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Sexta-feira, 27/09/2013

Alfabetização e poesia

Tags: blogsderioeducadores, educopédia, mídias, especialistas, literatura, poesia.

Cecília Meireles, autora de diversas obras, dentre as quais se encontra uma bastante conhecida de crianças e adultos, o livro Ou isto ou aquilo, onde existe uma coletânea de poesias cheias de aliterações, que contribuem para a criação de imagens e ritmos que facilitam a compreensão e interpretação dos textos, e que podem ser usadas pelo professor com seus alunos para diversos fins.

 

Os sons das palavras não são escolhidos de forma aleatória, pelo contrário, eles acabam por contribuir para que o leitor construa significados descobrindo, assim, a beleza dos textos.

 

 

 

 

 


Pensando na riqueza das poesias de Cecília nesta obra, acredito haver uma bem sucedida relação entre alfabetização e poesia. Segundo Mary Kato, em seu texto Como a criança aprende a ler: uma questão platoniana, "existe uma fase no aprendizado da criança em que esta adora versos rimados e brinca com palavras que rimam. Tal fase se estende da alfabetização ao letramento". Daí a importância de se trabalhar com poesias na sala de aula, por se tratar de um gênero textual no qual forma, conteúdo e ritmo podem ser explorados de maneira significativa para ensinar a ler, desenvolver a fluência na leitura oral e na interpretação de textos pela criança. Por ser um gênero que estimula o imaginário, sendo rico em significados, a habilidade da escrita também pode, perfeitamente, ser incentivada e melhorada, através da produção de poesias feitas pelos próprios alunos. Além disso, a musicalidade presente nos textos de Cecília aumenta a consciência fonológica dos alunos, auxiliando, assim, no processo de alfabetização.

 


O trabalho com poesias na alfabetização pode acontecer de formas distintas, em que diversas áreas do conhecimento são ativadas, isto é, desde o reconhecimento da repetição de um fonema, até o sentido estabelecido pela repetição desse fonema. Com isso, atividades variadas podem ser desenvolvidas com as poesias, tendo objetivos distintos, para atingir alunos em diferentes fases de aprendizagem.

 

 


Quando os alunos ainda apresentam pouca experiência com a leitura, as atividades podem ser de reconhecimento de sílabas e palavras que estão sendo trabalhadas pelo professor. É importante expor as poesias trabalhadas na sala de aula para que elas possam ser usadas sempre que necessário, ou seja, conforme os fonemas e sílabas são apresentados, estes podem ser identificados em poesias já lidas pela turma, para que os alunos percebam seu avanço na leitura. Com essas atividades, os fonemas e as palavras são apresentados dentro de um contexto estando sempre associados a textos.

 

 


Com o objetivo de verificar a fluência e, ao mesmo tempo, autonomia na leitura de palavras, os alunos podem receber as poesias com lacunas e as palavras que faltam para completar esses espaços. Após a leitura, eles devem colocar as palavras no local onde estas se encaixam, sempre recebendo feedback do professor. A escrita também pode ser contemplada com atividades em que os alunos devem escrever as palavras que estão faltando nas poesias, como um ditado contextualizado. Eles também podem ser convidados a interpretar e fazer sentido com atividades em grupo em que os versos são recebidos e depois colocados em ordem e, através da leitura da poesia original, os alunos checam se a ordem está correta e, caso não esteja, fazem as mudanças adequadas. Essas atividades contribuem para que os alunos ganhem maior confiança e intimidade com a leitura e escrita. Além disso, a leitura das poesias em voz alta ajuda a sentir o que as repetições representam dentro do contexto.

 

 


Apresentar as poesias em painéis envolve outras linguagens, uma vez que a criação destes busca a interpretação da poesia e a tradução daquilo que os alunos entenderam através de desenhos, onde, geralmente, todos dão palpites ao participarem de sua confecção. Por outro lado, algumas poesias são melhor apreciadas e entendidas se representadas pelos alunos, que podem buscar diferentes e interessantes formas de mostrá-las, criando uma atmosfera de união e troca tão importantes em qualquer ambiente escolar.

