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Terça-feira, 22/09/2015

Coaching na Educação (Parte 3)

Tags: coaching, professor, inovação.

 

 

Como o coaching pode colocar um pouco mais de graça na vida dos líderes educacionais? 

 

Coaching é um processo pedagógico de ensinar pessoas a pensar e a refletir para buscar o conhecimento no fundo de si mesmas.

Socrátes, há mais de 2.500 anos já fazia isso através da maiêutica.

 

O método socrático consistia em propor temas, instigar ideias com perguntas, ouvir os que os discípulos tinham a dizer, ensinar e aprender. Seu objetivo básico era desenvolver o raciocínio lógico das pessoas que o rodeavam, e assim tem sido com o coaching na educação, que possibilita a mudança de comportamentos e atitudes de onde uma pessoa está para onde ela quer chegar, de quem ela é para quem ela quer ser.

 

 

No texto anterior foram apresentadas numa pequena introdução “As Cinco Disciplinas” de Peter Senge, realçando as capacidades que as organizações e comunidades aprendentes – ESCOLAS - exigem, além de oferecerem o mapa da mina para que o líder educacional possa reinventar-se continuamente, e mobilizar pessoas para fazer coisas extraordinárias, além de usar coaching como um relacionamento possível em qualquer tempo e em qualquer lugar. 

A liderança dos Gestores e Coordenadores Pedagógicos, não diz respeito à personalidade, mas ao comportamento. Nesse sentido, atente para cinco práticas de liderança exemplar que você deve lembrar, além das dicas para desenvolver seu repertório de técnicas.

 

 

O livro Coaching Educacional: ideias e estratégias para professores, pais e gestores que querem aumentar seu poder de persuasão e conhecimento relata que, “Segundo Senger, Buckminster Fuller dizia 'que se você quer ensinar uma nova forma de pensar às pessoas, não tente discursar para elas ou instruí-las'. Simplesmente forneça-lhes uma ferramenta que as leve a aspirar, apoiando-os a se movimentarem aos seus objetivos, pensando de forma diferente a que está habituado para gerar mudanças.”

Como saber o que, quando e como usar? 

 

 

No próximo texto, continuarei propondo o “caminhar por outras ruas possíveis” através do coaching na educação, e suas ferramentas. Vem comigo!

 


Para saber mais:

SANTOS, Graça. Coaching Educacional: Ideias e estratégias para professores, pais e gestores que querem aumentar seu poder de persuasão e conhecimento. Editora Leader, São Paulo, 2012.
SANTOS, Graça. Coaching na Educação: Contexto, Aplicação e Possibilidades. Revista Digital Coaching Brasil, São Paulo, 2014.

SCHÖN, D. Educando o profissional reflexivo. Um novo design para o ensino e a aprendizagem. Porto Alegre: Artmed, 2000.
LAGES, Andreia. O’ CONNOR, Joseph. O que é Coaching. Comunidade Internacional de Coaching. Editora All Print, São Paulo, 2006.
CATALÃO, João Aberto. PENIN, Ana Tereza. Ferramentas de Coaching. Editora Lidel. São Paulo, 2012.
PERRENOUD, Philippe. 10 Novas Competências para Ensinar, Artmed, 2000. 
____________, Philippe. As competências para ensinar no século XXI: a formação dos professores e o desafio da avaliação. Porto Alegre: Artmed, 2002.
SENGE, Peter M. et al. A quinta disciplina – caderno de campo: estratégias para construir uma organização que aprende. Rio de Janeiro: Qualitymark, 1994.


 

Graça Santos - Pernambucana, professora da rede pública do Rio de Janeiro, pedagoga, orientadora educacional e escritora. Possui MBA em Gestão Estratégica e MBA em Formação Holística na Abordagem Transdisciplinar do Desenvolvimento Humano.

Escritora nas editoras Leader/SP e SER MAIS/SP, palestrante e coach formada pela Abracoaching. Facilitadora do Portifólio Nacional Editora FTD. Autora do livro “Coaching Educacional: Ideias e estratégias para professores, pais e gestores que querem aumentar seu poder de persuasão e conhecimento”. Coautora do livro PNL & Coaching, sendo autora do capítulo 11, intitulado “Como funciona seu GPS interno?”. Tem como missão inspirar pessoas que querem sair do estado atual para o estado desejado por meio de vivências que conduzam ao realinhamento cultural das crenças, valores, hábitos e atitudes com foco na excelência dos resultados e na ecologia pessoal.
 

 

 

 

                               

 

 

 


   
           



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Terça-feira, 18/08/2015

Coaching na Educação (Parte 2)

Tags: inovação, professor, coaching.

