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Sexta-feira, 19/06/2015

Lego Poesia: Oficina de Criação Literária e o Multiletramento

Tags: inovação, professor, letramento.

 

 

O incentivo à leitura depende de estratégias que tornem o ato de ler um prazer. Esse hábito pode ser estimulado a partir da ludicidade, do imaginário da contação de histórias a fim de incorporar questões do cotidiano do aluno na prática escolar.

 


Em 2013, iniciei em uma escola pública do município de Rio Grande (RS), um projeto experimental denominado Lego Poesia, a partir do convite para ministrar oficina de criação literária para alunos do ensino fundamental. Tal oficina consistia em utilizar peças coloridas de montar (tipo Lego) e livros de histórias infantis para despertar o interesse pela poesia nos alunos de 4º e 5º anos da.


Amparada na Aprendizagem Significativa e na Flexibilidade Cognitiva (conceitos do Construtivismo), a atividade foi dividida em três momentos:

1º) Sensibilização dos alunos, mostrando o ato de ler (e o de escrever) através do jogo de montar peças coloridas, em que cada letra junta a outra forma sílabas, que formam palavras, frases e versos, textos, contos e poemas.

2º) Cada aluno pegou, em uma caixa, três peças coloridas de tamanhos e cores diferentes para tentar montar algo (objeto, animal etc.). Muitos alunos formaram figuras semelhantes, mas, para o imaginário de cada um, era uma escada, um telefone, um trem. Foi comentado sobre a questão do imaginar coisas e inventar personagens e causos, que não deixam de ser formas de montar e contar histórias.

3º) Cada aluno escolheu um livro infantil, alguns com texto apenas, outros com imagens. Solicitei que fechassem os olhos e abrissem o livro em qualquer página e, ao abrir novamente, que os olhos escolhessem uma palavra ou imagem. A seguir, no quadro da sala de aula, munidos apenas de giz, os alunos escreveram todas as palavras escolhidas. Por fim, com um grupo maior de palavras, foi feita uma pequena história e um poema.

 


No ano seguinte, surgiu na escola o projeto derivado “Conhecendo, construindo e encantando com poemas e poesias", organizado pela professora parceira, que expôs o resultado a pais, alunos e professores da escola através de atividade denominada "Varal da Poesia". Houve apoio de uma panificadora da cidade para estampar no papel de embrulho de pães os trabalhos poéticos (poema e poesias) dos alunos.

 



 

 


Professor José Antonio Klaes Roig - Escritor, educador e poeta, residente em Rio Grande, RS.

Mestre e doutorando em Letras, área História da Literatura (FURG, RS)

Atualmente, bolsista da Capes, atua de forma diletante em projetos educacionais experimentais com professores das redes públicas estaduais e municipais do extremo sul do Rio Grande do Sul.

Nas horas vagas é editor do blog Educa Tube Brasil, uma iniciativa individual que conta com a colaboração de diversos educadores do Brasil e exterior, que socializam suas descobertas nesse espaço digital de trocas de saberes.

 

 

 

                               

 

 

 


   
           



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Quarta-feira, 03/06/2015

Coaching na Educação

Tags: professor, inovação, tecnologia, transformação3.0.

 

 

Contexto, Aplicação e Possibilidades para Professores e Gestores Educacionais

Recebi um poderoso desafio: Escrever um artigo com apenas 2 mil caracteres esclarecendo como o Coaching potencializa as ações dos professores e gestores educacionais na escola de educação básica. Desafio aceito! Isto significa colocar o professor como ator principal no processo de potencialização de desenvolvimento de competências docentes. O processo de coaching instiga o docente e o gestor a viver a sua melhor versão, utilizando ferramentas e técnicas que os colocam como sujeitos do próprio aprendizado. Entre outros benefícios destaca-se o desenvolvimento e aplicação de técnicas de ensino e aprendizagem, o aperfeiçoamento e potencialização de pontos fortes, além de buscar por aprofundamento no conhecimento sobre processos cognitivos humanos.


Vamos lá, desafio aceito!


“Uma das coisas que aprendi nestes quase 40 anos na teia educacional é que quando o professor entra na sala de aula e fecha a porta, não importa quem seja o secretário de educação ou qual seja o currículo. Na hora de dar aula, ele vai acabar fazendo o que preferir. A tarefa, então, é fazer com que ele se sinta envolvido para que faça o que gostaríamos que fizesse. No final, tudo depende dele”, afirma Eric Nadelstern, ao explicar por que a Reforma de Nova York se preocupou em criar sistemas de apoio presencial ao professor em sala de aula.

