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Quarta-feira, 25/04/2018

Fica a dica: Atividades com a Voz

Tags: dicas educação musical voz.

 

Atividades com a Voz

 

 

Olá, pessoal!


Anualmente, no dia 16 de abril, comemora-se o "Dia Mundial da Voz". Hoje trago pra vocês um pequeno texto de reflexão e sugestão sobre atividades que podemos fazer relacionadas ao uso da voz. Vale ressaltar que temos na Educopedia aula específica sobre a “Voz Cantada” (na aba "6º ano", ficheiro de "Educação Musical"), mas nada impede que essas aulas sejam adaptadas para a faixa etária que quisermos. Trabalhar com a voz e o canto coletivo é sempre bastante enriquecedor.

Na aula citada são tratados os tipos de voz que cada um de nós possuímos, como funciona o nosso aparelho fonador (com exemplos em vídeos sobre o funcionamento das nossas cordas vocais). Além, é claro, de sugestões de atividades a serem realizadas com nossos alunos.

Toda vez que fazemos atividades para cantar nas escolas, nossos alunos ficam bastante empolgados com esses momentos de “soltar a voz”. Com isso, tudo pode virar uma grande brincadeira, pois nosso corpo é o nosso primeiro instrumento e podemos explorá-lo de maneira saudável e proveitosa.

 

Através de jogos e brincadeiras, podemos vencer a timidez e trabalhar exercícios para a voz, lembrando sempre que o que importa, aqui, não é só o resultado final, mas todo o rico processo que acontece no desenvolvimento dessas atividades. Os exercícios vocais são benéficos para a nossa voz não apenas para cantar, mas também quando a utilizamos para falar e nos comunicar. Nesses exercícios, tudo pode ser trabalhado: dicção, volume, expressão, intensidade, entre outros.

O repertório escolhido também pode ser bastante variado, alcançando públicos diferenciados e contemplando, também, seus interesses. O importante é que esse repertório esteja compatível com a proposta da escola, com o projeto político-pedagógico e com as atividades planejadas pelo professor.

Como falado anteriormente, essas atividades podem ser adaptadas para vários segmentos, desde os pequenos até os adultos. Soltar o corpo, a voz, se expressar com mais segurança, trabalhar a timidez, a expressão artística, a criatividade e o cuidado com o próprio corpo, trará muitos benefícios para nossos alunos. Os mesmos tornar-se-ão mais confiantes nas áreas afetiva, emocional, de interrelação pessoal, inserção social e cooperação.

Ainda nesse sentido, muitos conteúdos podem ser trabalhados abordando a prática do canto coletivo, como a percepção e identificação dos elementos da linguagem musical, a apreciação, o respeito pela diversidade cultural, os movimentos musicais, entre outros. Contemplando, ainda, a interdisciplinaridade, pois a música pode ser uma aliada para muitas histórias de sucesso!
 

 

Espero que tenham curtido a dica da semana! Aguardamos sugestões! smiley

Até a próxima!

 


   
           



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Quarta-feira, 18/04/2018

Fica a dica: Falando sobre Música

Tags: dicas, educação, música.

 

Dicas de Música com Erika Augusto Camacho

 

 

 

Olá, pessoal! Tudo bem?

Eu sou a Erika, licenciada em Música pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, tenho Mestrado em Música também pela UFRJ.

Faço parte da rede municipal do Rio desde 2006. Já atuei em todos os segmentos, desde a Educação Infantil até a Educação de Jovens e Adultos. Participei da Orquestra de Vozes Meninos do Rio, de vários Festivais da Canção (FECEM) e de diversos projetos da rede.

Esses projetos abarcam muitos significados para os alunos e, através deles, os mesmos conseguem alcançar conceitos trabalhados durante as aulas. Além dos conceitos, a música perpassa por outros valores, como a interação, o trabalho em equipe, a disciplina, a busca pelo senso estético, assim como a apreciação artística e cultural.