 

 

Como o coaching pode colocar um pouco mais de graça na vida dos líderes educacionais? 

 

Coaching é um relacionamento que produz novas competências

 

 


No primeiro artigo apresentado, foi feito um convite para juntos cocriarmos outras possibilidades para andar por outras “ruas”. Pois bem, sabedores  que sofremos de todas as pressões organizacionais, como líderes educacionais, continuamos com o desafio de mudar a cabeça das pessoas, tornando-as mais eficientes e eficazes e mais criativas.

Qual seria a solução química capaz de alavancar o desempenho individual? Qual seria a poção mágica que une, no sentido de aglutinar pessoas? Como trabalhar em conjunto, aumentando os relacionamentos sociais, agregando valor às pessoas?

O coaching surge como um padrão de relacionamento capaz de apontar caminhos a fim de aumentar a paixão e o sentido de continuar atuando. Até dezembro, algumas pistas serão oferecidas através de seis textos, objetivando empoderar a sua comunicação e relacionamento com as pessoas, potencializando sua liderança.


Para enfrentar este mundo em constante mudança, os líderes educacionais precisam desenvolver a capacidade de migrar e mudar, de criar e alavancar novas habilidades e atitudes. O líder que aprende é o que desenvolve a capacidade contínua de adaptação e mudança.

Como fazer isso?

Esse processo requer uma mudança comportamental e o desenvolvimento gradativo de competências individuais ao longo do tempo. Dessa forma, os líderes educacionais do futuro serão aqueles que descobrirem como fazer com que as pessoas se comprometam e queiram aprender. Com esse intuito, é necessário que se derrubem as barreiras que nos impedem de aprender, pois o que distinguirá as pessoas que aprendem daquelas que pararam no tempo é o domínio de determinadas disciplinas básicas.

No próximo texto, continuarei propondo o “caminhar por outras ruas” através do coaching na educação e suas ferramentas. Vem comigo?
 



Para saber mais:

SANTOS, Graça. Coaching Educacional: Ideias e estratégias para professores, pais e gestores que querem aumentar seu poder de persuasão e conhecimento. Editora Leader, São Paulo, 2012.

SANTOS, Graça. Coaching na Educação: Contexto, Aplicação e Possibilidades. Revista Digital Coaching Brasil, São Paulo, 2014.


SCHÖN, D. Educando o profissional reflexivo. Um novo design para o ensino e a aprendizagem. Porto Alegre: Artmed, 2000.

LAGES, Andreia; O’ CONNOR, Joseph. O que é Coaching. Comunidade Internacional de Coaching. Editora All Print, São Paulo, 2006.

CATALÃO, João Aberto; PENIN, Ana Tereza. Ferramentas de Coaching. Editora Lidel. São Paulo, 2012.

PERRENOUD, Philippe. 10 Novas Competências para Ensinar, Artmed, 2000.


 

Graça Santos

Pernambucana, professora da rede pública do Rio de Janeiro, pedagoga, orientadora educacional e escritora. Possui MBA em Gestão Estratégica e MBA em Formação Holística na Abordagem Transdisciplinar do Desenvolvimento Humano.

Escritora nas editoras Leader/SP e SER MAIS/SP, palestrante e coach formada pela Abracoaching. Facilitadora do Portifólio Nacional Editora FTD. Autora do livro “Coaching Educacional: Ideias e estratégias para professores, pais e gestores que querem aumentar seu poder de persuasão e conhecimento”. Coautora do livro PNL & Coaching, sendo autora do capítulo 11, intitulado “Como funciona seu GPS interno?”. Tem como missão inspirar pessoas que querem sair do estado atual para o estado desejado por meio de vivências que conduzam ao realinhamento cultural das crenças, valores, hábitos e atitudes com foco na excelência dos resultados e na ecologia pessoal.

 



 

 

                               

 

 

 


   
           



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Segunda-feira, 03/08/2015

Qual é o Futuro da Escola? Ou Qual é a Escola do Futuro? Com José Moran

Tags: professor, inovação, entrevista.

 

 

 

Rioeduca: Quais as tendências para a educação a curto e a longo prazo?


Moran: A curto prazo, os gestores e professores mais inquietos realizam mudanças progressivas nos seus métodos de ensino- mais ativos e menos transmissivos – envolvem mais os alunos, procuram conhece-los melhor, propõem atividades mais variadas, equilibram os roteiros mais individuais com os projetos mais em grupo, diminuindo o número de disciplinas e integram melhor as áreas de conhecimento através de projetos, desafios, jogos com apoio de tecnologias digitais. Os alunos produzem mais (aprendem fazendo e refletindo), compartilham mais (em classe e nas redes) e publicam mais (são mais autores, protagonistas). Infelizmente, a curto prazo, os sistemas educacionais no Brasil continuarão falando de mudanças estruturais e realizarão alguns avanços significativos, mas, no conjunto, serão parciais, insuficientes diante das necessidades reais.

