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Quarta-feira, 13/07/2016

Criatividade: Entrevista com o Professor Alex Sandro Gomes

Tags: criatividade, entrevista, alex gomes.

 

 

Como trabalhar a criatividade na escola? Podemos ensinar? É uma habilidade que já é atávica?

 

Acompanhe a entrevista com o Professor Alex Sandro Gomes e vamos abrir o debate.

 

Rioeduca: Por que a Criatividade é tão importante para a educação?

Alex Sandro Gomes: Pois ela permite que se crie soluções que ainda não foram pensadas. Mais importante que ensinar respostas é necessário desenvolver as habilidades para formular perguntas e de criar soluções possíveis. A criatividade entre nas duas habilidades.

 

Rioeduca: Será que todos nós somos criativos?

Alex Sandro Gomes: Sim. A criatividade é um tipo de raciocínio. Algumas pessoas podem ter habilidades mais desenvolvidas que outras, mas todos temos uma versão dessa raciocínio e estamos sempre o evoluindo.

 

Rioeduca: A criatividade pode ser apreendida ou incentivado?

Alex Sandro Gomes: Ela pode ser desenvolvida por meio de vivências, desafios, dinâmicas, expressões. Sempre que somos solicitados a encontrar uma solução para o que ainda não sabemos a resposta, entram em ação raciocínios que combinam nossos conhecimentos anteriores. Quanto mais relações e quão mais inusitadas forem as associações melhor para o desenvlvimento da criatividade.

 


Rioeduca: Existem pessoas que já nascem criativa?

Alex Sandro Gomes: Pode ser que sim, visto que parte do que conseguimos fazer depender de nossa constituição física. Nascemos com inclinações específicas e podemos dizer que algumas pessoas nascem mais inclunadas a desenvolver com mais facilidades o raciocínio criativo.

 


Rioeduca: Qual seria o eixo estruturante de uma boa formação de professores para a criatividade em educação?

Alex Sandro Gomes: Seria um eixo que estimulasse a produção de formas distintas de expressão de conhecimentos. Ao construir uma ampla gama de representações, as pessoas são naturalmente levadas e pensar sobre as distintas propriedades entre os conceitos envolvidos. Os professores precisam desenvolver habilidades para criar situações didáticas distintas para ensinar um mesmo conceito. Na mesma direção, os professores precisam desenvolver habilidades para planejar didáticas que permitam relacionar conceitos tal qual são definidos em distintas áreas do conhecimento. Assim eles estão ajudando os alunos a desenvolver raciocínios por meio dos quais combinam elementos para propor como novas soluções. Os seja, o professor precisa ajudar a desenvolver o raciocínio criativo.

 


Rioeduca: Pensando no professor criativo, como ele pode planejar as aulas, sequências e cenários utilizando as técnicas de design?

Alex Sandro Gomes: O raciocínio de design é uma forma estrutura em um 'método' do pensamento criativo. O método é uma estratégia de resolução de problemas que permite lidar com uma grande quantidade de variáveis. Ele ocorre em ciclos e passa por fases tais como: imersão, síntese, ideação, prototipagem e avaliação. Para cada uma dessas fases são conhecidas técnicas que ajudam na construção das soluções. Esse método é hoje muito bem estabelecido e muito usado em muitas áreas da atividade humana. No voume 3 da série Professor Criativo tentamos explicar como o método de design pode ser adotado no planejamento docente e assim fazer com que o professor também usufrua desse método em sua prática.

 


Rioeduca: Como superar a simples utilização das TIC´s para uma experiência de aprendizagem autentica e inovadora?

Alex Sandro Gomes: A efetividade do uso de TIC's na prática docente não pode prescindir de um planejamento detalhado pois é uma atividade complexa e envolve muitas variáveis. Estamos propondo usar o método de design para planejar esse tipo de experiência de aprendizagem. Dessa forma, entendemos que o professor poderá ao planejar eliminar riscos ao insucesso, detalhar pequenas necessidades, identificar suas necessidades e assim usar as TIC's com mais conforto em sua prática, ao mesmo tempo que consegue obter melhor retorno e aceitação de suas iniciativas.