O sistema ainda está longe de ter conseguido envolver a maioria de seus professores. Mas, de fato, a figura do professor coach – se tornou presente na vida de cada escola pública da cidade.


O Professor Coach desenvolve estratégias específicas para as necessidades e pontos fortes de cada escola. Ao mesmo tempo, há estratégias que perpassam diferentes prossionais e organizações que oferecem esse tipo de apoio.


Na medida em que o desafio da qualidade passa a ocupar espaço crescente no debate público sobre educação no Brasil, torna-se importante investigar experiências, dentro e fora do País, que tragam propostas concretas e aprendizados sobre como superar os problemas institucionais da educação. Objetivando contribuir neste esforço a Fundação Itaú Social e o Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial, iniciou, em 2009, o Programa Excelência em Gestão Educacional, que tinha como uma de suas colaborações a publicação de experiências educacionais que, com suas estratégias e ações, poderiam servir de inspiração para gestores, educadores, empresários e políticos brasileiros interessados em melhorar a qualidade de nossas escolas públicas. A publicação foi organizada em capítulos temáticos, selecionados de acordo com a relevância do tema para as mudanças do sistema de ensino de Nova York, e dentre eles, destaco aqui o tema Professores mentores e o apoio presencial ao professor em sala de aula: Coaching. Cada vez mais a ideia ganha força nas empresas e áreas do setor público, imprimindo sentido de formação de competências de um indivíduo ou uma equipe. Nos Estados Unidos, esta concepção tem sido amplamente utilizada nas escolas públicas como estratégia de melhoria da prática de diretores e de professores.


Já no Brasil há um consenso sobre a necessidade de formar melhor os professores da rede pública, seja quando ainda estão na universidade, seja depois, quando ingressam na carreira. Secretarias de Educação chegam a investir somas significativas em treinamentos, que em teoria, deveriam ajudar o professor a melhorar a sua prática em sala de aula. Entretanto, ainda há muito o que se fazer por aqui, embora a figura do coach, tão conhecida e aproveitada já pelas grandes empresas no Brasil, poderia se tornar uma política pública. Em Minas Gerais, algo próximo dessa realidade foi testado por meio do Programa de Intervenção Pedagógica, junto às séries iniciais da rede estadual. De maneira geral, o Coaching Educacional configura-se num campo ainda instintivo, e nos últimos anos, por força da mídia, e das redes sociais vem tomando uma certa desenvoltura estratégica, mas é bom ressaltar que muita gente confunde Coaching com Formação. Segundo João Alberto Catalão, este fato tem levado a que hoje a generalidade das ofertas formativas contemplem, um ou mais tópicos, sobre Coaching. Prossegue ainda, alertando que Coach não é um Formador ou Treinador, e que numa relação de Coaching, não é o Coach que ensina ou define os padrões do que está certo ou errado, ou avalia o que são bons ou maus níveis de desempenho. O Coach não ensina, ele facilita a tomada de consciência, a identificação do potencial, a obtenção do reforço da autoestima, a definição de objetivos, a elaboração e a monitorização de planos de ação para a performance do Coachee.  

A ideia de um novo design no mundo da educação torna-se cada vez mais forte nos últimos anos, e cada vez mais claro que as instituições educacionais precisam ser recriadas, vitalizadas e renovadas de forma sustentável, adotando uma orientação aprendente, envolvendo todos do sistema, facilitando que cada um expresse suas aspirações, visando construir uma nova consciência do modelo mental desejado, e que ferramentas poderão utilizar para realizar a conexão motivada pela visão.


Possibilidades de Utilização do Coaching no meio educacional


O foco deste artigo é o despertar para um novo pensamento sistêmico, na forma de condução pedagógica por meio do Coaching Educacional, esclarecendo na prática como certas lógicas de raciocínio facilitam a ocorrência de sucessos no mundo educacional. No mundo de hoje, quem se propõe a educar precisa saber quais são as lógicas melhores de raciocínio, compreendendo que não adianta adotar modernos métodos de trabalho, se faltam bons princípios e ferramentas para a tomada assertiva de decisões.