 

 


Numa época em que muito é discutido sobre os benefícios que o desenvolvimento de um trabalho eficaz com gêneros textuais traz para classes de alfabetização, o exposto acima demonstra a contemporaneidade das poesias de Cecília Meireles que, assim como vários outros escritores, deixou-nos um solo bastante fértil que pode ser explorado tanto para ensinar a ler quanto para ensinar a gostar de ler, já que poesias e alfabetização fazem um entrelace perfeito para a aprendizagem. Aqui está uma grande oportunidade de fazer com que esse entrelace aconteça, o que seria também uma bela homenagem à escritora Cecília Meireles.

 

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Referências Bibliográficas:
Zilberman, R & Silva, E.T. LEITURA : PERSPECTIVAS INTERDISCIPLINARES. EDITORA ÁTICA, 2004, SP.

 

 

Palmyra Baroni Nunes é professora do Ensino Fundamental da Prefeitura do Rio de Janeiro desde 1995, atuando como professora de Inglês no primeiro e segundo segmentos do Ensino Fundamental. Formada em Letras (Inglês/Literaturas) pela UERJ, com Mestrado em Linguística Aplicada pela UFF.

 

 

                               

 

 

 


   
           



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Segunda-feira, 16/09/2013

Como Trabalhar a Literatura Infantil e Juvenil de Maneira Lúdica em Sala de Aula

Tags: blogsderioeducadores, educopédia, mídias, especialistas, literatura infantil, juvenil.

A concepção de literatura infantil nos tempos modernos difere muito da concepção antiga. O próprio objeto livro sofreu transformações ao longo do tempo. No passado, os livros infantis possuíam uma intenção pedagógica, usados como pretexto para ensinar e disseminar valores como: nacionalismo, intelectualismo, moralismo e religiosidade.

 

 

Hoje, o conceito que temos de literatura é totalmente diverso. Nelly Novaes Coelho, em Literatura Infantil: Teoria, Análise, Didática, diz: “A literatura Infantil é, antes de tudo, literatura, ou melhor, é arte: fenômeno de criatividade que representa o mundo, o homem, a vida, através da palavra. Funde os sonhos e a vida prática, o imaginário e o real, os ideais e sua possível/impossível realização...”

 

Então, se pudermos enumerar algumas maneiras de se trabalhar a literatura no espaço escolar, na sala de aula, de maneira lúdica, teremos:

 

1ª) Não dar ao livro infantil e juvenil a função didático-moralizante. Definitivamente, a função da Literatura não é a convergência e sim a divergência. Como bem diz Franz Kafka: “Lemos para fazer perguntas.” O texto literário, sendo destinado à criança ou não, contém uma pluralidade de interpretações, em que cada leitor também é um autor, dialogando e participando da obra.

 


2ª) Explorar a parte tátil do livro. O livro é um objeto e o conhecimento infantil de maneira básica se processa pelo contato direto da criança com o objeto. Principalmente em crianças menores, em que o cérebro ainda não alcançou toda a capacidade na decodificação da linguagem escrita. Sendo de natureza abstrata e simbólica, a criança precisa ter contato, ver ilustrações, desenhos, sentir o livro. Então, nada de proibir o contato dos pequenos leitores por medo de sujar, rasgar ou amassar.

 

 


3ª) Crianças são imaginativas por natureza. Aproveitar essa capacidade é de fundamental importância nesse processo. Transpor a leitura para a dimensão espacial, deixando a criatividade livre para atuar, sugerindo que os leitores desenhem sobre a parte do livro que mais gostaram, construam dobraduras, personagens com sucatas, cenários, e que suas criações possam ser expostas num espaço criado pela escola para esse fim.

 

 


4ª) Montar peças teatrais ou até mesmo pequenos filmes com as histórias, fazendo com que os leitores percebam que o texto escrito pode assumir diferentes roupagens dependendo da adequação nas diversas expressões artísticas.

 

 


5ª) Oferecer livros de qualidade, sem estereótipos, preconceitos e artificialismos, que estejam comprometidos com a arte e o imaginário do leitor.