 


Rioeduca: Em um mundo que demanda cada vez mais soluções criativas para problemas complexos qual seria o papel do professor nesse cenário?


Alex Sandro Gomes: Ajudar com que os alunos sejam mais inteligentes e mais criativo que a geração que os educa. Esta frase foi elaborada por Jean Piaget ainda na década de 1970.


Para saber mais acesse Série Professor Criativo

 Ou acesse os Livros.

Volume 1

Volume 2

Volume 3

 


Alex Sandro Gomes é Engenheiro Eletrônico (UFPE, 1992), Mestre em Psicologia Cognitiva (UFPE, 1995) e concluiu o doutorado em Ciências da Educação pela Université de Paris v (René Descartes) em 1999. Atualmente é Professor no Centro de Informática da Universidade Federal de Pernambuco, Bolsista de Produtividade Desen. Tec. e Extensão Inovadora 2 do CNPq e membro da Academia Pernambucana de Ciências. Atua com a concepção de ambientes colaborativos de aprendizagem. Publicou mais de 200 trabalhos em periódicos especializados e em anais de eventos, orientou ou co-orientou mais de 60 dissertações de mestrado e teses de doutorado na área. Atuou como coordenador dos eventos SBIE e IHC, promovidos pela SBC. Atuou como membro das comissões especiais de Interação Humano Computador e Informática Educativa da SBC. É líder do grupo de pesquisa Ciências Cognitivas e Tecnologia Educacional . É Coordenador das comunidades de software livre Amadeus e Openredu.

 

 

 

                               

 

 

 


   
           



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Sexta-feira, 20/05/2016

Os Desafios do Professor do Século XXI

Tags: entrevista, lab, education.

 

 

Entrevista com Professora Neuza Pedro sobre o Professor do Século XXI e sobre o uso do modelo Lab. Excelente relexão para fazermos diferente e melhor.

 

RIOEDUCA -Quem é o professor do século XXI e quais os seus desafios?

Neuza  Pedro - Diria que é um professor sobretudo aberto à mudança, confiante em si, no seu saber curricular e pedagógico mas disponível para mudar para fazer diferente. É um professor cientificamente capacitado, mas com sentido crítico e em constante atualização profissional. É um professor pedagogicamente formado mas flexivel o suficiente para saber acolher o que a cada dia se descobre de novo acerca da aprendizagem e do processo cognitivo no ser humano. É um professor que valoriza o saber e que por tal valoriza todos os meios de acesso ao saber, sejam eles analógicos, tecnológicos, … que o futuro nos trouxer. É ainda um professor positivo e empoderecedor, que acredita nas capacidades dos seus alunos e que atua sempre para que estes consigam ir além de si mesmos.  Que desafios enfrentam? São inumeros; como sempre foram, aliás. Não acho a atualidade das escolas seja particularmente mais dificil do que qualquer uma das décadas que nos antecederam. Os desafios são outros, nem mais, nem piores. Mas são realmente numerosos e por isso vou eleger 2: a qualificação docente e direito a uma regular atualização profissional, e o combate à burocratização do sistema (educativo).

 

RIOEDUCA - O professor ainda pode ser considerado o “core” da inovação em educação?

