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Quarta-feira, 10/02/2016

Tendências Educacionais para 2016

Tags: professor, inovação, tendências.

 

 

 

 

 

Falar de futuro, por mais que evidências sejam visíveis, é sempre uma tentativa de adivinhação, de ler a “bola de cristal”. Pior ainda quando não falamos do futuro de maneira geral: quais serão as tendências para 2016?

 

 

 

Ainda bem que falamos de “tendências”: falamos de propensão, de inclinação, de grande possibilidade. Mas não temos certeza, nunca teremos. A ideia é desenvolver uma pequena análise do que aconteceu em passado recente, do que está acontecendo hoje e assim, imaginar o caminho que se seguirá.

Não vou discorrer aqui sobre a necessidade de discutirmos qual deve ser a escola, hoje. Muito tem se falado sobre a escola da era industrial X a escola da era da informação, sobre o aluno do século passado e o aluno de hoje, sobre a sociedade atual e as rápidas mudanças que acontecem hoje em dia. Parto das seguintes constatações:

- a escola não é mais a principal fonte de informação;
- cada vez mais o mercado de trabalho exige atualização constante;
- a tecnologia da informação e comunicação (TIC) veio para ficar.

Portanto, a escola deveria ser outra. Deveria... Acontece que, em muitos casos, usando giz ou usando tablet, os paradigmas continuam os mesmos, os atores e os papéis na educação não foram alterados! Se a escola continua a mesma, de pouco adiantam os novos instrumentos. A tecnologia tem que ser mais que um verniz aplicado a velhas práticas!

Para tanto, faz-se urgente algumas transformações em nosso agir como escola:

1. Reformular o currículo, a avaliação e a pedagogia;
2. A metodologia deve ter o aluno como centro, como protagonista;
3. Redefinir o papel do educador e do aluno no processo de aprendizagem;
4. Criar espaços educativos como ambiente de ampla proposta e de relações.

Para que estas transformações sejam possíveis, é preciso parar com as desculpas (reais) e partir para soluções. Os Professores não foram preparados para usar de fato as novas tecnologias. Isso é verdadeiro. No entanto, isso não pode der uma desculpa. Podemos aprender e, com um pouco de planejamento, tiraremos proveito das TICs nas aulas.

Diante desta visão e desta realidade, podemos afirmar que a tendência para 2016 será caminhar mais na trilha que foi seguida em 2015, que deverá ser seguida em 2017, 2018, ... Não haverá senão a continuidade de um processo. Processo que, queiramos ou não, já teve início.

Alguns tópicos (sem pretensão de esgotar o assunto):

Ensino Personalizado: trata-se de um desejo antigo, cuja possibilidade de execução era complicada. As TICs estão permitindo que o ensino seja desenvolvido para cada aluno, de acordo com sua história, seu progresso, sua possibilidade.

Aprendizado Informal: ou independente da escola. Cada vez mais o aprendizado acontece nas redes sociais, na internet e em outros meios. Tem seus aspectos preocupantes (quanta besteira poderão aprender!), mas tem várias facetas positivas. Ambientes colaborativos, cursos informais, e muitas novidades que ainda estão por vir. Neste sentido, o papel do professor muda, tornando-se ainda mais importante: não mais “dados de conteúdos”, mas orientador, facilitador da aprendizagem.

Realidade Virtual: Em 2016, ao menos no Brasil, ainda será incipiente. Mas a evolução tende a ser rápida! Através de óculos especiais, ou outros instrumentos, os alunos não precisarão ater- se a fotos de obras de arte: visitarão os museus de todo o mundo, ainda que fisicamente dentro de sala de aula. É apenas um exemplo.

Gamificação: tem a proposta de tornar aprendizado mais atrativo. Mas não significa jogar toda a aula. Trata-se de trazer elementos dos jogos, como desafios e rankings. E neste particular, permito-me uma observação: não se trata de fazer da educação unicamente momentos agradáveis. Deverá haver momentos de esforço e de responsabilidade. Mas sempre com objetivos claros para todos.

