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Quinta-feira, 12/11/2015

O Ensino Híbrido em Sala de Aula

Tags: história, professor, inovação, ensinohibrido.

 

 

 

O professor Eric Rodrigues usa o Ensino Híbrido em sua prática, obtendo bons resultados. Claro que ele o adaptou à sua realidade! E, como toda boa ideia, podemos adaptar também à nossa. Leia o que Eric diz sobre suas aulas.

 

O professor José Valente define o ensino híbrido como “a abordagem pedagógica que combina atividades presenciais e atividades realizadas por meio das tecnologias digitais de informação e comunicação” (apud BACICH, TANZI NETO, TREVISANI, 2015, p.13). Do ponto de vista do professor, o que isso significa? Na prática, trata­-se de um método que permite a inserção da tecnologia de forma a alterar profundamente a experiência em sala de aula.

 

PORVIR/André Luiz Mello/ Photo News

PORVIR/ André Luiz Mello/ Photo News

 

Dentro do mesmo comentário, o professor Valente também afirma que “a estratégia consiste em colocar o foco do processo de aprendizagem no aluno e não mais na transmissão de informação que o professor tradicionalmente realiza” (Ibidem). Ou seja, o professor abre mão de parte de sua posição centralizadora tradicional através da tecnologia. E como isso ocorre na prática? 

Ao longo dos últimos 18 meses, desenvolvi aulas utilizando o método de Ensino Híbrido com turmas de 8o e 9o ano. A princípio, abrir mão do papel expositivo pareceu uma escolha difícil na composição de aulas de História. A natureza da disciplina demanda a construção de narrativas e explicações que parecem depender do discurso do professor para viabilizar a aprendizagem. A tecnologia, entretanto, pode ter um papel significativo nesse processo.

Os recursos digitais são valiosos aliados do professor/­historiador. Com a tecnologia é possível disponibilizar documentos, imagens, pinturas, textos e vídeos que auxiliam profundamente na composição do cenário e contexto de um período histórico. Longe de ser diminuído na função de autor de sua aula, o professor pode realizar uma importante seleção de conteúdos e recursos que afetam imensamente a maneira como seus alunos se relacionam com um tema e/ou conceito.


Paralelamente, ao abrir mão do papel de centralizador da exposição, o professor se disponibiliza para uma relação muito enriquecedora com os alunos. Não que o discurso e narrativa sejam abandonados (em minhas aulas, ainda conservo cerca de 10% a 20% do tempo para exposições), mas é possível ampliar os espaços para debates e diálogos, percebendo a forma como os alunos estão lidando com cada tópico apresentado, mediando e construindo pontes que facilitem a forma como eles se apropriam do que é estudado.

Longe de serem limitadores, a tecnologia e as práticas pedagógicas do Ensino Híbrido empoderam o professor. Os alunos possuem uma experiência mais rica de aprendizagem e o professor consegue, efetivamente, que seus estudantes adotem uma postura ativa e investigativa sobre o estudo da História.  

 

PORVIR/ André Luiz Mello/ Photo News

 


Referência:

VALENTE, José Armando. Prefácio. In: BACICH, Lilian; TANZI NETO, Adolfo; TREVISANI, Fernando de Mello (orgs.). Ensino híbrido: personalização e tecnologia na educação. Porto Alegre: Penso, 2015.  


Professor Eric Rodrigues

Licenciado e bacharel em História pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro e mestrando em Ensino de História pela Universidade Federal Fluminense.

Professor da rede pública do município do Rio de Janeiro/RJ e tutor do curso de Ensino Híbrido para a formação de professores. Participante do Grupo de Experimentações em Ensino Híbrido, parceria entre o Instituto Península e a Fundação Lemann e da Rede de Talentos da Educação da Fundação Lemann. 

PORVIR/ André Luiz Mello/ Photo News

 

 

                               

 

 

 


   
           



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Sexta-feira, 06/09/2013

Em cartaz: “ÓCULOS MÁGICOS”. Uma Animação Produzida por Alunos da Rede Pública

Tags: blogsderioeducadores, educopédia, mídias, especialistas, literatura, história.