Neuza  Pedro - Sem dúvida. Não há ideia inovadora em educação, por melhor e mais inovadora que seja, que se revele “à prova de professor”. Muito dificilmente se consegue inovar se essa inovação não for incorporada numa mudança da prática docente, naquilo que estrutura o dia-a-dia em sala de aula. Contudo, há que notar que isto não significa que a mudança nas práticas dos professores, por si só garante inovação. A inovação em educação tem que ser entendida como uma processo de modernização sistémica, ou seja, que envolve todos os agentes e todas as engrenagens do sistema educativo. Um professor sozinho não faz inovação, no máximo faz alguma agitação; perturba um pouco as rotinas, suscita curiosidades, alimenta algumas invejas… mas ainda lhe falta alguns passos para conseguir estabelecer uma inovação. Dois professores? Assim sim, começa a mudar tudo. Um grupo de professores, com o diretor certo e mais o apoio de 2 ou 3 pais? Ai sim; ruma-se à inovação.

 

 

RIOEDUCA - Diversos modelos são apresentados com base na integração de tecnologias. Essa é ainda uma tendência da “Escola do Futuro” no mundo ?

Neuza Pedro - Há quem defenda que a escola se deve manter à margem da sociedade, que se deve preservar do turbilhão de problemas políticos, sociais e económicos que desvirtuam a paz necessária para a aprendizagem. Recordo o que Alain, notável filósofo francês, nos indicava “A escola é um lugar admirável. Gosto que os ruídos exteriores não entrem nela.” Compreendo a perspetiva mas, em humildade, permita-me discordar em absoluto. A ideia de muros que separam a escola da realidade social e do mercado de trabalho assusta-me. Assim, entendo que enquanto as tecnologias estiverem integradas nas práticas diárias dos cidadãos tanto em sua atividade laboral, como em situação sociais e de lazer, então elas têm necessariamente que ser integradas na escola. A escola e a vida devem ser uma e a mesma coisa. Não consigo imaginar uma escola de futuro, ou seja, para o futuro e com futuro onde a tecnologia não tenha presença, ou que até lá possa estar desde que seja desligada… Parece-me uma perda de oportunidades imensa, sobretudo nos contextos socioeconomicos mais deprimidos onde o acesso ao conhecimento ainda é tão restrito! Há já alguns anos, na União europeia definiu um quadro de referência para todos os países memberos onde sinaliza como fundamental o domínio de 8 competências-chave: a comunicação na língua materna e em línguas estrangeiras, a competência matemática e competências básicas em ciências e tecnologia, a competência digital, o aprender a aprender, as competências sociais e cívicas, a iniciativa e espírito empresarial, e finalmente a sensibilidade e expressão culturais. Gosto sempre de referir que as tecnologias aparecem por duas vezes: as competências básicas em tecnologia e as competências digitais. Lamento ter que indicar que nem umas nem outras estão a ser adequadamente consideradas nos curriculos, nem tranversalmente trabalhadas na generalidade das escolas de hoje. Por isso diria que se deverá ser uma tendência? Absolutamente que sim. Mas que se é hoje realmente uma tendência? Ainda não...

 

 

RIOEDUCA - Qual é a proposta do Future Teacher Education Lab ? Ela pode ser replicada? 