Coaching Educacional, transforma o problema em objetivo, ampliando a capacidade coletiva de aprender, promovendo o ambiente corporativo educacional de forma criativa, empreendedora e inspiradora de novos conhecimentos, habilidades e atitudes, permeadas de valores humanos, fundamentadas pelas inteligências múltiplas e inteligência emocional, privilegiando as competências para ensinar e educar profissionais autônomos reflexivos segundo Philippe Perrenoud, Donald A. Schön, Peter Senge, Edgar Morin, Ruy Cezar do Espírito Santo, Paulo Freire, Mirian Paura e Fritz Perls, entre tantos outros.

 


Diversas são as possibilidades pedagógicas desta poderosa estratégia que, inclusive, educa para a Paz, bem como para autonomia de pensamento, ação, reflexão e inovação.
Diante das inúmeras possibilidades, podemos destacar:

 

  • Promoção de seminários, colóquios, workshops, grupos de estudos de sensibilização dirigidos a diferentes atores para conscientizar sobre o que realmente é Coaching Educacional, e quais são os benefícios para o cotidiano das relações intrapessoais e interpessoais da instituição educacional, associando-as, aos resultados acadêmicos;

 

  • Abordagem específica para fortalecer a vontade das pessoas para o ato de aprender e apreender, levando-se em conta os estilos de aprendizagem, facilitando acertos para iniciar e continuar qualquer processo de mudança cultural;

 

  • Fortalecimento da inteligência individual e coletiva por meio da potencialização de ações pedagógicas que levam a necessidade da cocriação de projetos coletivos, ampliando as possibilidades de comunicação assertiva, escuta ativa e o conceito da comunicação não violenta no gerenciamento de conflitos; 

 

  • Potencializando a (re)descoberta do autoconhecimento, descobrindo e desenvolvendo valores, compactuando com a família e a escola de educação básica a tarefa de formar humanos que se auto eduquem curiosos, capazes de enxergar e promover mudanças em si mesmos e no mundo; 

 

  • Promoção de espaços pedagógicos para discussão e aprendizagem que tenham como objetivos agir sobre como cada um raciocina, para que cada um, por si mesmo, possa concluir quais os melhores comportamentos. Assim, a pessoa ganha capacidade de ser autônomo, tornando-se consciente, alargando a sua capacidade de análise crítica, sendo aquele que se orienta mais pelo que deve fazer do que pelo que pode fazer. 

 

Coaching Educacional está focado fundamentalmente na preocupação com um aluno vivo, inquieto, e participante, bem como um professor que não tema suas próprias dúvidas e com instituições educacionais abertas, vivas, postas no mundo e conscientes de que vivemos no século XXI, e que neste sentido é preciso repensar a postura acadêmica, comunicando e construindo assertivamente a urgência de se trabalhar com uma pessoa inteira, com sua afetividade, suas percepções, suas expressão, seus sentidos, sua crítica e criatividade. É preciso que se ande por outra rua, assim como nos inspira a poesia transcrita do livro Tibetano do Viver e do Morrer, “Autobiografia em cinco capítulos”.

 


1- Ando pela rua.
Há um buraco fundo na calçada.
Eu caio...
Estou perdido... Sem esperança.
Não é culpa minha.
Leva uma eternidade para encontrar a saída.

2-Ando pela mesma rua.
Há um buraco fundo na calçada.
Mas finjo não vê-lo.
Caio nele de novo.
Não posso acreditar que estou no mesmo lugar.
Mas não é culpa minha.
Ainda assim leva um tempão para sair.

3- Ando pela mesma rua.
Há um buraco fundo na calçada.
Vejo que ele ali está.
Ainda assim caio... É um hábito.
Meus olhos se abrem.
Sei onde estou.
É minha culpa.
Saio imediatamente.

4- Ando pela mesma rua.
Há um buraco fundo na calçada.
Dou a volta.

5- Ando por outra rua.  

Nessa perspectiva qual seria o estoque de atributos que os professores ou o gestores educacionais teriam que potencializar passando pelas sessões de coaching? E quais seriam as rotas de ação?