 

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Referência Bibliográfica:
COELHO, Nelly Novaes. Literatura Infantil : Teoria, Análise, Didática. 1ª Ed. São Paulo. Moderna, 2000.
 

 

Alessandra Firmo da Silva Santos é Especialista em Literatura Infantil e Juvenil, atua na E.M.(09.18.12) Maria Luíza Lima Silva e foi ganhadora do Concurso Leia Comigo, promovido pela FNLIJ em 2010 e 2011.

 

 

 

Cristiane Guntensperger Sousa

Contatos: cristiane.gun.sousa@gmail.com

Facebook: Cristiane Guntensperger

 

                               

 

 

 


   
           



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Segunda-feira, 09/09/2013

Best-sellers e Leitura Literária

Tags: blogsderioeducadores, educopédia, mídias, especialistas, literatura, best-seller.

A crítica literária diverge quanto ao valor das obras mais vendidas para o público juvenil. Apesar de a grande maioria dos estudiosos entenderem os best-sellers para jovens como uma literatura pobre, com uma estrutura pré-determinada e limitada, alguns conseguem se aproveitar dela para formar leitores, digamos, mais “exigentes”. Surgem questionamentos como: por que a maioria dessas obras é tão repelida pelos críticos se tantos jovens as leem? O mais importante é ler os autores canônicos?

 

Partindo da concepção de que literatura é o texto que toca nossa humanidade ao tratar da “matéria de que somos feitos: os sonhos, as ilusões, a dor, a disposição para renascer”1, os críticos desqualificam determinadas obras que, segundo eles, fogem a essas características. Inimigo obstinado da série Harry Potter, o crítico Harold Bloom, em entrevista, inspirou outros a ver séries recentes como Percy Jackson, Jogos Vorazes e Crepúsculo, não só como antiliteratura, mas como leituras nocivas.

 

 


É sabido que o texto literário, o do cânone, é aquele que requer certo esforço de quem o lê. Comungamos com o pesquisador Luiz Percival Leme Britto quando ele diz que precisamos assumir a dificuldade que é ler, sem que isso minimize sua importância ou assuste a quem se dedique a formar leitores. No entanto, entendemos que “a aquisição da competência ficcional é alcançada em estágios” 2.

 


 

 

Sabendo que a noção de cânone é uma construção social de adultos – e Peter Dickinson, citado por Hunt, lembra que “o olhar do adulto não é necessariamente um instrumento perfeito para discernir certos tipos de valores” 3 –, busquemos em nossas salas de aula dar voz aos jovens, fomentando conversas sobre leituras.

 

 


Nilma Lacerda, num artigo, questiona: “Como formar leitores se não oferecemos à criança textos literários próximos à sua sensibilidade e problemática?” 4 Atender às expectativas dos leitores não é ruim se pudermos, aos poucos, oferecer mais. Em sala de aula, ou fora dela, o diálogo sobre a leitura dessas obras, mediada por leitores vorazes, magos na linguagem, aventureiros ou sugadores de palavras, pode render, sim, muitos leitores.

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1-LACERDA, Nilma Gonçalves. Cartas do São Francisco: conversas com Rilke à beira do rio. 3ª ed. Il. Demóstenes Vargas. São Paulo: Global, 2003, p. 12.
2-HUNT, Peter. Crítica, teoria e literatura infantil. São Paulo: Cosac Naify, 2010, p. 177.
3-Ibidem. p. 88
4-LACERDA. 2003, p. 90

 

 

Alexandra Figueiredo é professora de Língua Portuguesa da rede municipal do Rio de Janeiro e especialista em Literatura Infantil e Juvenil pela Universidade Federal Fluminense, onde atualmente atua como Pesquisadora. Durante 3 anos (2010-2013) foi assessora de projetos da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ). http://lattes.cnpq.br/2660510964800276


 

 

 

Cristiane Guntensperger Sousa

Contatos: cristiane.gun.sousa@gmail.com

Facebook: Cristiane Guntensperger

 

                               

 

 

 


   
           



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Sexta-feira, 06/09/2013

Em cartaz: “ÓCULOS MÁGICOS”. Uma Animação Produzida por Alunos da Rede Pública

Tags: blogsderioeducadores, educopédia, mídias, especialistas, literatura, história.