Atualmente, atuo na Gerência de Inovação e Tecnologia Educacional (GITE), na Secretaria Municipal de Educação.

Procurarei trazer dicas diversificadas, que poderão passar pelas aulas da Educopédia, por textos de reflexão, por curiosidades, entre outros. A cada semana estarei por aqui, para compartilhar essas experiências e também para continuar caminhando junto nessa busca pelo aprendizado.

 

Até lá! 

 

Conto com sua participação, professor(a). Mande também suas dicas e sugestões.

Sinta-se à vontade!

 


   
           



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Quinta-feira, 31/08/2017

Professores Homens na Educação Infantil

Tags: educação, infantil.

 

 

PROFESSORES HOMENS NA EDUCAÇÃO INFANTIL:
A EXPERIÊNCIA DE UMA MINORIA NO MUNICÍPIO CARIOCA

 


Autor: Rodrigo Ruan Merat Moreno

 


Ao adentrar em algumas, poucas, salas de Educação Infantil no Município do Rio de Janeiro temos a oportunidade de ver professores homens, sentados em roda com as crianças, levando ao banheiro, trocando fraldas, dando banho, participando dos momentos de alimentação. Para muitos essa cena causa um estranhamento: “Não seria mais adequado uma mulher cuidar de uma criança tão pequena?”.

Quebrando diferentes paradigmas, de acordo com dados do Censo Escolar, cerca de 3% dos docentes que atuam na Educação Infantil no Brasil são do sexo masculino. Focalizando na Rede Pública da cidade do Rio de Janeiro, considerada a maior Rede da América Latina, vislumbramos um cenário que se assemelha a de uma minoria. Dos professores que ingressaram nos dois primeiros concursos para o cargo, nos anos de 2010 e 2012, apenas 97 são homens, de um total de 5.017 professores, conforme o Recursos Humanos Geral da Prefeitura do Rio de Janeiro informou no ano de 2016. 

Ressalta-se que no último concurso para o cargo de Professor de Educação Infantil, realizado em 2015, nas três primeiras convocações para posse realizadas em março, abril e junho de 2016, dos 1647 candidatos convocados, somente 30 eram homens, ou seja, apenas 1,82% dos convocados eram do sexo masculino. 

Com esses pressupostos, ponderando sobre essa minoria e tentando responder diferentes questões que surge e desenvolve a pesquisa: “Professores Homens na Educação Infantil do Município do Rio de Janeiro: Vozes Experiências, Memórias e Histórias”. 

A referente investigação buscou entender parte da dinâmica que envolve as histórias de vida dos professores homens que atuam na Educação Infantil da Rede Municipal de Educação do Rio de Janeiro. A pesquisa tinha como objetivo central conhecer e compreender como os movimentos da vida fizeram com que os homens optassem pelo ofício da educação e cuidado da criança pequena, além de identificar e mapear o quantitativo de docentes homens atuando na EI no Município Carioca, analisar como foi o processo de escolha e inserção na presente Rede e, por fim, compreender como a memória, as experiências e as histórias de vida contribuíram para o desenvolvimento da identidade profissional desses educadores.

Como metodologia, foram utilizadas as histórias de vida atreladas às entrevistas como forma de compreender toda a dinâmica envolvendo esses educadores. Cabe esclarecer que as histórias de vida constituem uma metodologia na qual a subjetividade, a memória, o discurso e o diálogo se fazem presentes. Através das falas, o sujeito pondera sobre sua existência, resignificando sua vida por meio do tempo, transformando em dados para a pesquisa, onde percebemos aspectos culturais, sociais e históricos. Essa metodologia não é um desencadeamento de fatos e relatos ocorridos, mas um panorama de uma experiência de vida comunicada.

Durante o percurso deste estudo, conhecemos 15 professores de diferentes CREs, trazendo à tona temas referentes ao gênero, à relação com seus pares e à vivência com as crianças na prática pedagógica cotidiana.