No médio prazo, muitas mais escolas públicas e privadas desenvolverão modelos pedagógicos mais integrados, sem disciplinas ou com um mínimo de disciplinas. Organizarão o projeto pedagógico a partir de valores, competências amplas, problemas, projetos, equilibrando a aprendizagem individualizada com a colaborativa; redesenhando os espaços físicos e combinando-os com os virtuais com apoio de tecnologias digitais. As atividades serão muito mais diversificadas, com metodologias ativas, que combinem o melhor do percurso para cada aluno com a participação em diversos grupos internos e externos, presenciais e online. As tecnologias móveis e em rede permitem conectar todos os espaços e elaborar políticas diferenciadas de organização de processos de ensino e aprendizagem adaptados à cada situação, aos que são mais proativos e aos mais passivos; aos muito rápidos e aos mais lentos; aos que precisam de muita tutoria e acompanhamento e aos que sabem aprender sozinhos.

Conviveremos nos próximos anos com modelos ativos não disciplinares e disciplinares com graus diferentes de “misturas”, de flexibilização, de hibridização e de avanços reais.

 

Rioeduca: Em 2014, Horizon Report produziu um relatório sinalizando um cenário educacional com o uso dos dispositivos móveis. Qual seria a reflexão que devemos ter no uso do celular em ambiente escolar?


Moran: O celular é nosso meio mais utilizado para tudo no cotidiano: falamos, escrevemos, compartilhamos, pesquisamos o tempo todo. Em média o utilizamos mais de cinquenta vezes ao dia. Não podemos simplesmente proibi-lo. Ele pode ser um aliado importante para que alunos e professores pesquisem, contem histórias, compartilhem descobertas. Há atividades em que o celular deve ser silenciado, porque pode distrair, atrapalhar determinadas atividades. O equilíbrio e bom senso são fundamentais: nem proibir nem liberar “geral”. Se o celular é importante na vida, também tem que ser importante na aprendizagem. As escolas mais atentas desenvolvem atividades interessantes em que o seu uso faça sentido: gincanas, projetos, produção de vídeos, desafios, jogos dentro de projetos socialmente relevantes. Mas é difícil para a maior parte de professores e gestores sair da zona de conforto dos métodos convencionais de ensinar e adquirir o domínio pedagógico necessário para que a aprendizagem efetivamente aconteça. Os alunos também precisam ser educados para estas novas possibilidades e a ter limites.


Rioeduca:  As aulas expositivas ainda atraem o interesse dos alunos atualmente?


Moran: Aprendemos muito mais praticando e refletindo do que só explicando. O básico o aluno estuda antes ou no seu ritmo. As atividades de grupo e de aprofundamento podem ser feitas depois para ir além do que conseguimos isoladamente. As aulas expositivas podem ser úteis, de vez em quando: curtas, bem preparadas e dialogadas (com questões, contribuições também dos alunos). Hoje fazem mais sentido só para iniciar uma nova etapa do conhecimento (motivação, cenário, possibilidades) e para a sua finalização (síntese da caminhada e resultados). No meio, o professor orienta as atividades e roteiros individuais de aprendizagem, as de grupo e as coletivas, onde ele é mais orientador. Infelizmente a maior parte dos professores e sistemas de ensino continuam mais focados na transmissão pronta de pequenas sínteses do que em engajar os alunos na busca dos seus próprios caminhos para, através de métodos mais ativos, conseguir chegar a suas próprias sínteses.

 

Rioeduca: Como o professor pode sair do modelo convencional de aula e experimentar pequenas inovações no seu cotidiano?

Moran: Quando há um clima de apoio e incentivo à mudança por parte da direção e coordenações é muito mais fácil sair da zona de conforto e atrever-se a fazer pequenas mudanças. Um gestor aberto procura os professores mais dispostos a praticas modelos mais ativos. Em todas as escolas há professores interessantes. É importante reuni-los, estimulá-los, diminuir o medo de errar, incentivá-los a que desenvolvam projetos integradores, socialmente relevantes e que tenham impacto na vida dos alunos e da comunidade. Também é importante mostrar o exemplo de outros professores que já tem experiências metodológicas com bons resultados. O compartilhamento das melhores práticas ajuda muito a que muitos se atrevam a fazer mudanças. Infelizmente uma parte não quer o consegue mudar. O foco principal deve ser ter bons gestores que apoiam a grupos de professores proativos, estimulando a todos a fazer avanços contínuos, a compartilhar os resultados, neutralizando os focos de resistência e passividade. Nenhuma mudança é feita de fora simples e fácil. Hoje não temos mais desculpas para não mudar. O modelo convencional não atende às necessidades de uma sociedade tão complexa e dinâmica como a que vivemos.