Neuza Pedro - A proposta é simples, complexamente simples e portanto acho que é totalmente replicável. Ao criarmos no Instituto de Educação da Universidade de Lisboa o FTE-lab tivemos 2 ideias de base. A primeira. Em muitos países tem-se assistido a programas nacionais ou iniciativas locais de apetrechamento tecnológico das escolas do ensino básico e secundário, sobretudo na última década. Logo as escolas têm vindo a ter cada vez mais acesso a computadores, tablets, internet, etc.. De igual modo, os alunos têm cada vez cedo acesso a celulares com serviço de internet bastante rápida. Contudo, os professores e educadores, tanto aqueles que se encontram nas escolas como os recém-formados, não revelam a bagagem necessária para saber tirar partido pedagógico dessas tecnologias. E um dos principais motivos para essa limitação na formação dos professores é a falta de formação que os professores universitários têm na utilização pedagógica das tecnologias. Logo entendemos prioritário investir na qualificação técnico-pedagógica dos professores do ensino superior. A segunda ideia ligava-se ao facto de percebermos que se queremos vir a ter ‘salas de aula do futuro’, ou seja, inovadoras e potencializadora de abordagens pedagógicas ativas, precisamos ter professores que saibam atuar nelas, ou seja, precisamos preparar professores que estejam orientados para o futuro. Logo há necessidade de modernizar a própria formação inicial de professores, educadores, pedagogos, etc. Todos os profissionais tendem a repetir as práticas a que foram expostos; assim, se se pretende professores inovadores, as universidades têm que criar espaços onde a inovação em sala de aula seja vivenciada pelos futuros profissionais que aí se formam. Foi, para responder a estas duas ideias- mas que sinalizam na verdade um único problema: a falta de inovação e de modernização tecnológica das universidades- que o FTE-Lab foi criado. Optámos por chamar-lhe laboratório porque muitas vezes estamos realmente a fazer experiências, ou seja, não sabemos bem em que é que vai resultar… Ele organiza-se numa sala equipada com as mais modernas tecnologias digitais (paineis interactivos, impressoras 3D, tablets, robots, et.), com um layout adaptável e mobiliário flexível, de modo a permitir a exploração de novos cenários de ensino-aprendizagem com tecnologias digitais na formação inicial de professores; e de desenvolver workshops regulares sobre utilização educativa das tecnologias e ambientes online no ensino superior. O espaço foi criado em 2015 e com um orçamento bastante baixo: zero euros. Tinhamos muita vontade mas nenhuma fonte de financiamento. Resolvemos contactar diversos parceiros comerciais que haviamos conhecido no âmbito do Projeto ITEC, que acabou por promover a criação da Future Classroom da European Schoolnet, atualmente existente em Bruxelas. E pedimos aos parceiros que nos dissessem o que poderiamos oferecer-lhes de modo a que eles quisessem patrocinar a constituição desta sala no Instituto de Educação. Foi estabelecendo protocolos de parceria com essas empresas que conseguimos que estes disponibilizassem os equipamentos que precisávamos. A maioria dos equipamentos não nos foi oferecido mas sim ‘alocado ao espaço por tempo indefinido’… Nesses protocolos assumimos o compromisso de desenvolver para as empresas vários serviços, como seja, a criação de ‘videos ‘, documentação de ‘boas-práticas’ de utilização dos seus produtos, apoio ao desenvolvimento de estudos, testagem de soluções educativas em desenvolvimento, etc. Claro que acabou por haver alguma verba que teve ser ser investida no espaço por parte do Instituto na aquisição de algum mobiliário e obviamente houveram muitas horas de trabalho investidas por parte dos professores e investigadores envolvidos no projeto mas com o esforço e a boa-vontade de todos os envolvidos, o espaço foi criado com base num modelo muito em conta e encontra-se a funcionar em pleno. Temos imensos pedidos de visitas por parte de outras universidades nacionais e internacionais, de professores, de associações, empresas, e procuramos sempre ajustar o calendário para conseguir receber todos os interessados em vir conhecer o espaço e o que nele fazemos. Para nós é uma honra, receber pessoas interessadas no nosso trabalho.

 


Neuza Pedro, Professora no Instituto de Educação da Universidade de Lisboa. Doutorada em Educação na especialidade TIC na Educação com Mestrado em Psicologia da Educação. Possui vários cursos de pós-graduação na área de Online teaching, tanto pela Universidade de Adger-Noruega como pela Universidade de Wisconsin-Stout nos Estados Unidos. Assume atualmente a coordenação do Mestrado em Educação e Tecnologias digitais e é, desde 2010, coordenadora do Laboratório de e-Learning da Universidade de Lisboa. Participou em vários estudos e projetos tanto nacionais como internacionais ligados à integração educativa das tecnologias de entre os quais se destaca: Project teL@FTE-Lab (Technology enhanced learning at Future Teacher Education), ITEC Project, Future Classroom Lab, Estudo Intel Teach Advanced Online, LEARN- Math, Technology & society, DALEST, WEBLABS.