Ensino Híbrido: ou Blended Learning. Trabalhar em sala de aula momentos presenciais e off- line com momentos conectados, online.

Sala de Aula Invertida: ou Flipped Class. Trabalhar de forma “invertida” à aula tradicional. Assim, primeiramente os alunos fazem a “lição de casa” para depois discutir o assunto na aula. Com orientação do professor, primeiramente eles buscam o conteúdo na internet. Depois, em sala de aula, trocam informações, socializam, confirmam hipóteses, aprofundam os conhecimentos ... Aprendem!

Múltiplos dispositivos: ainda temos alguma dificuldade em trabalhar com computadores. Pois em breve teremos smartphones, relógios, pulseiras, TVs e muitos outros aparelhos, todos eles conectados, todos fornecendo informações, todos ensinando...

Nuvem: ou como ter todos os arquivos e programas essenciais disponíveis a qualquer hora e em qualquer dispositivo. Eles não estão mais guardados em nosso computador, mas via internet em grandes servidores, específicos para esse fim.

Disponibilidade: tudo está disponível 24 horas por dia, 7 dias por semana. Por que aprender somente no horário de aulas?

Como disse acima, são alguns tópicos. Muitos outros podem ser elencados e discutidos. O importante é perceber que a escola de hoje deve ser diferente da escola em que eu estudei. Porque o mundo mudou.

 

Bom ano!

 


 

Links para ampliar a discussão:

5 tendências de tecnologia para a educação

Professores não recebem capacitação para o uso pedagógico da internet

Tecnologia é mais que um verniz na educação

30 dicas para ensinar com ajuda das redes sociais

Quando jogo e educação se misturam: entenda a gamificação

Periscope: Connecting Classrooms to the World

Exame internacional desfaz 7 mitos sobre eficiência da educação

Como usar o Periscope
 


 

 


Prof. Roberto Prado, com formação em Língua e Literatura Francesas, trabalhou como professor uns poucos anos. Enveredou-se na gestão escolar, e não saiu mais de lá! Diretor de várias escolas, de redes, de associações e de sindicato de escolas, sempre atuando na gestão da educação básica.

Atualmente é consultor, além de manter um programa semanal em web rádio, “Focando Educação” – rvpprado@gmail.com.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

                               

 

 

 


   
           



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Quinta-feira, 03/12/2015

Fab Labs - Novo Conceito de Laboratórios Abertos

Tags: inovação, professores, tecnologias.

 

 

 

 

 

Conheça o Fab Lab, uma maneira de dinamizar o uso de novas tecnologias. A Heloisa conta sobre esse tipo de trabalho.

 

 

 

RIOEDUCA: Qual é a principal proposta dos Fab Labs? Como começou?

HELOISA NEVES: Um Fab Lab (abreviação do termo em inglês fabrication laboratory) é uma plataforma de prototipagem rápida de objetos físicos e está inserido em uma rede mundial de três centenas de laboratórios: dos Estados Unidos ao Afeganistão, da Noruega à Gana, de Costa Rica à Holanda.

Ele se destina aos empreendedores que querem passar mais rapidamente da fase do conceito ao protótipo; aos designers, aos artistas e aos estudantes que desejam experimentar e enriquecer seus conhecimentos práticos em eletrônica, em CAD/CAM1, e também aos makers2 e hackers3 do século XXI.

Um Fab Lab agrupa um conjunto de máquinas por comando numérico de nível profissional, porém de baixo custo, seguindo um padrão tipológico. São exemplos: uma máquina de corte a laser capaz de produzir estruturas 2D e 3D, uma máquina de corte de vinil que fabrica antenas e circuitos flexíveis, uma fresadora de alta resolução para fabricar circuitos impressos e moldes, uma outra maior para criar peças grandes. Há também componentes eletrônicos múltiplos, bem como ferramentas de programação associadas a micro controladores abertos, de baixo custo e eficientes. Estes dispositivos são controlados por meio de um software comum de concepção e fabricação assistida por computador. Os outros sistemas mais avançados, tais como as impressoras 3D, podem igualmente equipar certos Fab Labs.