 

Rioeduca: Quais os desafios de implementar o ensino híbrido no ensino básico do Brasil?


Moran: O primeiro desafio é conhecer bem o que é ensino híbrido e todas as possibilidades para que não vire só uma moda ou um modelo fechado. Deixo como sugestão começar com dois textos meus: Aprender e ensinar com foco em metodologias ativas e Mudando a educação com metodologias ativas. Recomendo o curso Ensino Híbrido: Personalização e Tecnologia na Educação, que pode ser feito livremente. O desafio depois é sair da zona de conforto e fazer as experiências possíveis em cada escola, em cada situação concreta. O medo de que estas inovações deem errado imobiliza muitos professores. Vale a pena experimentar o ensino híbrido aos poucos, aprendendo com atividades simples e evoluindo para o desenvolvimento de atividades mais complexas. É o melhor caminho. Só não podemos permanecer na inércia e no convencional. A realização de ensinar com metodologias ativas é grande e aumenta ao perceber que obtemos melhores resultados

 

 


 


José Manuel Moran

O professor Moran é Doutor em Comunicação pela Universidade de São Paulo, professor de Novas Tecnologias na USP (aposentado) e um dos fundadores da Escola do Futuro. Coordena um grupo de pesquisa sobre Formação Inovadora de Professores no Instituto Singularidades de São Paulo.

É autor dos livros A educação que desejamos: novos desafios e como chegar lá (Papirus) e coautor de Novas Tecnologias e Mediação Pedagógica (Papirus) e Educação a Distância: Pontos e Contrapontos (Summus).

Mantém o blog Educação Humanista Inovadora.
 

 

 

 

 

 

 

                               

 

 

 


   
           



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Terça-feira, 14/07/2015

Programar na Educação - Entrevista com Adriano Canabarro Teixeira

Tags: programação, inovação, professor.

 

 

 

Rioeduca: Qual é a importância dos alunos do ensino fundamental aprenderem a programar?

 

Adriano Canabarro Teixeira - Na sociedade contemporânea, programar não é importante somente para alunos do ensino fundamental, mas para qualquer pessoa. Parece-me que desenvolver habilidades de programação, já no ensino fundamental, cria situações que podem contribuir decisivamente ao potencial das crianças de construir conhecimento quando, onde e se precisarem. Programar computadores está centrado no desenvolvimento de habilidades cognitivas e não na memorização de conteúdos. Tal direcionamento é fundamental em uma sociedade onde ter acesso a conteúdos não é mais prerrogativa do ambiente escolar, afinal 97% da terra está digitalizada. Esse é o resultado de um estudo realizado em 2011 por um pesquisador norte-americano disponível na revista Science. Destes 97%, 80% está disponível na Internet. Umberto Eco, filósofo italiano, aponta que a sociedade do futuro será composta por três castas: a primeira, mais numerosa, e, na base da pirâmide, será formada pelas pessoas que percebem o mundo pelos meios de comunicação de massa.

O segundo grupo intermediário nessa fôrma piramidal será composto pelas pessoas que utilizam computadores. Ou seja, utilizam e-mail, possuem contas em redes sociais etc. Por fim, a elite intelectual da sociedade do futuro será composta por pessoas que saibam programar computadores, sentencia Eco. Além do mais, caso não aumentemos drasticamente o número de pessoas capazes de programar computadores, teremos um colapso global em pouco tempo, uma vez que, com o advento da computação das coisas, tudo será programável! Por isso, do 5 aos 100, vamos programar computadores!

 

Rioeduca: Quais as competências que pode ser desenvolvidas com a programação?
 

Adriano Canabarro Teixeira - Programar computadores nos ajuda a desenvolver competências de resolução de problemas; estímulo à criatividade; desenvolvimento de pensamento procedimental; capacidade de trabalho em grupo; possibilidade de testagem de hipóteses, e identificação de erros. Ou seja, competências cognitivas fundamentais para um mundo de abundância.

 

Rioeduca: Como aproximar a programação da educação?
 

