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Segunda-feira, 16/09/2013

Como Trabalhar a Literatura Infantil e Juvenil de Maneira Lúdica em Sala de Aula

Tags: blogsderioeducadores, educopédia, mídias, especialistas, literatura infantil, juvenil.

A concepção de literatura infantil nos tempos modernos difere muito da concepção antiga. O próprio objeto livro sofreu transformações ao longo do tempo. No passado, os livros infantis possuíam uma intenção pedagógica, usados como pretexto para ensinar e disseminar valores como: nacionalismo, intelectualismo, moralismo e religiosidade.

 

 

Hoje, o conceito que temos de literatura é totalmente diverso. Nelly Novaes Coelho, em Literatura Infantil: Teoria, Análise, Didática, diz: “A literatura Infantil é, antes de tudo, literatura, ou melhor, é arte: fenômeno de criatividade que representa o mundo, o homem, a vida, através da palavra. Funde os sonhos e a vida prática, o imaginário e o real, os ideais e sua possível/impossível realização...”

 

Então, se pudermos enumerar algumas maneiras de se trabalhar a literatura no espaço escolar, na sala de aula, de maneira lúdica, teremos:

 

1ª) Não dar ao livro infantil e juvenil a função didático-moralizante. Definitivamente, a função da Literatura não é a convergência e sim a divergência. Como bem diz Franz Kafka: “Lemos para fazer perguntas.” O texto literário, sendo destinado à criança ou não, contém uma pluralidade de interpretações, em que cada leitor também é um autor, dialogando e participando da obra.

 


2ª) Explorar a parte tátil do livro. O livro é um objeto e o conhecimento infantil de maneira básica se processa pelo contato direto da criança com o objeto. Principalmente em crianças menores, em que o cérebro ainda não alcançou toda a capacidade na decodificação da linguagem escrita. Sendo de natureza abstrata e simbólica, a criança precisa ter contato, ver ilustrações, desenhos, sentir o livro. Então, nada de proibir o contato dos pequenos leitores por medo de sujar, rasgar ou amassar.

 

 


3ª) Crianças são imaginativas por natureza. Aproveitar essa capacidade é de fundamental importância nesse processo. Transpor a leitura para a dimensão espacial, deixando a criatividade livre para atuar, sugerindo que os leitores desenhem sobre a parte do livro que mais gostaram, construam dobraduras, personagens com sucatas, cenários, e que suas criações possam ser expostas num espaço criado pela escola para esse fim.

 

 


4ª) Montar peças teatrais ou até mesmo pequenos filmes com as histórias, fazendo com que os leitores percebam que o texto escrito pode assumir diferentes roupagens dependendo da adequação nas diversas expressões artísticas.

 

 


5ª) Oferecer livros de qualidade, sem estereótipos, preconceitos e artificialismos, que estejam comprometidos com a arte e o imaginário do leitor.

 

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Referência Bibliográfica:
COELHO, Nelly Novaes. Literatura Infantil : Teoria, Análise, Didática. 1ª Ed. São Paulo. Moderna, 2000.
 

 

Alessandra Firmo da Silva Santos é Especialista em Literatura Infantil e Juvenil, atua na E.M.(09.18.12) Maria Luíza Lima Silva e foi ganhadora do Concurso Leia Comigo, promovido pela FNLIJ em 2010 e 2011.

 

 

 

Cristiane Guntensperger Sousa

Contatos: cristiane.gun.sousa@gmail.com

Facebook: Cristiane Guntensperger

 

                               

 

 

 


   
           



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Sexta-feira, 13/09/2013

A Linguagem Virtual: uma Nova Identidade dentro e fora da Escola

Tags: blogsderioeducadores, educopédia, mídias, especialistas, internetês.

Atualmente, as trocas de informação, as conversas que a vida corrida do dia a dia não permite e as facilidades de uma linguagem despojada, simples e objetiva, facilitam que as redes sociais façam parte do cotidiano de muitas pessoas.


Os desafios que essa nova linguagem usada na rede - o internetês - impõem nas escolas é grande. Garantir que os alunos consigam estabelecer as diferenças entre a linguagem virtual e a acadêmica é algo que requer uma nova postura docente.

 

 

É necessário compreender que na sociedade contemporânea o tempo é algo escasso e que, apesar da velocidade, deve-se assegurar a informação e a comunicação.

 

As abreviações do internetês são tentativas de simplificar e acelerar a informação.


 

O internetês é a linguagem usada nas redes sociais, visando facilitar o entendimento e rapidez da conversa. Se ele é ou não é um gênero textual, não é uma preocupação presente nos diálogos travados nas salas de bate-papo, no Facebook, no Skype ou em quaisquer outras redes sociais. Vários estudos vêm sendo feitos com a intenção de esclarecer esse ponto. Mas até o momento as opiniões ainda não apontam uma conclusão.