Apesar das máquinas de comando numérico serem uma grande atração nos Fab Labs, a característica principal desse laboratório é sua “abertura”. Contrariamente aos laboratórios tradicionais de prototipagem rápida que podem ser encontradas em empresas, em centros especializados dedicados aos profissionais ou universidades, os Fab Labs são abertos a todos, sem distinção de prática, diploma, projeto ou uso. Eles se inscrevem no movimento do “terceiro lugar”4 e nos mecanismos de trabalho colaborativo da internet e, em particular, da web 2.0. Os mecanismos de troca, de peer-to-peer5, de colaboração, de cooperação, de interdisciplinaridade, de compartilhamento, de aprendizagem através da prática, do “do it yourself6, de práticas inovadoras ascendentes e comunitárias são favorecidas e encorajadas. Tal abertura, chave do sucesso e da popularidade dos Fab Labs, facilita os encontros, o acaso e o desenvolvimento de métodos inovadores para o cruzamento de competências. Esses espaços abertos a todos e acessível (tarifas baixas ou, mesmo, o acesso livre) favorece a redução de barreiras à inovação e à constituição de um terreno fértil à inovação.

O primeiro Fab Lab surgiu no Massachusetts Institute of Technology (MIT)7, mais especificamente no laboratório interdisciplinar chamado Center for Bits and Atoms (CBA)8 fundado em 2001 pela National Science Foundation (NSF)9. Esse ambicioso centro de pesquisa tem como objetivo o interesse pela revolução digital e, em particular, pela fabricação digital, cujas evoluções poderiam, eventualmente, produzir ferramentas capazes de unir a matéria ao nível atômico. Os Fab Labs10 são para o CBA o componente educacional de sensibilização à fabricação digital e pessoal, democratizando a concepção das tecnologias e das técnicas e não somente o consumo.

O primeiro Fab Lab foi implantado no CBA sob a liderança de Neil Gershenfeld11, professor e diretor do CBA, vinculado ao célebre MIT Media Lab. Seus campos de pesquisa são bastante interdisciplinares, da física à computação quântica, da nanotecnologia à fabricação pessoal. Durante seu discurso na conferencia TED 200612, Gershenfeld retorna à gênese dos Fab Labs: “a fim de trabalhar questões de fabricação digital, o CBA obteve um financiamento importante para compra de máquinas capazes de fabricar qualquer coisa em qualquer escala. Eu passei muito tempo ensinando aos estudantes como usar as ferramentas. Para facilitar esse processo, criei um curso intitulado “How to Make Almost Anything” (tradução: "como fazer quase qualquer coisa"). Estudantes de todos os cursos apareceram. Eles não possuíam necessariamente as habilidades técnicas, mas todos eles produziram resultados incríveis, surpreendentes. E eu percebi que o “killer product” (aquele que desencadeia o surgimento de um mercado) da fabricação pessoal é o produto que trata de um mercado de uma pessoa. Não há necessidade de proceder a tais dispositivos para fabricar um produto que encontramos na grande distribuição, mas eles são úteis para fabricar o que é único. Os estudantes, portanto, inverteram as máquinas para inventar a fabricação pessoal (...).”

Nesse contexto e, além do espaço da universidade, os Fab Labs foram criados seguindo um modelo que provém da internet, mais especificamente da web colaborativa 2.0, que auxiliou na democratização das ferramentas de compartilhamento, de edição, criação e deu a permissão ao usuário de se transformar em “ator” do processo.13

 

Neste sentido, os Fab Labs devem responder a algumas questões:

  • Ser vetor de empoderamento, de implementação de capacidade, ser um organismo ativo;
     
  • Voltar à aprendizagem da prática da tecnologia (o fazer) na criação de protótipos, permitindo espaço para o erro de forma incremental, e no privilégio das abordagens colaborativas e transdisciplinares;
     
  • Responder aos problemas e questões locais, em particular nos países em desenvolvimento, apoiando-se na rede internacional;
     
  • Valorizar e pôr em prática a inovação ascendente;
     
  • Ajudar a incubar empresas para facilitação de processos.
     


