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Sexta-feira, 13/12/2013

Educação Infantil: Ludicidade, Relações Étnico-raciais e Cidadania

Tags: blogsderioeducadores, educopédia, mídias, especialistas, educação infantil, africanidades, relações étnico-raciais, cidadania.

A Lei 10.639/03, que completa uma década, aponta para a inclusão de questões étnico-raciais na Educação Básica. Embora a obrigação seja para os Ensinos Fundamental e Médio, o educador pode realizar propostas que enfatizem a história e a cultura africana e indígena ainda na Educação Infantil (E.I.). Mas como fazer essa articulação?

 

Projeto Índios na Escola no EDI Avenida dos Desfiles.

 

Como está expressa na LDB (Lei 9.394/96), a Educação Infantil é a primeira etapa da Educação Básica e visa ao pleno desenvolvimento da criança (até 5 anos). Mesmo não tendo função propedêutica, é essencial acompanhar e registrar todo o desenvolvimento da primeira infância, observando sua integração com todos os envolvidos no processo de aprendizagem, para melhor formação do ser e construção afirmativa de sua identidade. Nesse contexto, o espaço da E.I. deve ser privilegiado com inúmeras relações sociais que resultem em aprendizagens significativas.

 

 

Por outro lado, as múltiplas linguagens podem favorecer e contribuir para um real desenvolvimento dessa fase peculiar da infância. A utilização de brincadeiras como recurso pedagógico é uma excelente via para efetivação de propostas relacionadas à cooperação, à socialização de valores, respeito ao outro, superação das diferenças e aceitação do próprio ser.

 

E. M. Atenas - 9ª CRE.

 

O educador precisa estar atento ao lúdico, pois não existe nada que a criança precise saber que não possa ser ensinado brincando (LIMA, 1987, p. 33). O processo criador deve ser trabalhado no dia a dia do pequeno infante e o professor deve estar sensível para a importância do faz de conta, explorando questões de atitude, cruciais para as relações étnico-raciais e para o desenvolvimento integral da criança.

 

EDI Borel.

 

Dessa forma, percebemos que a brincadeira é essencial para a formação social do ser que, por meio dela, cria situações, integra-se com a sociedade e transforma o seu mundo, relacionando-se com as demais pessoas a sua volta.

 

Kizomba na C.M. Simone de Beauvoir.


As relações étnico-raciais não acontecem a partir do Ensino Fundamental; pelo contrário, estão presentes em toda a história de nossas vidas. Devemos auxiliar os pequenos cidadãos a valorizar suas diferentes características étnicas e culturais desde a E.I. Acreditamos na afirmação de Freire (1987) de que “todo o futuro é a criação que se faz pela transformação do presente”. Entretanto, não podemos esperar que as crianças deixem a Educação Infantil para orientá-las quanto à questões tão relevantes para sua formação pessoal e social, a fim de que saibam como intervir e construir a sua própria história de vida, na construção efetiva de sua cidadania e de formas mais complexas de sua consciência, perpassando por sua africanidade.

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Referências:
BRASIL. MEC. Orientações e ações para a educação das relações étnico-raciais. Brasília: MEC/SECAD, 2006.
FREIRE, P. A importância do ato de ler. São Paulo: Cortez, 1987.
LIMA, Adriana Flávia S. de Oliveira. Pré-escola e alfabetização: uma proposta baseada em P. Freire e J. Piaget. Petrópolis: Vozes, 1987.

 

 

Cristiane Brandão atua como professora e escritora. Formada em Ciências Sociais e em Pedagogia pela UFRJ. Especialista em Gênero e Sexualidade pelo IMS da UERJ, em parceria com o CLAM e Especialista em Mídias na Educação pela UFRRJ. Atuou como tutora no Curso de Extensão Relações Étnico-raciais, da UFF, e no Curso Proinfantil, elaborado pelo MEC.

 

 

                               

 

 

 


   
           



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