 


Quando uma língua se espalha, ela muda. O simples fato de que partes do mundo diferem tanto umas das outras, física e culturalmente, significa que os falantes têm inúmeras oportunidades de adaptar a língua, para satisfazer suas necessidades de comunicação e adquirir novas identidades. A parte principal da adaptação será no vocabulário – não apenas novas palavras, mas novos significados para as palavras, e novas expressões idiomáticas.  (Crystal, 2005, p.36)

 

Nas salas de aula, o desafio continua lançado. Como o professor deve agir diante de uma produção de textos onde os alunos escrevam com as abreviações das redes sociais? A orientação para a norma culta da língua portuguesa é uma obrigação de todos os regentes. O aluno possui o direito de saber como é a escrita culta, mas também tem a liberdade de se expressar de forma confortável e segura.

 

 

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Referências Bibliográficas


ANDRADE, M. L.. O . Textos construídos na internet: oralidade ou escrita? In: SILVA, Luiz Antônio (org.). a língua que falamos - Português: história, variação e discurso. São Paulo: Ed. Globo, 2005.
BAUMAN, Zigmunt. Modernidade Líquida. Rio de Janeiro: Ed. Zahar, 2001.
_______________ Identidade. Entrevista de Bauman a Benedetto Vecci. Rio de Janeiro: Zahar, 2005.
CASTELLS, Manuel. A Sociedade em Rede - a era da informação: economia, sociedade e cultura. São Paulo: Paz e Terra, 1999.
CRYSTAL, David. A revolução da linguagem. Rio de Janeiro: Ed. Zahar, 2005.
HALL, Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade. Rio de Janeiro: DP&A Editora, 11ª edição, 2006.
LÉVY, Pierre. As Tecnologias da Inteligência. Trad. Carlos Irineu da Costa. Rio de Janeiro: Editora 34, 1993.
LÉVY, Pierre. O que é o virtual? Trab. Paulo Neves. São Paulo: Ed. 34, 1996.
LÉVY, Pierre. Cibercultura. Trad. Carlos Irineu da Costa. São Paulo: Ed.34, 1999.
MARCUSCHI, Luiz Antônio. Da fala para a escrita: atividades de retextualização. São Paulo: Cortez, 2003.
______________________ O hipertexto como um novo espaço de escrita em sala de aula. Linguagem & Ensino, vol. 4, nº 01, p. 79-111, ano 2001.
_____________________ Hipertexto e Gêneros textuais. Rio de Janeiro: Ed. Lucerna, 2004.
Ramal, A.C. Educação na Cibercultura: hipertextualidade, leitura, escrita e aprendizagem. Porto Alegre: Artmed, 2002.


 

Monica Cristina Celano Cavalcante é professora da rede municipal de ensino do Rio de Janeiro e de Duque de Caxias, especialista em Gestão Escolar e mestranda do Curso de Ciências Humanas na Universidade do Grande Rio.

http://lattes.cnpq.br/3743630225929610

 

 

 

 

 

 

Cristiane Guntensperger Sousa

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Segunda-feira, 09/09/2013

Best-sellers e Leitura Literária

Tags: blogsderioeducadores, educopédia, mídias, especialistas, literatura, best-seller.

A crítica literária diverge quanto ao valor das obras mais vendidas para o público juvenil. Apesar de a grande maioria dos estudiosos entenderem os best-sellers para jovens como uma literatura pobre, com uma estrutura pré-determinada e limitada, alguns conseguem se aproveitar dela para formar leitores, digamos, mais “exigentes”. Surgem questionamentos como: por que a maioria dessas obras é tão repelida pelos críticos se tantos jovens as leem? O mais importante é ler os autores canônicos?

 

Partindo da concepção de que literatura é o texto que toca nossa humanidade ao tratar da “matéria de que somos feitos: os sonhos, as ilusões, a dor, a disposição para renascer”1, os críticos desqualificam determinadas obras que, segundo eles, fogem a essas características. Inimigo obstinado da série Harry Potter, o crítico Harold Bloom, em entrevista, inspirou outros a ver séries recentes como Percy Jackson, Jogos Vorazes e Crepúsculo, não só como antiliteratura, mas como leituras nocivas.

 

 


É sabido que o texto literário, o do cânone, é aquele que requer certo esforço de quem o lê. Comungamos com o pesquisador Luiz Percival Leme Britto quando ele diz que precisamos assumir a dificuldade que é ler, sem que isso minimize sua importância ou assuste a quem se dedique a formar leitores. No entanto, entendemos que “a aquisição da competência ficcional é alcançada em estágios” 2.

 


 

 

Sabendo que a noção de cânone é uma construção social de adultos – e Peter Dickinson, citado por Hunt, lembra que “o olhar do adulto não é necessariamente um instrumento perfeito para discernir certos tipos de valores” 3 –, busquemos em nossas salas de aula dar voz aos jovens, fomentando conversas sobre leituras.

 

 


Nilma Lacerda, num artigo, questiona: “Como formar leitores se não oferecemos à criança textos literários próximos à sua sensibilidade e problemática?” 4 Atender às expectativas dos leitores não é ruim se pudermos, aos poucos, oferecer mais. Em sala de aula, ou fora dela, o diálogo sobre a leitura dessas obras, mediada por leitores vorazes, magos na linguagem, aventureiros ou sugadores de palavras, pode render, sim, muitos leitores.

