa Nova...), assim como vários documentários que também são possíveis de serem encontrados na internet. Logicamente, esses documentários precisam sempre ser vistos, revisados com antecedência e avaliado se estão de acordo com o que você está propondo trabalhar em sala.

É muito importante apresentarmos aos nossos alunos esses movimentos musicais que transcorreram pela nossa história. Basicamente, procuro trabalhar sobre uma linha do tempo. Não necessariamente você precisa percorrer essa linearidade na apresentação dos “fatos”, um movimento cíclico às vezes também se faz necessário.

Começo com o advento do Samba, lá no início do século XX, passando pela invenção do rádio, que começou a reconfigurar o comportamento da sociedade, pois muitas pessoas, nessa época, acompanhavam tudo que acontecia através dele. É importante falar com os alunos sobre as radio-novelas, sobre os programas de auditório, mostrando a eles que, nesse período, tudo se resumia somente a ouvir. A imagem, propriamente, dava-se na imaginação. Alguns tinham a oportunidade de assistir a esses programas ao vivo, nos auditórios onde eram realizados (como na Rádio Nacional), mas era privilégio para poucos. Para a maioria, a imagem residia na imaginação dos espectadores.

Após a “Era do Rádio”, falo sobre a Bossa Nova, sobre a inovação musical que aconteceu na mistura entre samba e jazz, a inserção de acordes alterados, a levada criada por João Gilberto, a “exportação” de nossa música por Tom Jobim, as letras sentimentais de Vinicius de Moraes. Músicas de sucesso, como “Garota de Ipanema”, muitos dos nossos alunos conhecem, mas não fazem ideia de que foi composta na década de 60 do século XX, tocada e gravada por muitos músicos, de muitas partes do mundo.

Seguido à Bossa Nova, relembro os Festivais da Música Popular Brasileira, transmitidos pelas TVs Excelsior, Record, Globo (o famoso FIC), enfocando nas Canções de Protesto. O burburinho dos Festivais, a explosão de novos nomes de compositores e cantores, o panorama cultural que vivíamos na profusão de canções de caráter político (velado ou não) que surgia à época. Esses Festivais rendiam muitos torcedores, que vibravam e torciam por uma música ou outra, como numa final de Copa do Mundo.

É relevante tratar aqui que, assim como foi com o rádio algumas décadas antes, nessa época ocorre o advento da televisão. Nem todos os brasileiros, porém, tinham o aparelho em casa. As pessoas se reuniam na casa de quem possuía o aparelho para assistir às novelas, aos programas semanais e às apresentações dos seus cantores, cantoras, compositores favoritos nos Festivais.

Nos programas ao vivo, o público também era restrito, mas, diferente do que acontecia com o rádio, nesse momento era possível ver e ouvir, pela TV, o que era transmitido.

Abrindo uma correlação entre as disciplinas de História e Educação Musical, nas orientações curriculares de História do 9º ano é tratado o panorama político, histórico e cultural da época, falando, inclusive, sobre o regime militar. Combinando, assim, com o surgimento da “Era dos Festivais” na década de 60.

Em paralelo a tudo isso, temos o Tropicalismo (com suas canções também sendo apresentadas nos Festivais), que começa com a proposta de utilização das guitarras elétricas, diferentemente da utilização apenas da voz e violão da Bossa Nova, e que, inicialmente, acaba sendo uma proposta bastante rejeitada pela juventude da época.

Explorando essa linha temporal, chegamos ao Rock dos anos 1980, às bandas nacionais, e à abordagem sobre a origem do gênero. Essa linha vai sendo percorrida até chegarmos ao funk, aos movimentos musicais dos anos 2000, incluindo aí também a axé-music.

Além desses movimentos, sempre procuro abordar também outros estilos e gêneros, como o choro, trabalhando a apreciação musical, as referências históricas e o contexto em que ele se insere. Esse panorama propicia ao aluno o conhecimento da nossa música e também da nossa história.

Precisamos alertá-los sobre a circularidade de acontecimentos na qual estamos inseridos, pois nenhum movimento termina quando o outro começa. É importante ressaltar essa visão circular dos fenômenos histórico-culturais e da apropriação ou negação que um pode ter do outro.

Trabalhar as nossas manifestações traz para o aluno aquela recorrente história do autoconhecimento, de conhecer o cenário musical e histórico onde estamos inseridos e a possibilidade de ampliação da bagagem cultural de cada cidadão.


Essa é a nossa dica da semana! Gostou? Escreva pra gente! smiley

Fica a Dica! 

 


   
           



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