Uma possível rota é realizada em encontros coletivos onde o professor é situado como sujeito do próprio desenvolvimento e instigado a aperfeiçoar e expandir suas competências. Os encontros são associadas a uma rota de ação, uma vez que, o aprendizado proveniente do coaching precisa gerar ações. Os primeiros encontros envolvem uma avaliação das dimensões a seguir: motivação e autoconhecimento (motivação e continuidade de ação na direção dos objetivos desejados; autoconhecimento, utilização das forças, virtudes e talentos na docência; autoestima, autoconfiança e automotivação; equilíbrio emocional em situações adversas; resultados positivos mensuráveis na sua vida pessoal; resultados positivos mensuráveis da sua vida profissional; relacionamentos escolhidos e positivos; percepção de continuidade e melhoria contínua; poder de aprendizado e conclusões construtivas); atuação (proatividade; domínio de sala; atuação em conjunto com os outros docentes no processo de ensino; humildade e flexibilidade; conhecimento sobre as competências do aluno; foco do que realmente é importante na formação do aluno; capacidade de contextualização da sua disciplina; confiança transmitida aos alunos; exemplo de vida e de comportamento; formação acadêmica e publicações científicas); saber fazer (saber ouvir e respeitar o aluno; conhecimentos, habilidades e experiência na área lecionada); técnicas (oratória e comunicação; capacidade de se colocar no lugar do outro; uso de diferentes técnicas de ensino-aprendizagem; inovação e criatividade no ensino; minha didática atual; dinamismo da aula e motivação do aluno; capacidade de avaliar situações de aprendizagem); encantamento (inspiração e encantamento do aluno; capacidade de causar transformação no comportamento do aluno); e, responsabilidade (consciência da responsabilidade como docente; cumprimento de deveres e compromissos com pontualidade).


Outra rota possível é a realização de cursos livres para o desenvolvimento de temas tais como: Coaching e Programação Neurolinguística, Storytelling e Caixa de Ferramentas para engajamento e sensibilização de pessoas, Liderança, Endoquality, Inteligência Emocional e Orientação Profissional, Valores Humanos, Didática e IQPs - Indicadores de Qualidade de Projetos, que possam responder aos seguintes questionamentos: Como nos preparar para termos habilidade de, em momentos cruciais dispormos de presença de espírito para encontrar a saída e liderar outras pessoas que dependem da nossa iniciativa? Será que é possível nos soltarmos de todas as ideias e capacidades antigas que estão turvando o nosso julgamento, de modo a sermos capazes de identificar as mudanças necessárias, ajudar a promovê-las e obter reações positivas? Como fazer com que a evolução ocorra naturalmente, que as pessoas façam as coisas certas, sem ser preciso que sejam controladas, e desenvolvam as suas habilidades técnicas e humanas? Como descobrir o ponto de apoio para, através de uma causa minúscula, alavancar o início de uma mudança gigantesca? Como melhorar a nossa forma de pensar, que é a semente do todo?


No artigo apresentado, é possível que dois elementos mereçam amplo destaque e aprofundamento: o primeiro refere-se a necessidade dos professor e do gestor educacional ser sujeito do próprio aprendizado, e estar consciente que necessita melhorar a cada instante, e sempre com a pergunta em mente: Quem sou eu para educar? O segundo relaciona-se ao acompanhamento sistemático, apoiado e inspirado pelo processo de coaching e seus efeitos positivos na sala de aula e no desenvolvimento de todas as partes envolvidas.


Neste século XXI vamos cocriar por outras ruas? Este é o nosso desafio.  


Para saber mais:


SANTOS, Graça. Coaching Educacional: Ideias e estratégias para professores, pais e gestores que querem aumentar seu poder de persuasão e conhecimento. Editora Leader, São Paulo, 2012.

SANTOS, Graça. Coaching na Educação: Contexto, Aplicação e Possibilidades. Revista Digital Coaching Brasil, São Paulo, 2014.


SCHÖN, D. Educando o profissional reflexivo. Um novo design para o ensino e a aprendizagem. Porto Alegre: Artmed, 2000.

LAGES, Andreia. O’ CONNOR, Joseph. O que é Coaching. Comunidade Internacional de Coaching. Editora All Print, São Paulo, 2006.

GATTI, Bernadete A. e equipe. Atrativos da carreira docente no Brasil. Fundação Carlos Chagas, São Paulo, outubro, 2009.

CATALÃO, João Aberto. PENIN, Ana Tereza. Ferramentas de Coaching. Editora Lidel. São Paulo, 2012.

PERRENOUD, Philippe. 10 Novas Competências para Ensinar, Artmed, 2000.
____________, Philippe. As competências para ensinar no século XXI: a formação dos professores e o desafio da avaliação. Porto Alegre: Artmed, 2002.  