O conceito de Fab Lab foi criado inicialmente pelo CBA-MIT e financiado em parte pela NSF emancipou e desenvolveu-se internacionalmente, independente do seu criador. De acordo com Gershenfeld, o número de laboratórios dobra todos os anos.14 Hoje, a página web oficial da rede Fab Lab conta com aproximadamente 600 laboratórios (em operação e/ou planejamento).  

 

Mapa da rede mundial de Fab Lab.

 

A dimensão “rede” está inscrita na essência do Fab Lab por diversos motivos.


Primeiramente, os Fab Labs seguem a internet e, como tal, são formidáveis plataformas de inovação colaborativa. Em segundo lugar, facilitam sobremaneira a abertura, a conexão entre pessoas e organizações, as trocas e os cruzamentos entre os membros que o utilizam.

Além disso, o kit padrão de máquinas por comando numérico comum aos diferentes Fab Labs permite replicar processos desenvolvidos em qualquer laboratório, independentemente de sua localização. Essa singularidade tecnológica permite e facilita o compartilhamento do conhecimento e do saber. Vale ressaltar que essas trocas não são dirigidas unicamente sobre um eixo global norte-sul, apresentando múltiplos vetores horizontais. A rede desenvolveu uma comunidade mundial alimentada pelas especificidades culturais, técnicas, econômicas e sociais. A criação de um projeto colaborativo se dá em função de competências locais disponíveis, sendo que todos os interessados participam na realização de alguma tarefa. Uma vez prototipado o objeto e testados os processos, o projeto pode facilmente ser replicado pelos outros Fab Labs da rede.


Para atuar em rede, os Fab Labs compartilham os mesmos princípios e processos. Mais do que um espaço com máquinas, são laboratórios feitos por pessoas, abertos à experimentação e troca de ideias.


ABERTURA: Primeiro ponto e o mais importante: a abertura do Fab Lab ao público é essencial. Um Fab Lab tem como objetivo democratizar o acesso às ferramentas e máquinas para permitir a invenção e as expressões pessoais. O Fab Lab deve ser aberto ao público, gratuitamente ou em troca de serviços (auxílio nas rotinas diárias, formação, palestras, workshops, etc) ao menos uma vez por semana.


CARTA DE PRINCÍPIOS: Os Fab Labs seguem a Fab Charter, uma carta de princípios que deve ser afixada no espaço de cada Fab Lab e em seus respectivos sites.


MÁQUINAS E PROCESSOS: Os Fab Labs devem compartilhar ferramentas e processos comuns. Ser apenas um laboratório de prototipagem ou simplesmente possuir uma impressora 3D não é o equivalente a um Fab Lab. Os laboratórios compartilham o conhecimento, o saber, os arquivos, a documentação e colaboram uns com os outros local e internacionalmente. Se um Fab Lab fabrica algum objeto em Boston, por exemplo, e envia os arquivos e a documentação necessária, você deve poder reproduzi-lo facilmente em qualquer outro Fab Lab do mundo.


REDE FAB LAB: Você deve participar ativamente da rede de Fab Labs, não permanecendo isolado, mas, sim, fazendo parte de uma comunidade de compartilhamento de conhecimento. A vídeo conferência é uma das ferramentas para entrar em contato com outros Fab Labs, assim como participar dos encontros anuais, colaborar e realizar parcerias através de workshops, projetos, concursos com outros Fab Labs.
 


1. Em inglês: CAD (Computer Aided Design - Projeto Assistido por Computador) e CAM (Computer Aided Manufacturing - Fabricação Assistida por Computador)

2. Maker: um maker é a pessoa que faz ou fabrica os objetos com suas próprias mãos, desenvolvendo todo o processo. Está relacionado com o movimento DIY (do it yourself – faça você mesmo). É um conceito antigo, mas que passou a ter grande importância com a surgimento dos novos espaços de produção desencadeados com a revolução digital.

3. Hacker é um indivíduo que se dedica, com intensidade incomum, a conhecer e modificar os aspectos mais internos de dispositivos, programas e redes de computadores.