 

 

 

 

 

 

                               

 

 


   
           



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Sexta-feira, 30/10/2015

Realidade Virtual e Aumentada - Entrevista com Romero Tori

Tags: entrevista, professor, inovação, realidadeaumentada, realidadevirtual.

 
 
 
 
 
 
 
 
O que é Realidade Virtual? Nâo é a mesma coisa que Realidade Aumentada? Como podemos usar essas ferramentas em sala de aula? Com muita clareza e de maneira cativante, Romero Tori nos deu uma entrevista sobre esse assunto.
 

 


RIOEDUCA- Muitas pessoas confundem Realidade Virtual (RV) e Realidade Aumentada (RA) como se fosse a mesma coisa. Como diferenciá-los?

ROMERO TORI- Realidade Virtual é quando o usuário é levado para uma outra realidade na qual ele se sente imerso e pode interagir. Realidade Aumentada é quando elementos virtuais e interativos são inseridos na realidade do usuário.

 

 

RIOEDUCA- A Realidade Virtual (RV) na educação tem um grande potencial prático dentro e fora das salas de aula?

ROMERO TORI- O uso de simuladores é bastante comum em cursos de áreas tecnológicas, como engenharia e arquitetura. Antes de se construir uma ponte, por exemplo, são simulados os esforços que essa receberá e como isso se refletirá em sua estrutura e no material. Com a RV as simulações atingem um patamar de realismo que permitirá simular, de forma bastante realista, praticamente qualquer situação ou fenômeno. Isso abre um enorme potencial não só para aprendizagem tecnológica mas também nas áreas de humanas e biomédicas com total segurança e custos muito menores que experiências realizadas em laboratórios ou em campo. Em cursos das áreas biomédicas, muitas questões éticas envolvendo o uso de cadáveres ou testes em seres vivos podem ser evitadas com o uso de RV. Outra área a ser beneficiada é a da EAD, pois hoje já é possível ter experiências imersivas usando smartphones ou tablets. Cursos de nível médio e fundamental também podem ser beneficiados ao possibilitar que jovens e crianças vivenciem outras realidades de forma imersiva e interativa.


RIOEDUCA- As pesquisas no âmbito da Neurociência têm apontado que cada pessoa aprende de maneira diferente, algumas são visuais, outras são verbais, algumas preferem explorar e outras deduzir. Como a Realidade Virtual (RV) pode potencializar a personalização da aprendizagem?


ROMERO TORI- Independente do estilo de aprendizagem, tudo o que fazemos se desenvolve em um espaço tridimensional que chamamos de realidade. Como a RV simula um ambiente com essas mesmas características, podemos, em tese, fazer praticamente tudo o que fazemos no mundo real em ambientes simulados. Quem gosta de explorar pode explorar mundos virtuais, quem gosta de deduzir poderá exercitar essas habilidades imerso em outra realidade e por aí vai. A RV é apenas uma maneira de viabilizar ambientes e situações que seriam inviáveis, custosos ou perigosos no mundo real. Assim como na sala de aula podemos aplicar diferentes metodologias de ensino e aprendizagem, podemos fazer o mesmo em mundos virtuais.

RIOEDUCA- Qualquer tipo de habilidade e competência pode ser trabalhada com a Realidade Virtual ?


ROMERO TORI- Sim. Quando imergimos num mundo virtual, essa passa a ser a nossa realidade. Pode haver necessidade de desenvolvimento de software e hardware especiais, mas potencialmente qualquer habilidade e competência pode ser desenvolvida a distância usando recursos de RV ou RA.

 

 

RIOEDUCA- Qual seria o papel do professor nesse processo e como costumam responder à proposta de utilização da Realidade Virtual em sala de aula?