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1-LACERDA, Nilma Gonçalves. Cartas do São Francisco: conversas com Rilke à beira do rio. 3ª ed. Il. Demóstenes Vargas. São Paulo: Global, 2003, p. 12.
2-HUNT, Peter. Crítica, teoria e literatura infantil. São Paulo: Cosac Naify, 2010, p. 177.
3-Ibidem. p. 88
4-LACERDA. 2003, p. 90

 

 

Alexandra Figueiredo é professora de Língua Portuguesa da rede municipal do Rio de Janeiro e especialista em Literatura Infantil e Juvenil pela Universidade Federal Fluminense, onde atualmente atua como Pesquisadora. Durante 3 anos (2010-2013) foi assessora de projetos da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ). http://lattes.cnpq.br/2660510964800276


 

 

 

Cristiane Guntensperger Sousa

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Sexta-feira, 06/09/2013

Em cartaz: “ÓCULOS MÁGICOS”. Uma Animação Produzida por Alunos da Rede Pública

Tags: blogsderioeducadores, educopédia, mídias, especialistas, literatura, história.

O ônibus foi parando lentamente com os seus quarenta passageiros uniformizados. À direita, a Fundição Progresso, onde a exposição de longas e curtas metragens reunia animações nacionais e internacionais. Um festival. No coletivo, vozes ansiosas: “Chegamos?", "Podemos descer?”

 

Entre os passageiros estavam os autores, produtores e atores que, em 2012, produziram um curta de animação intitulado “Óculos Mágicos”¹. Eram alunos do 9º ano, da Escola Municipal Dunshee de Abranches.

 

Alunos do 9º Ano/2012 da EM Dunshee de Abranches com a Profª Maria José de Carvalho (História), no Festival Internacional de Animação (AnimaMundi), após a projeção do curta “Óculos Mágicos” em agosto de 2013.

Alunos do 9º ano da E. M. Dunshee de Abranches com a Profª  de História Maria José de Carvalho no Festival Internacional de Animação (AnimaMundi), após a projeção do curta “Óculos Mágicos”, em agosto de 2013.

 

O ponto de partida do projeto foi a leitura do livro “A Luneta Mágica em Quadrinhos”, da Editora Panda Books (2009). Este, por sua vez, interpreta a obra de Joaquim Manoel de Macedo, publicada no século XIX, em sua primeira edição. Então, foi reconstruída a narrativa com a inserção dos movimentos, que deram vida/alma (anima) às imagens. Um desenho animado!

 

Justificando essas escolhas, segundo Chartier (apud Rio de Janeiro, p.87)²: “ao construir diferentes percursos para ler os diferentes textos, o leitor torna-se também autor”, daí a utilização da linguagem HQ. Nela, os quadrinhos estão a serviço da imaginação e do movimento corporal (olhos e mãos) do leitor que “caminha” de uma cena a outra. Ela aproxima o estudante da linguagem literária na busca dos seus próprios percursos de leitura e de aprendizagem.

 

 


Ao ressaltar a importância dos vários modos de ver e uma certa miopia, física e moral, que dificulta o relacionamento humano, Macedo utilizou a luneta como objeto símbolo que, ora auxilia, ora prejudica a visão do bom senso. Evidencia-se aí, o tema transversal denominado pluralidade cultural.

 

Nesse uso convergente das mídias, a educação e a comunicação estão em diálogo permanente via novas tecnologias. Ainda que representem campos de conhecimento distintos, elas fundamentaram o caráter interdisciplinar da proposta, a serviço das disciplinas curriculares: História, Língua Portuguesa e Geografia.

 

Alunos do 9º Ano utilizando o software MUAN (Manipulador Universal de Animação).

 

A metodologia oferecida pelo Projeto Anima Escola³, em parceria com a SME/RJ, possibilitou o cronograma em etapas: Pesquisa; Roteiro; Storyboard; Confecção dos cenários e personagens; Filmagem; Edição.

 

Voltamos ao começo deste relato. A exposição em festivais internacionais ratificou o protagonismo dos alunos que, ao final, aplaudiram! Assim, o encantamento que o aprender animando exerce sobre os alunos atua como um terreno fértil na construção do conhecimento e no fortalecimento dos laços com o outro.

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1-Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=htWMyNN5lco.
2-CHARTIER, Roger. IN: RIO DE JANEIRO. A escola entre mídias. MultiRio, 2011.
3-Disponível em: http://www.animaescola.com.br/
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Maria José Carvalho é mestre em História pela UFF; pós-Graduada em EAD pelo SENAC/RJ. Foi docente de Didática e Prática de Ensino de História  na UFRJ e de História da Educação na UERJ, na UniverCidade e na Faculdade Cenecista. Atualmente é Professora de História na SME/RJ e Tutora da Pós-Graduação/EAD no CECIERJ/SEEDUC.

CV: http://lattes.cnpq.br/9801635356889135.
Última atualização/ publicação: 18/07/2013
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Cristiane Guntensperger Sousa

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