4. Verificar sobre o conceito de “terceiro lugar” no livro de referência do sociólogo americano Ray Oldenburg, The Great Good 5. Place: Cafes, Coffee Shops, Community Center, Beauty Parlors, General Stores, Bars, Hangouts and How They Get You Through the Day. EUA: Paragon House, 1989.

5. "Par a par ou ponto a ponto", na tradução ao português.

6. "Faça você mesmo", na tradução ao português.

7. Para maiores detalhes, ver: www.web.mit.edu.

8. Para maiores detalhes, ver: www.cba.mit.edu.

9. Para maiores detalhes, ver: www.nsf.gov.

10. Para maiores detalhes, ver: www.fab.cba.mit.edu.

11. Para maiores detalhes, ver: http://en.wikipedia.org/wiki/Neil_Gershenfeld.

12. Para maiores detalhes, ver: http://www.ted.com/talks/neil_gershenfeld_on_fab_labs.html.

13. Para maiores detalhes, ver: http://fab6.nl.

14. Para maiores detalhes, ver: https://vimeo.com/25814127.

 


 

RIOEDUCA: O Fab lab é viável em uma grande rede pública?

HELOISA NEVES: Fab Labs são realmente para serem trabalhados em rede. Para uma rede pública, eu tentaria implementar hubs, ou seja, laboratórios geograficamente bem localizados e que possam ser utilizados por várias escolas ao mesmo tempo. Nao faz sentido cada escola ter o seu porque a grande vantagem de um Fab Lab é fazer junto, colaborativamente. O ensino tem muito a ganhar se a dimensão da rede também se expandir para os laboratórios das escolas, tornando-os mais compartilháveis, pois, num ambiente assim, as ideias surgem mais facilmente, se aprende mais e obtêm-se olhares mais diferentes sobre o mesmo assunto. Outro ponto importante, quando pensamos em hubs, é o fator custo. Um Fab Lab tem um custo inicial de abertura de 800K, incluindo máquinas, consumíveis, treinamentos e salários para equipe durante o primeiro ano. Por ser um custo mais elevado, faz sentido que várias escolas possam se beneficiar dele.

 

RIOEDUCA: Qual a dica para um(a) professor(a) iniciar um Fab lab na sua escola?

HELOISA NEVES: Comece com uma atitude maker. Mais do que máquinas, o movimento maker traz consigo um novo jeito de “fazer”. Se o professor entender as bases conceituais do movimento, ele pode aplicá-las em qualquer lugar, inclusive dentro da sala de aula. Para exemplificar, quando um professor deixa seu posto de “pessoa que sabe tudo” e passa a ser o facilitador dos alunos, ajudando-os a compreender coisas que nem ele sabe, ele se torna um maker. Quando um professor usa uma rede de contatos e coloca seus alunos para aprender com essa rede e com os próprios colegas, ele esta sendo maker. Quando um professor acolhe um projeto pessoal de um aluno e o ajuda a entender como seguir adiante, também está começando ali a plantar uma sementinha do que pode vir a ser um Fab Lab. Um Fab Lab é bastante conhecido como um lab de máquinas, mas, sem pessoas e suas atitudes, as máquinas nao servem para nada. Claro que é importante conhecer as novas tecnologias, e acho que criar um laboratório físico é importante. Porém, uma coisa nao anda sem a outra. Tecnologia pela tecnologia não traz inovação e uma educação melhor. Professores makers com acesso à tecnologia podem revolucionar o mundo.

 

RIOEDUCA: Que competências são desenvolvidas no espaço de um Fab Lab ?

HELOISA NEVES: As que mais se sobressaem são competências que, às vezes, ficam um pouco distantes do universo educacional: inovação, criatividade, autonomia, empoderamento, empreendedorismo.

 

RIOEDUCA: As redes públicas caminham em direção à educação integral. Como os Fabs Labs podem melhorar a experiência escolar do aluno nessa modalidade?