As questões envolvendo as masculinidades e, consequentemente, o gênero percorreram grande parte das entrevistas com os educadores, mas não somente como um relato de fatos e/ou denúncias, mas trazendo diferentes análises sobre o papel e função do homem na prática com as crianças da Educação Infantil.

Dentre as tantas reflexões que tivemos nessa trajetória, percebemos a figura de um “homem exótico”, ou seja, esse que ocupa um espaço que “não” pertencente a ele, devido ao seu sexo e gênero, e que, consequentemente, causa um estranhamento em seu entorno. Sobre tal prespectiva, percebemos que a docência é um desses principais espaços de “questionamento”; pois, devido a fatores históricos, sociais, culturais e políticos, se configurou como uma profissão “exclusivamente” das mulheres, especialmente devido a sua vinculação o ato de “cuidar” e “maternar” associado ao gênero feminino.

Apesar de ter um contexto social no qual estão inseridos, a associação com o feminino é uma adjetivação que os professores não internalizam e/ou aceitam em sua prática, ou seja, eles não tendem a “feminilizar-se”. Os docentes vivem a especificidade de suas masculinidades, mas observamos em suas falas que eles entendem os fatores externos e de um ideário social e cultural que foi construído sobre suas imagens e seu papel. Refletimos, que, ao mesmo tempo em que vivem suas funções como docentes de crianças pequenas, seu lado “masculino diferenciado”, eles não negam que existam diferentes visões sobre ser homem.

Um dos dados que consideramos relevantes em nossa investigação é que não podemos generalizar que todos os professores homens passam e/ou sofrem situações adversas devido ao seu ofício com as crianças. Cabe ressaltar que não trazemos durante o estudo a palavra “preconceito”, pois cremos que ela é subjetiva e pode trazer diferentes interpretações sobre. 

Os questionamentos sobre “o lugar” desse docente, muitas vezes, vem de um contexto externo, como famílias, direções e educadores, porém observamos que tais questionamentos também possuíam uma origem e cunho interno, ou seja, dos próprios educadores. 

Notamos, que, com o passar dos anos no magistério direcionado à criança pequena, nossos professores criaram estratégias para as diferentes adversidades e também como forma de autoafirmação perante a eles mesmos e a sociedade. Acreditamos que as experiências vividas trazem esses ‘insights’ e novos modos de observar a realidade e resignificar sua masculinidade. Sim, homens podem cuidar e educar crianças pequenas!

Por fim, os resultados mostram que esses professores homens, que são uma minoria no sentido de vez e voz, rompem com diferentes barreiras, resignificam suas práticas e seu ser professor enfrentando diferentes questões e mostrando suas singularidades, que vão além ser somente um homem na educação e cuidado das crianças pequenas.

 

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Rodrigo Ruan Merat Moreno

Mestre em Educação pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro - PUC - RJ (2017), atualmente desenvolve pesquisa a cerca das histórias de vida dos Professores Homens que trabalham com Educação Infantil no Município do Rio de Janeiro. Pós-graduado em Educação Infantil (lato sensu) pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RIO), concluído em 2012/2. Graduado em Pedagogia na Faculdade de Educação na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) no ano de 2011. Desde 2013 é Professor do Município do Rio de Janeiro trabalhando com turmas de Educação Infantil. Atuou com turmas de Educação Infantil no Colégio Pedro II como Professor Substituto (contratado) durante os anos de 2013 e 2014. Trabalhou na Escola Oga Mitá com turmas de Educação Infantil durante o ano de 2010 até 2013. Tem experiência em pesquisa na área de Educação, com ênfase em Educação, atuando principalmente nos seguintes temas: formação de leitores, práticas de leitura na escola e na sociedade, gênero, afetividade, masculinidades e Educação Infantil.