O ônibus foi parando lentamente com os seus quarenta passageiros uniformizados. À direita, a Fundição Progresso, onde a exposição de longas e curtas metragens reunia animações nacionais e internacionais. Um festival. No coletivo, vozes ansiosas: “Chegamos?", "Podemos descer?”

 

Entre os passageiros estavam os autores, produtores e atores que, em 2012, produziram um curta de animação intitulado “Óculos Mágicos”¹. Eram alunos do 9º ano, da Escola Municipal Dunshee de Abranches.

 

Alunos do 9º Ano/2012 da EM Dunshee de Abranches com a Profª Maria José de Carvalho (História), no Festival Internacional de Animação (AnimaMundi), após a projeção do curta “Óculos Mágicos” em agosto de 2013.

Alunos do 9º ano da E. M. Dunshee de Abranches com a Profª  de História Maria José de Carvalho no Festival Internacional de Animação (AnimaMundi), após a projeção do curta “Óculos Mágicos”, em agosto de 2013.

 

O ponto de partida do projeto foi a leitura do livro “A Luneta Mágica em Quadrinhos”, da Editora Panda Books (2009). Este, por sua vez, interpreta a obra de Joaquim Manoel de Macedo, publicada no século XIX, em sua primeira edição. Então, foi reconstruída a narrativa com a inserção dos movimentos, que deram vida/alma (anima) às imagens. Um desenho animado!

 

Justificando essas escolhas, segundo Chartier (apud Rio de Janeiro, p.87)²: “ao construir diferentes percursos para ler os diferentes textos, o leitor torna-se também autor”, daí a utilização da linguagem HQ. Nela, os quadrinhos estão a serviço da imaginação e do movimento corporal (olhos e mãos) do leitor que “caminha” de uma cena a outra. Ela aproxima o estudante da linguagem literária na busca dos seus próprios percursos de leitura e de aprendizagem.

 

 


Ao ressaltar a importância dos vários modos de ver e uma certa miopia, física e moral, que dificulta o relacionamento humano, Macedo utilizou a luneta como objeto símbolo que, ora auxilia, ora prejudica a visão do bom senso. Evidencia-se aí, o tema transversal denominado pluralidade cultural.

 

Nesse uso convergente das mídias, a educação e a comunicação estão em diálogo permanente via novas tecnologias. Ainda que representem campos de conhecimento distintos, elas fundamentaram o caráter interdisciplinar da proposta, a serviço das disciplinas curriculares: História, Língua Portuguesa e Geografia.

 

Alunos do 9º Ano utilizando o software MUAN (Manipulador Universal de Animação).

 

A metodologia oferecida pelo Projeto Anima Escola³, em parceria com a SME/RJ, possibilitou o cronograma em etapas: Pesquisa; Roteiro; Storyboard; Confecção dos cenários e personagens; Filmagem; Edição.

 

Voltamos ao começo deste relato. A exposição em festivais internacionais ratificou o protagonismo dos alunos que, ao final, aplaudiram! Assim, o encantamento que o aprender animando exerce sobre os alunos atua como um terreno fértil na construção do conhecimento e no fortalecimento dos laços com o outro.

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1-Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=htWMyNN5lco.
2-CHARTIER, Roger. IN: RIO DE JANEIRO. A escola entre mídias. MultiRio, 2011.
3-Disponível em: http://www.animaescola.com.br/
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Maria José Carvalho é mestre em História pela UFF; pós-Graduada em EAD pelo SENAC/RJ. Foi docente de Didática e Prática de Ensino de História  na UFRJ e de História da Educação na UERJ, na UniverCidade e na Faculdade Cenecista. Atualmente é Professora de História na SME/RJ e Tutora da Pós-Graduação/EAD no CECIERJ/SEEDUC.

CV: http://lattes.cnpq.br/9801635356889135.
Última atualização/ publicação: 18/07/2013
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Cristiane Guntensperger Sousa

Contatos: cristiane.gun.sousa@gmail.com

Facebook: Cristiane Guntensperger

 

                               

 

 

 


   
           



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