Graça Santos
Pernambucana, Professora da Rede Pública do Rio de Janeiro, Pedagoga, Orientadora Educacional e Escritora. Possui MBA em Gestão Estratégica e MBA em Formação Holística na Abordagem Transdisciplinar do Desenvolvimento Humano. Escritora nas Editoras Leader/SP e SER MAIS/SP, Palestrante e Coach formada pela Abracoaching. Facilitadora do Potifólio Nacional Editora FTD. Autora do livro “Coaching Educacional: Ideias e estratégias para professores, pais e gestores que querem aumentar seu poder de persuasão e conhecimento”. Coautora do livro PNL & Coaching, sendo autora do capítulo 11, intitulado “Como funciona seu GPS interno?”. Tem como missão inspirar pessoas que querem sair do estado atual para o estado desejado por meio de vivências que conduzam ao realinhamento cultural das crenças, valores, hábitos e atitudes com foco na excelência dos resultados e na ecologia pessoal. 

 

 

 

                               

 

 

 


   
           



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Sábado, 23/05/2015

A Assessora do MEC Helena Singer Aborda Inovação na Educação em Entrevista Exclusiva

Tags: entrevista, inovação, professor.

 

 

 

A socióloga Helena Singer recebeu uma missão do Ministro da Educação para inovar a Educação Brasileira.

 

 

Rioeduca: Podemos dizer que tem crescido o número de iniciativas voltadas ao uso da tecnologia digital na educação no Brasil?


Helena Singer: Sem dúvida, o uso da tecnologia digital na educação no Brasil vem crescendo. À medida que aumenta o acesso à internet, em que novas ferramentas digitais são criadas, cresce o número de organizações educativas que fazem uso deste recurso.

Estimativas do MEC indicam que cerca de 70% das escolas de ensino fundamental e 90% das de ensino médio possuem laboratório de informática e acesso à internet.

Em organizações educativas não escolares, o uso da tecnologia digital se faz também presente, principalmente quando o foco é a produção de conteúdos audiovisuais, veículos de comunicação ou novos aplicativos.

 

Rioeduca: Quais desafios precisam ainda ser superados para que o acesso a essas tecnologias chegue a cada vez mais para os alunos e professores?


Helena Singer: Os desafios à universalização do acesso às novas tecnologias são os desafios da extrema desigualdade que marca o país. As regiões com menos acesso são aquelas com piores indicadores do desenvolvimento humano. Essas questões devem ser enfrentadas de modo sistêmico, é preciso reduzir as desigualdades socioeconônomicas e a educação certamente tem um papel fundamental nisso. Segundo dados do IBGE, em 2008, 80,4% das pessoas com 15 anos ou mais de estudo acessavam a internet, enquanto que, no grupo dos sem instrução, o porcentual não ultrapassava 7,2%. Reduzir as desigualdades no país, inclusive no que se refere ao acesso às tecnologias digitais, passa necessariamente por aumentar os níveis de escolarização da população.

Mas é importante ressaltar que o uso das tecnologias digitais não equivale à inovação na educação. Esse uso pode se dar de forma conservadora, se não promover uma transformação nas relações entre estudantes e professores, nos processos de aprendizagem, nas relações entre a escola, a comunidade em que está inserida e o mundo.

O uso das tecnologias digitais é inovador quando reconhece que os estudantes hoje participam ativamente de redes sociais onde interagem, colaboram, debatem e produzem novos conhecimentos. Nesse sentido, é inovadora, por exemplo, uma proposta de pesquisa que leva a estudante de doze anos que participa de uma rede de fãs da personagem principal do filme "Jogos Vorazes" a propor ali debates sobre as escolhas morais das personagens, a viabilidade científica dos eventos ou as referências históricas do filme. Em contraste, não é inovadora a proposta de uso de um software ultra sofisticado para o estudo de ciências, se o coordenador de todo o processo é o professor, e os estudantes fazem todos os mesmos procedimentos.

 

 

Rioeduca: Como deveria ser uma escola inovadora?


Helena Singer: Uma escola inovadora cria estratégias que garantem que todos aprendam, mas não fazendo as mesmas coisas ao mesmo tempo e, sim, a partir dos seus interesses, ritmos e possibilidades.