 


 


   
           



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Sexta-feira, 25/09/2015

Segurança na Internet para os Nossos Alunos

Tags: segurança, internet, educação, alunos.

 

 

 

 

Quando falamos de segurança de crianças e jovens na internet, ficamos muito preocupados. Afinal, a internet é feita de pessoas, e pessoas que podem postar coisas boas ou ruins.

 

Vamos ver um pouco, com o Rodrigo da SafeNet, o que podemos fazer para ajudar essa garotada!

 

Rioeduca: Como a escola pode identificar indícios de que um de seus alunos ou de suas alunas está se relacionando com pedófilos pela internet? O que fazer em caso de suspeita?

Rodrigo: Antes mesmo de identificar sinais específicos, é fundamental que as escolas possam tratar amplamente do tema segurança na internet, não apenas em relação à violência sexual, mas como uma questão de cidadania mais geral. A internet, como rede de redes, reflete, em boa medida, questões sociais mais gerais, sendo palco para as mais variadas experiências humanas. Assim como há incontáveis oportunidades de relacionamento, de lazer, de estudo, de trabalho e participação na vida democrática, na rede, também há situações de violência e conteúdos impróprios para crianças e adolescentes. Uma forma de compreender essa complexidade é tratar a rede como uma grande praça pública na qual crianças e adolescentes precisam de acompanhamento e mediação para frequentar com segurança e liberdade. É importante manter diálogo constante com as crianças até 10 anos, e ensinar que não podem compartilhar detalhes sobre sua vida (endereço, telefone, detalhes de onde frequenta), nem compartilhar on-line fotos e vídeos com pessoas que não conhece sem autorização do pais. Os pais precisam ensinar que, na rede, assim como na rua, há pessoas mal intencionadas e que podem cometer violências. Assim como precisamos evitar presentes, carona e conversas particulares com estranhos na rua, na rede, também, as crianças precisam saber evitar contatos impróprios, e sempre contar com um adulto de confiança por perto quando estiver navegando. No caso de pré-adolescentes e adolescentes, a situação é mais complexa pois eles precisam (e é saudável) ter mais espaços privados e relações privadas, no entanto, os pais não podem deixar de dialogar sobre os cuidados necessários com todo e qualquer conteúdo íntimo a ser compartilhado na rede. Os criminosos podem fingir uma grande amizade on-line até conquistar a confiança da vítima, e solicitar material íntimo com fins de exploração, ameaça e chantagem.

Uma vez identificada uma situação suspeita, a escola precisa, antes de tudo, acolher o/a aluno(a) sem julgamento e mostrar apoio para enfrentar a situação.

É importante que a vítima tenha registro de todas as mensagens, ligações e/ou postagens ameaçadoras ou violentas que recebeu.

A escola precisa comunicar as autoridades para denunciar os casos, seja através do Conselho Tutelar, do Disque 100, do Ministério Público ou da delegacia de polícia, contando sempre com os responsáveis legais das vítimas, salvo se estes forem os agressores.

No caso de dúvidas, a SafeNet pode orientar a escola.

Rioeduca: As escolas estão preparadas para debater sobre assuntos como ciberbullying, sexting e pedofilia pela internet?