HELOISA NEVES: Os Fab Labs vêm atuando no mundo todo no contraturno e em projetos especais. Esse foi o caminho encontrado para que pudéssemos entrar nas escolas. Os EUA já possuem hoje um currículo e as escolas que se baseiam totalmente no movimento maker, mas ainda há um longo caminho para que o cerne da educação se transforme. E o caminho é longo exatamente por conta do que falei acima, precisamos de professores makers e não somente de máquinas. Comprar máquinas é fácil e rápido, quando se tem dinheiro. Mas, empoderar professores, acolhê-os dentro do mundo maker e dar a eles espaço e apoio as suas dificuldades talvez seja a tarefa mais difícil e a que demora mais. Portanto, acho que vale a pena começar pequeno, construindo bases fortes, ainda que no contraturno e em projetos especiais. Dessa primeira ação, outras irão surgindo pela própria iniciativa dos alunos e professores. É totalmente bottom-up e, por isso, seja tão difícil e tão delicioso.

 


HELOISA NEVES:

Criadora da empresa WE FAB (que conecta movimento maker com inovação através de sua metodologia Maker Innovation), professora de Design para o curso de Engenharia do Insper, e coordenadora do Insper Fab Lab. Vem trabalhando com o universo maker desde que decidiu tirar um ano sabático e realizar o curso Fab Academy no Fab Lab Barcelona. Desde aí, implementou vários laboratórios makers e Fab Labs, e auxiliou empresas e outras instituições a implementar uma cultura mais focada no hands-on, colaboração e agilidade.
 

 

 

 

 

 

                               

 

 

 


   
           



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Quinta-feira, 12/11/2015

O Ensino Híbrido em Sala de Aula

Tags: história, professor, inovação, ensinohibrido.

 

 

 

O professor Eric Rodrigues usa o Ensino Híbrido em sua prática, obtendo bons resultados. Claro que ele o adaptou à sua realidade! E, como toda boa ideia, podemos adaptar também à nossa. Leia o que Eric diz sobre suas aulas.

 

O professor José Valente define o ensino híbrido como “a abordagem pedagógica que combina atividades presenciais e atividades realizadas por meio das tecnologias digitais de informação e comunicação” (apud BACICH, TANZI NETO, TREVISANI, 2015, p.13). Do ponto de vista do professor, o que isso significa? Na prática, trata­-se de um método que permite a inserção da tecnologia de forma a alterar profundamente a experiência em sala de aula.

 

PORVIR/André Luiz Mello/ Photo News

PORVIR/ André Luiz Mello/ Photo News

 

Dentro do mesmo comentário, o professor Valente também afirma que “a estratégia consiste em colocar o foco do processo de aprendizagem no aluno e não mais na transmissão de informação que o professor tradicionalmente realiza” (Ibidem). Ou seja, o professor abre mão de parte de sua posição centralizadora tradicional através da tecnologia. E como isso ocorre na prática? 

Ao longo dos últimos 18 meses, desenvolvi aulas utilizando o método de Ensino Híbrido com turmas de 8o e 9o ano. A princípio, abrir mão do papel expositivo pareceu uma escolha difícil na composição de aulas de História. A natureza da disciplina demanda a construção de narrativas e explicações que parecem depender do discurso do professor para viabilizar a aprendizagem. A tecnologia, entretanto, pode ter um papel significativo nesse processo.

Os recursos digitais são valiosos aliados do professor/­historiador. Com a tecnologia é possível disponibilizar documentos, imagens, pinturas, textos e vídeos que auxiliam profundamente na composição do cenário e contexto de um período histórico. Longe de ser diminuído na função de autor de sua aula, o professor pode realizar uma importante seleção de conteúdos e recursos que afetam imensamente a maneira como seus alunos se relacionam com um tema e/ou conceito.


Paralelamente, ao abrir mão do papel de centralizador da exposição, o professor se disponibiliza para uma relação muito enriquecedora com os alunos. Não que o discurso e narrativa sejam abandonados (em minhas aulas, ainda conservo cerca de 10% a 20% do tempo para exposições), mas é possível ampliar os espaços para debates e diálogos, percebendo a forma como os alunos estão lidando com cada tópico apresentado, mediando e construindo pontes que facilitem a forma como eles se apropriam do que é estudado.