ROMERO TORI- A RV e a RA são apenas ferramentas, assim como vídeos, livros, lousa e giz. Cabe ao professor planejar o uso dessas mídias, selecionar conteúdos adequados, decidir a metodologia a ser aplicada, orientar, supervisionar e avaliar todo o processo. Os fundamentos pedagógicos e didáticos continuam válidos. O professor e o designer instrucional só precisam avaliar os momentos em que a RV e RA podem fazer diferença e quando outros tipos de ferramentas seriam mais adequados, assim como sempre fizeram e fazem com outras mídias.
  


 

Romero Tori é engenheiro, doutor e livre-docente pela USP na Área de Tecnologias Interativas. É Professor Associado III da Escola Politécnica da USP, na área de engenharia de computação, onde coordena o Interlab - Laboratório de Tecnologias Interativas. Ocupa também o cargo de Professor Titular do Centro Universitário Senac na área de design digital, coordenando o Programa de Iniciação Científica e o Grupo de Pesquisa em Tecnologia Aplicada. Coordenou e tem desenvolvido diversas pesquisas em tecnologias interativas, com ênfase na aplicação em educação, saúde e entretenimento. É bolsista de produtividade do CNPq e autor, dente outros trabalhos, do livro “Educação sem Distância" pela Editora Senac. Publica o blog "Educação sem Distância".

 

 

 

 

                               

 

 

 


   
           



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Segunda-feira, 19/10/2015

A Geração Z em Nossa Sala de Aula - Entrevista com Sônia Bertocchi

Tags: entrevista, professor, inovação, .

 

 

 

A educadora Sônia Bertocchi nos concedeu uma entrevista na qual nos fala de sua visão desta geração que lida com tanta facilidade com as novas tecnologias e que, ao mesmo tempo, necessita ainda de nossa mediação.

 

Leia essa entrevista, veja ideias de como usar infográficos, e nos conte o que achou de relevante. Vamos lá?

 

RIOEDUCA - Como usar a tecnologia digital em sala de aula?

SÔNIA BERTOCCHI - Se olharmos à nossa volta, constatamos que vários setores da sociedade incorporaram, já há algum tempo, as novas tecnologias da informação e comunicação ao seu dia-a-dia.

Alguns rápida e intensivamente, como o setor bancário, a indústria, o comércio, as clínicas médicas, o setor de entretenimento etc. Os setores que mais avançaram no uso de novas tecnologias foram buscar nelas formas de potencializar, de alguma forma, suas ações para obterem um melhor resultado.

Outros setores com menos rapidez. Entre eles, a área da educação. Penso que o motivo para se usar tecnologia em sala de aula deveria ser o mesmo que o dos outros setores. No nosso caso, o resultado esperado é a aprendizagem.

Assim, o professor deve buscar sempre conhecer recursos digitais, e identificar neles as funcionalidades que vão colaborar para uma aprendizagem mais eficiente e eficaz: recursos digitais que ofereçam possibilidade de comunicação, de interatividade, de socialização de saberes, espaços para debates, compartilhamento de ideias, busca de informações e personalização do ensino para que fomentem a prática de registros de processos.

A partir dessa identificação de recursos, aliada à intencionalidade pedagógica, o professor precisa se ancorar sempre em metodologias, fazer um bom planejamento de atividades, criar estratégias realistas.  

 

 

RIOEDUCA - O aluno da geração Z não consegue se concentrar em uma aula expositiva. Você teria outra sugestão para auxiliar esse professor?

SÔNIA BERTOCCHI - Acredito que o aluno, em tempo algum, tenha tido facilidade em se concentrar em uma aula expositiva. Sempre foi muito cansativo: o foco está no professor e o aluno funciona como agente passivo, um receptor apenas das informações.

Investir em atividades que privilegiem o diálogo, a interação é um caminho para se conseguir o engajamento, o envolvimento do aluno. Criar oportunidades em sala de aula para ouvir questionamentos, promover situações em que o aluno possa formular e expressar críticas, fomentar debates são também estratégias que colaboram para que o aluno se concentre mais nas atividades.
 