Rodrigo: Estes temas são novas manifestações de velhas questões relacionadas à intolerância e discriminação (cyberbullying) e ao desenvolvimento biopsicossocial da sexualidade na infância e adolescência. A internet tem, sim, dado escala e visibilidade às questões, mas acreditamos que, antes de tudo, o desafio é de educar para cidadania, para o respeito à diversidade e para o desfrute responsável das liberdades conquistadas. O desafio é de incluir também a internet e novas tecnologias nos debates sobre socialização e educação em direitos humanos desde os primeiros ciclos do ensino formal, em complemento com esta educação difusa que precisa acontecer nos mais diferentes espaços sociais, incluindo as família, meios de comunicação e demais instituições. Nos preocupa ver que, muitas vezes, essas questões de cidadania, como temas transversais, acabam ficando em segundo plano dos projetos pedagógicos com tamanha pressão de carga horária e conteúdos do currículo. Mesmo sendo fundamental uma estrutura mínima de acesso e uso das TIC nas escolas, acreditamos que estas questões de ciberbullying e sexting exigem, antes de tudo, o desenvolvimento de uma capacidade crítica, de um discernimento e de uma postura de responsabilidade que está muito além da questão técnica ou tecnológica. Com uma boa base de educação em direitos humanos, que inclua as relações sociais nos ambientes digitais, acreditamos que estas questões podem ser encaradas de forma muito tranquila, sem precisar de nenhuma parafernália tecnológica ou conhecimento específico de informática por parte dos educadores. Desmistificar esta noção de que os atuais alunos são "nativos digitais" é urgente para evitar que supervalorizemos algumas supostas habilidades que não são "automáticas" e que exigem justamente um diálogo geracional. Aprender a usar os aparelhos e serviços as novas gerações aprendem até sozinhas, mas a capacidade crítica e a responsabilidade para fazer um uso ético e seguro, isso exige processos educacionais e intergeracionais.

 

Rioeduca: Em tempos de redes sociais, Whatsapp, Snapchat e intensa exposição, como a escola pode abordar o tema sobre segurança na internet com seus alunos?

Rodrigo: Uma alternativa mais imediata é trazer este tema para a sala. Mesmo que não seja usando estes aplicativos e redes, é importante debater o uso que os alunos/as estão fazendo destes ambientes. Mais importante até do que simplesmente usar estas ferramentas nas ações pedagógicas, consideramos urgente refletir sobre o uso destas ferramentas na vida em geral. Um olhar crítico e uma pequena pausa de reflexão não apenas sobre o uso que fazemos destas tecnologias, mas também sobre o que estas tecnologias tem feito com nossas vidas. O que muda, o que mais incomoda, o que mais fascina? Quais situações desconfortáveis podem acontecer? Quais regras e critérios temos para usar isso tudo? E as leis valem nestes espaços? Como posso pedir ajuda se for vítima de uma violência na rede? E se for violento com alguém, o que pode acontecer comigo? 

Questões como esta podem disparar ótimos debates em sala e gerar muitos conteúdos. Mais do que listar o que pode ou não pode ser feito, a abordagem que usamos na SaferNet é estimular que os educadores ouçam os próprios alunos, provoquem neles momentos de reflexão e auto-avaliação sobre suas pró?ias experiências de uso. Isso pode ser feito com enquetes e pesquisas na própria escola (aproveitando os conteúdos de uma aula de matemática, por exemplo), através de um desafio como o detox digital (um dia sem celular nem internet) para ser descrito em uma redação ou texto formato reportagem (aproveitando avaliações e exercícios de linguagens), em projetos interdisciplinares que contemplem questões de cidadania em geral ou ainda estimulando a participação em campanhas como a do #InternetSemVacilo que apoiamos com o Unicef Brasil e trata dos temas de forma leve, engraçada com vídeos e memes na prória rede (Internet sem Vacilo). Nossa proposta é que o próprio tema segurança seja trabalhado de forma crítica, para que possamos perceber a necessidade de limites como etapas do desenvolvimento que vislumbra mais liberdades. Crianças e adolescentes precisam dos limites para poderem desfrutar gradativamente das liberdades de forma responsável e segura, mas tendo sempre a liberdade como alvo e não apenas a segurança. Segurança a qualquer preço, dentro ou fora das redes, não é uma alternativa saudável e tampouco pedagógica quando pensamos num projeto de sociedade mais justa e que efetivamente respeite os direitos humanos.  

 

 

 

Rioeduca: Quais são os bons resultados que o Marco Civil da Internet, em especial o artigo 26, podem nos trazer?