Longe de serem limitadores, a tecnologia e as práticas pedagógicas do Ensino Híbrido empoderam o professor. Os alunos possuem uma experiência mais rica de aprendizagem e o professor consegue, efetivamente, que seus estudantes adotem uma postura ativa e investigativa sobre o estudo da História.  

 

PORVIR/ André Luiz Mello/ Photo News

 


Referência:

VALENTE, José Armando. Prefácio. In: BACICH, Lilian; TANZI NETO, Adolfo; TREVISANI, Fernando de Mello (orgs.). Ensino híbrido: personalização e tecnologia na educação. Porto Alegre: Penso, 2015.  


Professor Eric Rodrigues

Licenciado e bacharel em História pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro e mestrando em Ensino de História pela Universidade Federal Fluminense.

Professor da rede pública do município do Rio de Janeiro/RJ e tutor do curso de Ensino Híbrido para a formação de professores. Participante do Grupo de Experimentações em Ensino Híbrido, parceria entre o Instituto Península e a Fundação Lemann e da Rede de Talentos da Educação da Fundação Lemann. 

PORVIR/ André Luiz Mello/ Photo News

 

 

                               

 

 

 


   
           



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Quinta-feira, 05/11/2015

Estímulo à Criatividade na Educação Básica - Entrevista com Maria Antonia Goulart

Tags: inovação, criatividade, professor.

 

 

 

 

Você conhece o Programa de Estímulo à Inovação e Criatividade para a educação básica? Como podemos incentivar a criatividade de nossos alunos? 

 

Leia a entrevista que MARIA ANTONIA GOULART, membro do Grupo de Trabalho de Criatividade e Inovação do MEC, deu ao Rioeduca.

 

RIOEDUCA: Quais são os objetivos do Programa de Estímulo à Criatividade na educação básica do MEC?

MARIA ANTONIA GOULART: O Programa do MEC de Estímulo à Criatividade tem como objetivo global criar as bases para uma política de fomento à inovação e à criatividade na educação básica. É comum ouvir especialistas, jornalistas e público em geral falar sobre a inadequação do atual modelo das escolas para a educação e os estudantes do século XXI. É fundamental que as escolas inovem em estratégias, gestão e recursos pedagógicos, formação dos educadores, articulação com outras organizações e políticas. Muitas escolas e organizações não governamentais têm inovado, mas muito pouco se sabe sobre a extensão dessa rede e de como experiências pontuais podem inspirar e apoiar a educação básica de forma mas ampla.



RIOEDUCA: Quais sentidos são trabalhados pelo MEC no programa Inovação e Criatividade?

MARIA ANTONIA GOULART: O programa propõe 5 sentidos para a inovação e a criatividade. São eles: gestão, currículo, ambiente, metodologia e intersetorialidade.

No sentido da gestão, busca experiências de corresponsabilização na construção e gestão do projeto político-pedagógico com ampla participação da comunidade escolar, incluindo os estudantes.

O campo do currículo solicita o trabalho para o desenvolvimento integral dos estudantes, o entendimento do papel da organização como produtora e disseminadora de conhecimento e cultura e a adoção de práticas de sustentabilidade. A escola não pode construir um currículo voltado para si mesma, mas sim focado nas necessidades e desejos dos seus estudantes e na promoção de transformações no seu entorno e no mundo. O currículo de uma organização inovadora e criativa, portanto, é o de atuar a partir da complexidade do mundo e dos seres humanos. É uma escola conectada ao mundo.

O sentido do ambiente pressupõe o reconhecimento do impacto do ambiente na aprendizagem. Práticas de colaboração e articulação de saberes acadêmicos e do território demandam não só uma ampliação do espaço da sala de aula e da própria escola mas, principalmente, uma reorganização desses espaços. A escolas e disposição do mobiliário em uma sala, os usos dos espaços coletivos e a possibilidade de aprender com o mundo exigem que a organização repense seu ambiente. Tão importante quando uma sala bem equipada é que todos se sintam confortáveis e acolhidos no espaço de aprendizagem. Algumas perguntas podem nos orientar nessa mudança: como preparamos o ambiente para que estudantes com deficiência possam participar das atividades? Como respeitamos a cultura local? E como nos preparamos para receber nossos educadores, nossos estudantes, suas famílias e a comunidade escolar para compartilharem o planejamento e gestão do nosso projeto político pedagógico? Ambiente é mais do que espaço físico, inclui clima escolar e reconhecimento da diversidade como oportunidade de crescimento individual e coletivo.