Para inovar, a estrutura do trabalho da equipe, da organização do tempo e do percurso do estudante precisa ser construída coletivamente, engajando a todos em uma visão comum de educação. Essa educação não se restringe aos conteúdos acadêmicos, mas se volta para a muldimensionalidade da experiência humana - afetiva, ética, social, cultural e intelectual.

Também é importante que a escola perceba que o direito à educação não se dissocia dos demais direitos fundamentais. Uma criança ou jovem precisa estar saudável, bem alimentado, vivendo em condições dignas e em sergurança para conseguir aprender. Então, a escola inova quando lança estratégias em rede para a garantia desses direitos, articulando-se com os agentes do desenvolvimento social, da saúde, dos direitos humanos e da própria comunidade.

Por fim, uma escola inovadora é aquela que se reconhece como espaço de produção de conhecimento, não de reprodução. Um lugar onde as pessoas pesquisam e propõem intervenções na realidade, produzem cultura, transformam o meioambiente. E aqui, mais uma vez, as novas tecnologias podem realizar um papel definitivo, já que, através delas, estudantes e professores tanto acessam bases de dados de todos os tipos quanto podem disponibilizar o conhecimento construído para o mundo.
 

 

Rioeduca: Quais são os principais desafios que as escolas enfrentam para que sejam realmente inovadoras?


Helena Singer: O principal desafio enfrentado para qualquer inovação é sempre a mudança de cultura. A cultura escolar é tão forte em todos nós que temos dificuldade até mesmo em imaginar uma escola que não separe os estudantes em séries, que não fragmente o tempo em aulas, que não avalie com provas e notas. Inovar em qualquer desses aspectos é enfrentar a cultura de professores, pais, estudantes e também dos órgãos supervisores. Por isso, todo processo de efetiva inovação precisa ser amplamente debatido por todos, a inovação precisa ser construída participativamente.

 

Rioeduca: De que maneira o MEC busca fortalecer as iniciativas municipais que trabalham com inovação em educação no Brasil?


Helena Singer: Acredito que o MEC possa apoiar as iniciativas inovadoras de algumas maneiras.


Em primeiro lugar, buscaremos uma parceria com os órgãos responsáveis - no caso das escolas municipais, seria a Secretaria Municipal - para acompanhar sistematicamente essas escolas a partir de novos indicadores, construídos de comum acordo.


Sendo acompanhadas mais de perto, essas escolas poderão ter mais autonomia para a formação de sua equipe, a gestão de seus recursos e a formulação de seu currículo. Temos que considerar estas escolas como experiências de algo que pode ser replicado futuramente, então elas precisarão ter maior liberdade para experimentar até chegar em uma proposta final.


O MEC também pode apoiar colocando todas as escolas inovadoras do Brasil em rede, promovendo encontros presenciais e virtuais, estimulando projetos colaborativos e estágios de professores de uma escola em outra. Como eu disse, para inovar é preciso romper com a cultura vigente e criar novas referências. Nesse sentido, poder trocar com outras escolas que estão buscando o mesmo é muito importante.

Convênios entre universidades, escolas e secretarias de educação podem apoiar as equipes responsáveis a sistematizar processos e resultados, além de criar programas permanentes de formação dos professores.


Por fim, entendo que o MEC pode apoiar fazendo ampla divulgação das escolas e das secretarias de educação que promovem a inovação. Esta divulgação ajuda pais, estudantes e professores a conhecer novas possibilidades e desejar a inovação.   

 


 

 

 

Helena Singer é doutora em Sociologia pela USP, com pós doutorado em Educação pela Unicamp. É autora de “República de Crianças: sobre experiências escolares de resistência”, entre os livros e artigos sobre educação e direitos humanos.

É atual assessora do MEC, onde criará estratégias que fortaleçam a criatividade na educação brasileira.

 

 

 

 

 

 

                               

 


   
           



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Segunda-feira, 11/05/2015

Educador pode ser um Design Thinker

Tags: design, professor especialista.

 

 

 

Quem ainda não ouviu falar em design? Design de interiores, design de games, design gráfico, webdesign e muitas outras variações. Palavra de difícil tradução, pode significar plano, projeto, criação, dependendo do contexto. E design thinking? Algo como pensamento de design ou design de pensamento? O conceito ganhou popularidade no mundo empresarial nos anos 2000, quando a IDEO, uma das agências de design mais influentes e premiadas internacionalmente, com sede no Vale do Silício, na Califórnia/EUA, começou a utilizar em seus trabalhos de consultoria para organizações públicas e privadas do mundo todo.