RIOEDUCA - Há uma ideia de que o computador vai resolver todos os problemas na escola. Você concorda com isso?

SÔNIA BERTOCCHI - Esta é uma ideia equivocada que se disseminou: escola que tem computadores tem educação de melhor qualidade. Não é verdade. Os problemas atuais da educação se resolvem, em sua maior parte, com bons projetos pedagógicos, boa formação dos professores, com boas metodologias, com a integração da escola e comunidade escolar.

Computadores, notebooks, netbooks, tablets e telefones celulares são apenas ferramentas que podem (ou não) funcionar como meio para se chegar a uma educação de melhor qualidade. Quem vai decidir sobre isso é sempre um professor bem formado. É ele que dará significado, sentido às funcionalidades da ferramenta. É dele que parte a intencionalidade pedagógica.

 

RIOEDUCA - No seu blog Lousa Digital, observamos vários infográficos. Como esses recursos podem ajudar no processo ensino-aprendizagem?

SÔNIA BERTOCCHIOs infográficos - quadros informativos que misturam texto e ilustração - servem para passar uma informação visualmente. Ou seja: mostram a informação, focam nos aspectos relevantes e têm um grande apelo visual porque abusam de imagens, cores, formas e movimentos.

Considerando que guardamos apenas 10% do que lemos, 20% do que escutamos, 30% do que vemos e 50% do que vemos e escutamos, usar infográficos como recurso didático faz todo sentido.

Sempre lembrando que, na internet, temos a possibilidade de inserir interatividade e outras mídias em um infográfico, como áudio e vídeo.

Veja o exemplo de infográfico interativo: As nossas cidades.

 

 

RIOEDUCA - Como você vê o uso de celulares em sala de aula?

SÔNIA BERTOCCHI - O celular é um grande aliado do professor em sala de aula. Muitos pensam exatamente o contrário. Vêem no celular um inimigo, um vilão. Há, inclusive, leis municipais e estaduais que propõem proibições para o uso do celular nas escolas. Nas redes de ensino onde isso já é praticado, justifica-se que só mesmo com a proibição legal garante-se a autoridade do professor que, dessa forma, amparado pela lei, pode se fazer respeitar durante suas aulas, proibindo o uso do celular. “Celular na escola, não!” ou, como dizem os não tão radicais, “celular durante a aula, não!”.

Mas, sempre pergunto: por que mesmo não pode?

Para responder a esta pergunta, sataniza-se o equipamento, o celular, e destaca-se o quanto os alunos, crianças e jovens,se envolvem com tudo o que a tecnologia de informação e comunicação possibilita, deixando assim de se interessarem pelas aulas dos seus professores. Então, nesse caso, a opção melhor é mesmo proibir, censurar, pois se trata de uma concorrência desleal, argumenta a maioria. 

No entanto, com esse tipo de censura, perde a educação e perde a sociedade. 

Não seria interessante transformar o vilão em mocinho? Colocá-lo a favor do professor em sala de aula? Afinal, com ele, o aluno pode pesquisar, pode fazer registros, gravar áudios, vídeos, escrever e enviar textos, se comunicar, enfim, pode realizar uma série de atividades que são pertinentes a atividades do processo ensino-aprendizagem. Mas isso exige que o professor faça um bom planejamento, que mostre esse planejamento aos alunos de forma que fique claro a eles que as atividades estão integradas a um contexto, a um projeto, a uma atividade.

Essas e outras opiniões sobre celular em sala de aula estão em um artigo que escrevi com meu amigo Claudemir Viana: Pelo celular... lá na escola.

 


 

 

Sônia Bertocchi é educadora, cofundadora e diretora pedagógica da Ideário Consultoria em Educação. Máster em Gestão e Produção de Ambientes Virtuais de Aprendizagem pela Universidade Carlos III de Madri.

 

 

 

 

 

                               

 

 

 


   
           



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