O ônibus foi parando lentamente com os seus quarenta passageiros uniformizados. À direita, a Fundição Progresso, onde a exposição de longas e curtas metragens reunia animações nacionais e internacionais. Um festival. No coletivo, vozes ansiosas: “Chegamos?", "Podemos descer?”

 

Entre os passageiros estavam os autores, produtores e atores que, em 2012, produziram um curta de animação intitulado “Óculos Mágicos”¹. Eram alunos do 9º ano, da Escola Municipal Dunshee de Abranches.

 

Alunos do 9º Ano/2012 da EM Dunshee de Abranches com a Profª Maria José de Carvalho (História), no Festival Internacional de Animação (AnimaMundi), após a projeção do curta “Óculos Mágicos” em agosto de 2013.

Alunos do 9º ano da E. M. Dunshee de Abranches com a Profª  de História Maria José de Carvalho no Festival Internacional de Animação (AnimaMundi), após a projeção do curta “Óculos Mágicos”, em agosto de 2013.

 

O ponto de partida do projeto foi a leitura do livro “A Luneta Mágica em Quadrinhos”, da Editora Panda Books (2009). Este, por sua vez, interpreta a obra de Joaquim Manoel de Macedo, publicada no século XIX, em sua primeira edição. Então, foi reconstruída a narrativa com a inserção dos movimentos, que deram vida/alma (anima) às imagens. Um desenho animado!

 

Justificando essas escolhas, segundo Chartier (apud Rio de Janeiro, p.87)²: “ao construir diferentes percursos para ler os diferentes textos, o leitor torna-se também autor”, daí a utilização da linguagem HQ. Nela, os quadrinhos estão a serviço da imaginação e do movimento corporal (olhos e mãos) do leitor que “caminha” de uma cena a outra. Ela aproxima o estudante da linguagem literária na busca dos seus próprios percursos de leitura e de aprendizagem.

 

 


Ao ressaltar a importância dos vários modos de ver e uma certa miopia, física e moral, que dificulta o relacionamento humano, Macedo utilizou a luneta como objeto símbolo que, ora auxilia, ora prejudica a visão do bom senso. Evidencia-se aí, o tema transversal denominado pluralidade cultural.

 

Nesse uso convergente das mídias, a educação e a comunicação estão em diálogo permanente via novas tecnologias. Ainda que representem campos de conhecimento distintos, elas fundamentaram o caráter interdisciplinar da proposta, a serviço das disciplinas curriculares: História, Língua Portuguesa e Geografia.

 

Alunos do 9º Ano utilizando o software MUAN (Manipulador Universal de Animação).

 

A metodologia oferecida pelo Projeto Anima Escola³, em parceria com a SME/RJ, possibilitou o cronograma em etapas: Pesquisa; Roteiro; Storyboard; Confecção dos cenários e personagens; Filmagem; Edição.

 

Voltamos ao começo deste relato. A exposição em festivais internacionais ratificou o protagonismo dos alunos que, ao final, aplaudiram! Assim, o encantamento que o aprender animando exerce sobre os alunos atua como um terreno fértil na construção do conhecimento e no fortalecimento dos laços com o outro.

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1-Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=htWMyNN5lco.
2-CHARTIER, Roger. IN: RIO DE JANEIRO. A escola entre mídias. MultiRio, 2011.
3-Disponível em: http://www.animaescola.com.br/
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Maria José Carvalho é mestre em História pela UFF; pós-Graduada em EAD pelo SENAC/RJ. Foi docente de Didática e Prática de Ensino de História  na UFRJ e de História da Educação na UERJ, na UniverCidade e na Faculdade Cenecista. Atualmente é Professora de História na SME/RJ e Tutora da Pós-Graduação/EAD no CECIERJ/SEEDUC.

CV: http://lattes.cnpq.br/9801635356889135.
Última atualização/ publicação: 18/07/2013
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Cristiane Guntensperger Sousa

Contatos: cristiane.gun.sousa@gmail.com

Facebook: Cristiane Guntensperger

 

                               

 

 

 


   
           



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