Design Thinking (DT) pode ser definido como uma abordagem para a solução de problemas centrada nas pessoas e baseada em processos intencionais colaborativos para se chegar ao novo. Ou seja, o DT tem como concepção a cocriação. É preciso envolver pessoas de diferentes perfis para resolver um problema ou desafio, mas sempre tendo como foco o público envolvido diretamente no problema ou desafio. É uma estratégia de todos para todos (bottom-up) em vez de um um para todos (top-down).

Em 2012, a IDEO lança um material especial sobre DT voltado para educadores, o Design Thinking for Educators  , composto por um livro-guia e um caderno de atividades, licenciados em Creative Commons, disponível para download. Em 2014, o Instituto Educadigital lançou a versão em Português desse material, já inserindo exemplos de projetos que foram criados no Brasil, disponível para download na íntegra ou por capítulos. Trata-se de um recurso educacional aberto altamente relevante para a busca da inovação na educação, pois possibilita que educadores utilizem essa abordagem com seus alunos, colegas, gestores e comunidade escolar.

O Instituto Educadigital, desde 2011, tem utilizado o DT em suas atividades de formação com educadores e gestores, e também no planejamento e concepção de projetos educativos, como por exemplo: Edukatu Escola Digital e Edufinanceira na Escola.

Na sala de aula, o DT oferece uma possibilidade prática para que os educadores sejam de fato mediadores na construção do conhecimento. Muito se fala sobre o protagonismo dos estudantes e sobre a aprendizagem significativa, mas, objetivamente, poucos professores conseguem concretizar esse discurso. A abordagem do DT pode ajudar a isso em prática. O professor pode utilizar para planejar a sala de aula invertida ou implementar o trabalho diversificado por perfis de alunos. O gestor pode utilizar para planejar uma formação docente ou alcançar um objetivo da instituição como, por exemplo, estimular os pais a participarem mais do cotidiano escolar.

 

 

O Design Thinking para Educadores busca criar uma cultura de inovação baseada no ser humano, isto é, a inovação só pode ser entendida como tal se fizer de fato diferença na vida das pessoas, se evidenciar um novo valor, uma melhoria. Para desenvolver o DT, o material sugere 5 etapas que se inter-relacionam: Descoberta, Interpretação, Ideação, Experimentação e Evolução.


Ao encarar os temas e problemas cotidianos como desafios, é possível pensar em oportunidades que levam a soluções criativas. O DT é muito eficiente ao propor o trabalho em grupos para valorizar a troca e a colaboração. Permite estimular o espírito cooperativo e a colaboração entre as pessoas para buscar sinergia nos processos e resultados pretendidos.


Desde o lançamento do material em Português, em março de 2014, o IED já realizou formações nas três unidades do Colégio Porto Seguro, na Escola Bilíngue Aubrick, na Escola de Juristas do TRT 2a Região, na Faculdade Getúlio Vargas, no SESI, todos na cidade de São Paulo. Também organizou oficinas na HUB Escola em São Paulo, Belo Horizonte e Curitiba, na Faculdade de Engenharia Industrial (FEI), em São Bernardo do Campo, no Programa Acessa SP, em Botucatu e no Programa Infanto-juvenil da Universidade de Brasília. E, na rede pública, já realizou formações de equipe técnica e diretores de escola da secretaria de educação de Cajamar, na Grande São Paulo.

 

Fotos de algumas formações podem ser vistas aqui: https://www.flickr.com/photos/ieducadigital/sets/

 

Dia 22 de maio, no Colégio Pedro II, centro do Rio, vou facilitar uma oficina básica de DT para Educadores. Mais informações aqui: www.bit.ly/oficinaDT-Rio.

 


 

 

 

Priscila Gonsales


Fellow Ashoka, máster em Educação, Família e Tecnologia pela Universidade Pontifícia de Salamanca (Espanha), jornalista especializada em educomunicação, cofundadora do Instituto Educadigital.

Desenvolve projetos e pesquisas em educação na cultura digital desde 2001 e facilita processos formativos envolvendo Recursos Educacionais Abertos e Design Thinking para Educadores.
 


 

 

                               

 

 

 


   
           



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