Rodrigo: Além ser um ótimo exemplo de participação direta dos cidadãos na elaboração e debate de projetos de lei a partir da Internet, o MC permitiu chegar a um consenso possível em temas tão complexos e críticos. O fato de os direitos humanos serem os pilares fundamentais desta lei, com destaque para a liberdade de expressão, já é uma grande conquista. Especialmente quando vemos que outros países, inclusive democracias bem mais antigas que a nossa, optaram por abordagens muito mais conservadoras e até violadoras de direitos fundamentais. O fato de tratar diretamente da educação para uso seguro, responsável e consciente da Internet como ferramenta para o exercício da cidadania é uma grande conquista que pode ajudar aos gestores públicos da educação a criarem e defenderem ações e programas concretos sobre este tema em seus Projetos Pedagógicos. Sabemos que há sempre um abismo entre o que está previsto nas leis e o que efetivamente as instituições conseguem implementar, mas neste sentido a SaferNet Brasil tem buscado contribuir oferecendo recursos educacionais abertos e formações às secretarias de educação para que o tema possa ser integrado às práticas já existentes e ações cotidianas, conteúdos que são flexíveis para serem adaptados de acordo com os limites de cada escola e de cada educador/a.

 

Rioeduca: Quais as ações que a Safernet desenvolve para a prevenção de crimes na internet em especial na educação formal das redes públicas?

Rodrigo: Como dito, a SaferNet realiza formação de multipicadores, em especial dos grupos relacionados à tecnologia educacional e também coordenadores pedagógicos que possam replicar e implementar as ações em suas redes. Os materiais produzidos pela equipe da SafeNet ficam disponíveis gratuitamente no nosso portal. 

Além disso, a SaferNet disponibiliza um canal online gratuito para orientar tanto os/as alunos(as) quanto os educadores que tenham dúvidas ou foram vítimas de algum violência deste tipo online. O canal funciona por Chat e email no Canal de Ajuda.

Outro serviço disponibilizado pela SaferNet é o Canal de Denúncias através do qual qualquer internauta pode sinalizar de forma totalmente anônima e em 3 cliques uma página suspeita de racismo, homofobia, intolerância religiosa, pornografia infantil ou outras violações aos direitos humanos.

Por fim, temos um conjunto de ações de educação e conscientização, com o objetivo de promover um uso seguro com liberdades, estimulando que as pessoas pensem no auto-cuidado e no respeito aos outros, fazendo boas escolhas online. Neste ano estamos realizando um ciclo de formação de educadores em 10 capitais do país com o Ministério Público Federal, a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão, e apoio do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br). A proposta é contemplar todas as capitais do país até o fim do próximo ano, estimulando novas ações locais inspiradas pelas oficinas e amparadas pelo Art. 26 do MC. Ficamos muito contentes com a ampla participação e motivação dos educadores do Rio de janeiro nesta atividade e continuamos à disposição para apoiar as ações que se desdobrarem. 

Os educadores interessados em receber material impresso para atividades de multiplicação em suas escolas podem solicitar através do formulários:Materiais

 

 


Rodrigo Nejm - Psicólogo, diretor de educação e atendimento da SafeNet Brasil, coordena as ações de educação em Direitos Humanos na Internet que englobam pesquisas, campanhas, materiais pedagógicos e formações de multiplicadores (educadores, jovens, pais e autoridades). Coordenada o Safer Internet Day no Brasil desde sua primeira edição nacional em 2009. Mestre em gestão e desenvolvimento social e doutorando em psicologia social na Universidade Federal da Bahia - UFBA, pesquisando interações sociais e privacidade de adolescentes nos ambientes digitais, com estágio doutoral na Universidade de Paris V. Pesquisador do Grupo de pesquisa em Interações, Tecnologias Digitais e Sociabilidade - GITS/UFBA e membro do Grupo de especialistas das pesquisas TIC Kids Online e TIC Educação do CETIC.br desde 2010.  

 

 

 

                               

 

 

 


   
           



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