Adriano Canabarro Teixeira - Além da utilização da programação em atividades curriculares junto ao laboratório de informática, a participação em olimpíadas ou projetos extracurriculares tem se mostrado como uma alternativa poderosa de aproximação entre a programação e a educação. Na Universidade de Passo Fundo, realizamos, ha dois anos, a Olímpia de programação de computadores para alunos do ensino fundamental. Existem outras iniciativas no país que criam situações nas quais equipes formadas no interior das escolas podem, a partir de uma preparação prévia, participar de campeonatos e atividades. De qualquer forma, acreditamos que a programação de computadores seja uma alternativa viável para a redefinição da importância da informática em processos educativos. Gradativamente, os computadores deixam de ter ares de novidade para os estudantes, e passam a ser criadores de rotas de fuga das propostas feitas pelos professores que, a bem da verdade, embora bem intencionadas, não desafiam e não abrem espaço para a criatividade dos estudantes.

 

 

Rioeduca: Como tem observado o debate sobre a idade mínima para uma criança iniciar na programação?
 

Adriano Canabarro Teixeira - Existe idade mínima para começar a falar? E para começar a andar? 

 

Rioeduca:  A figura do Hacker está associada aos crimes digitais. Qual seria a proposta da Escola de Hackers para educação?
 

Adriano Canabarro Teixeira - Na verdade, esse é um desserviço que o cinema norte-americano presta para a cultura contemporânea. O criminoso digital é denominado "cracker" e não "hacker". O hacker é caracterizado pelo desejo de conhecer mais, pela criatividade, pela competência técnica e pelo comprometimento com a melhoria da sociedade. Na cultura hacker, aquele que sabe mais ensina a quem sabe menos. Na cultura hacker, aquele que mais colabora é o mais importante. É a cultura em que vale muito mais aquilo que eu sei do que aquilo que os outros querem que eu saiba. A cultura hacker é a cultura da criatividade, da colaboração, do compartilhamento e da aprendizagem. Ou seja, deveria ser a cultura da Escola e da Universidade. O projeto Escola de Hackers quer criar alternativas de apropriação dos Laboratórios de Informática nas escolas Municipais de Passo Fundo, bem como desenvolver competências de programação de computadores nas crianças atendidas. Em 2014, foram 370 e, neste ano, 378. Como desdobramento, temos um grupo denominado Berçário de Hackers formado por crianças de 5 e 6 anos que estão tendo noções básicas de programação. A Escola de Hackers Avançada, com os 15 melhores do ano que passou, explora a robótica.

 

Rioeduca: Qual seria a dica para um professor começar a usar a programação em sua sala de aula?
 

Adriano Canabarro Teixeira - Parece-me que a melhor dica é criar espaços de liberdade para a exploração dos recursos de programação por parte dos alunos. De qualquer forma, posso sugerir algumas possibilidades didáticas de utilização e de apropriação da programação em um ambiente formal de ensino, embora o ato de programar tenha claras incompatibilidades com o que fazemos na Escola. A solicitação de entrega de trabalhos no formato de um programa de computador e não de texto digitado; a criação de feiras internas de inovação e criatividade, nas quais os alunos devem criar programas de computador que auxiliem na solução de situações reais da escola e das pessoas; momentos livres de programação de computadores, em que os alunos mais velhos criam programas educativos para os alunos mais novos da escola; a utilização do laboratório de informática como Hacklab e não como uma sala de aula, onde os alunos vão para programar e não para outra atividade. Vejam que, para isso, o professor não precisa necessariamente dominar a técnica de programação, basta abrir espaço para o que os estudantes possam explorar as diversas possibilidades que existem na rede. Dentre essas possibilidades destaco o Scratch e o Code academy.

 

Quem vai ensinar? Ninguém, eles não precisam! 

 


Adriano Canabarro Teixeira concluiu o doutorado em Informática na Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) em 2005, período no qual realizou estágio de doutorado na Universidade de Roma Três - Itália. É pós-doutor em Educação pela UFRGS com apoio do CNPq. Atualmente é professor no Programa de Pós-Graduação em Educação - Mestrado e Doutorado - e no Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências e Matemática - Mestrado - ambos da Universidade de Passo Fundo. Atua como professor colaborador no Doutorado em Educação da UFRGS e como pesquisador colaborador no Dpto de Ciência da Formação da Universidade de Roma Três. É pesquisador e líder do grupo de estudo e pesquisa em Inclusão Digital, responsável pelo projeto de extensão Mutirão pela Inclusão Digital e colaborador no projeto Mundo da Leitura. Atualmente é Bolsista de Extensão no País MCT/CNPq-Nível A. É o idealizador dos Seminários Nacionais de Inclusão Digital e coordenador das três primeiras edições.

 

 

 

                               

 

 

 


   
           



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