No que se refere à metodologia, o foco principal é garantir a participação efetiva dos estudantes e a construção de um percurso formativo personalizado. O projeto precisa considerar que as pessoas aprendem de forma diferente em ritmos diferentes. A possibilidade de dedicar mais tempo a uma aprendizagem ou de ter acesso a recursos variados é determinante para garantir que todos os estudantes aprendam.

A intersetorialidade é o reconhecimento de que as políticas setoriais não são capazes de responder às questões complexas e multidimensionais dos estudantes e seus contextos. É essencial pensar na ação articulada a de organizações e políticas nas áreas de saúde, assistência, cultura, esporte, meio ambiente, entre outras.

Esses cinco sentidos não são necessariamente desenvolvidos com a mesma intensidade e foco em todas as organizações. Portanto, não é necessário que haja inovação em todos eles para que a iniciativa seja reconhecida pelo programa. Mas é fundamental que a organização pense em todos eles quando planeja sua prática, processos e ações. 

 

RIOEDUCA: Quem pode participar da Chamada Pública? Haverá certificações?

MARIA ANTONIA GOULART:  Podem participar escolas públicas e privadas de educação básica; associações, organizações sociais e organizações da sociedade civil que atuam no campo da educação com crianças, adolescentes e jovens; e instituições educacionais comunitárias, filantrópicas e confessionais que atuem com crianças, adolescentes e jovens. As experiências reconhecidas pelo programa farão parte de uma rede de organizações reconhecida pelo MEC.

 

 

RIOEDUCA: Como a cidade do Rio de Janeiro pode contribuir para essa chamada?

MARIA ANTONIA GOULART: O município do Rio de Janeiro pode contribuir muito para esse movimento nacional. Há alguns anos, algumas iniciativas têm chamado a atenção de educadores de todo o Brasil e mesmo do exterior, como é o caso dos ginásios experimentais, por exemplo. Mas sabemos que há muitos outros casos de inovação que não ganham tanta visibilidade mas têm potencial de transformação igual ou superior a esses casos. O município de Rio é vanguarda em muitas áreas e não é diferente na educação. Levantamentos realizados pelos Ministérios da Educação e da Cultura identificaram diversos arranjos entre escolas e organizações culturais dos seus territórios que têm contribuído para mudanças no currículo e nas práticas pedagógicas. Precisamos dar visibilidade a todas essas inovações e participar do processo nacional de repensar a educação básica pelo viés da criatividade e da inovação.
 

RIOEDUCA: Onde os interessados podem obter mais informações sobre a chamada?

MARIA ANTONIA GOULART: O MEC criou um site para o programa: Criatividade e Inovação. Nele, vocês poderão ter mais informações sobre a iniciativa. Além disso, o grupo de trabalho no Rio de Janeiro está oferecendo plantões de esclarecimento de dúvidas por meio de uma das organizações parcerias, o MAIS - Movimento de Ação e Inovação Social. É possível agendar atendimentos pela página da organização no Facebook.

 


 

Membro do GT Nacional de Criatividade e Inovação (MEC), Coordenadora-geral do Movimento de Ação e Inovação Social - MAIS, Bacharel em Direito pela UNB. Experiência na área pública como secretária municipal de Nova Iguaçu/RJ, responsável pela concepção e implementação do Programa Intersetorial de educação integral “Bairro-Escola” de 2005 a 2010. Coautora do livro Caminhos da Educação Integral no Brasil (Editora Penso, 2012). Cofundadora e Coordenadora Geral do Movimento Down e do MAIS. Coordenadora no Brasil da iniciativa do Unicef do livro digital Acessível e participante do Comitê Gestor do Centro de Referências em Educação Integral.

 

 

 

 

                               

 

 

 


   
           



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