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Quarta-feira, 28/09/2011

Professora Ana Paula Cavadas Rodrigues, exemplo que dignifica o magistério público municipal.

Tags: 10ªcre.

 

Foto em destaque acima : Ana Paula com os alunos da Turma 8301, da Escola Municipal Andebarã, contando com a presença do diretor Pedro Silva, em foto tirada para o Rioeduca em 8 de setembro de 2011. 

 

Professora Ana Paula Cavadas Rodrigues, regente da Turma 8301, da Escola Municipal Aldebarã, da 10ª Coordenadoria Regional de Educação, localizada na Comunidade de Antares, Santa Cruz, Zona Oeste do Rio de Janeiro.

 

A minha admiração pela professora Ana Paula Cavadas Rodrigues, começou antes mesmo de conhecê-la pessoalmente. Pelo Twitter, no mês de agosto de 2011, li algumas mensagens enviadas pela diretora adjunta da Escola Municipal Aldebarã, Ulyssia Maria Silva dos Santos, que chamava a atenção de todos para o trabalho abnegado da colega, em benefício do aprendizado dos seus alunos.

 


Na reunião de diretores, realizada no auditório do Planetário da Cidade das Crianças, por ocasião da SME Itinerante, em 31 de agosto de 2011, a própria secretária de Educação Claudia Costin, falando aos coordenadores e gestores das 8ª, 9ª e 10ª CREs, referiu-se à professora Ana Paula como um exemplo de superação das dificuldades e dedicação profissional, em uma “Escola do Amanhã”, localizada na Comunidade de Antares, que ainda é considerada uma das áreas conflagradas por ações de violência, no âmbito da Cidade do Rio de Janeiro.

 

Secretária de Educação Claudia Costin, que fez referências elogiosas à professora Ana Paula, na reunião com os coordenadores e diretores das 8ª, 9ª e 10ª CREs, durante a SME Itinerante, em 31 de agosto de 2011, no auditório do Planetário da Cidade das Crianças, em Santa Cruz.


Tendo participado da belíssima festa da cultura, realizada na Escola Municipal Aldebarã, no dia 8 de setembro de 2011, tive a feliz oportunidade de conhecer a professora Ana Paula Cavadas Rodrigues e acompanhar um pouco mais de perto o trabalho que ela vem desenvolvendo com seus alunos da turma 8301 do Projeto de Aceleração.

 

Professora Ulyssia Maria Silva dos Santos, diretora adjunta da Escola Municipal Aldebarã, grande incentivadora e divulgadora do trabalho realizado na Comunidade de Antares, por sua colega Ana Paula.


A trajetória da professora Ana Paula, que é formada em Biologia (Licenciatura e Bacharelado) pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e tem pós-graduação em Educação Ambiental pela Universidade de Brasília, inclui unidades da 6ª Coordenadoria Regional de Educação, onde deu aulas nas escolas Alexandre Farah e Charles Anderson Weaver e também na 10ª CRE, tendo passado pelo CIEP Roberto Morena e E.M. Doutor José Antonio Ciraudo, antes de ir para a Escola Municipal Aldebarã, por vontade própria de trabalhar com um dos projetos estratégicos desenvolvidos pela SME/Rio.

 


A professora, que mora no município de Nova Iguaçu e leva no mínimo uma hora e quinze minutos para chegar à Escola Aldebarã, já conhecia muito bem a realidade dos alunos que moram na Comunidade de Antares, muitos dos quais nunca saíram de Santa Cruz, nem mesmo para conhecer o bairro de Campo Grande, na Zona Oeste do Rio de Janeiro.

 


No início, as dificuldades foram muitas, pois, segundo Ana Paula, os adolescentes de sua turma são, de fato, alunos diferentes, uma vez que vivem em meio a grandes dificuldades devido ao baixíssimo nível socioeconômico de suas famílias. Tudo para eles é mais complicado e distante.

 


“Tinha dias que eu falava comigo mesma: não vou mais voltar aqui! Mas, logo em seguida, conhecendo as histórias tristes de vida de cada um, passava a compreendê-los melhor e percebi que era necessário tratá-los de forma diferenciada em relação às minhas turmas regulares.”

 


O que mais preocupava a professora Ana Paula, assim que começou o seu trabalho na Escola Municipal Aldebarã, era o desinteresse dos alunos do projeto, e o grande número de faltosos.

 

 

Foi então que ela, após conversar com o diretor Pedro Silva, resolveu visitar, casa por casa, as famílias dos seus alunos, tentando convencê-los e cativá-los para retornarem à escola. O próprio diretor, que mais tarde deu total apoio, achou que era muito perigoso, uma vez que a Comunidade de Antares é assim considerada, por ações de violência ocorridas em outras épocas.

 


Ana Paula, mesmo sabendo daquela fama estigmatizada de Antares como uma comunidade violenta, saiu em campo e passou a visitar as famílias dos seus alunos recalcitrantes ao ambiente da sala de aula, conseguindo assim aumentar significativamente a frequência da turma.

 


“Todos ficaram muito surpresos com a minha visita, pois as pessoas têm muito medo da comunidade, realmente ela é perigosa.”

 


Quando visitei a turma da Ana Paula Cavadas Rodrigues, ela mostrou-me um álbum de fotografias, com o registro das visitas às famílias dos seus alunos. Todos queriam disputar o álbum e mostrar, orgulhosos, seus rostos e suas casas, por mais simples que aparentavam.
Na sala de aula, com os trabalhos feitos por eles nos murais, é perceptível o avanço conquistado pela professora da Turma 8301, que soube obter a simpatia, o carinho e o respeito daqueles jovens considerados “difíceis”, compartilhando o afeto que eles tanto necessitam.

 

A professora Ana Paula Cavadas vem contando com total apoio do diretor Pedro Silva e da coordenadora pedagógica Roberta Gomes (foto acima), além do incentivo permanente da diretora adjunta Ulyssia Maria.


“Por mais que eu os respeite e os amem, eles são difíceis de trabalhar e muito violentos. Tem que ter muita paciência. Às vezes, tenho que brigar sério com eles, mas o amor e o carinho vencem a zanga! Eu realmente gosto muito dos meus alunos”.

 

Carinho, respeito e admiração dos alunos da professora Ana Paula. Foto tirada para o Rioeduca em 8 de setembro de 2011, na Escola Municipal Aldebarã, Antares, Zona Oeste do Rio.


Na Escola Municipal Aldebarã, a professora Ana Paula conta com total apoio da direção, tanto do professor Pedro Silva, como da adjunta Ulyssia e também da coordenadora pedagógica Roberta Gomes, que não medem esforços para ajudá-la em todos os seus projetos e ações.

 


Ana Paula é filha única de uma paciente crônica, pois a sua mãe, Ivone, com quem mora em Nova Iguaçu, teve que ser submetida a um transplante de fígado e requer acompanhamento mais atencioso. Ela e o seu marido Luiz, ainda cuidam com carinho e amor, dos filhos João Gabriel, de 13 anos e Christian, de seis anos, ambos em idade escolar e que, portanto, precisam de muita atenção e dedicação.

 


Sobre Antares, comunidade que Ana Paula passou a conhecer bem mais, depois que resolveu visitar as famílias dos seus alunos, a professora diz que é “esquecida, onde falta quase tudo o que se possa imaginar. Além disso, as pessoas não têm grandes perspectivas de vida, sendo a violência, ainda, uma característica marcante.

 


O exemplo dignificante da professora Ana Paula já vai sendo divulgado pela mídia. Recentemente ela recebeu a visita de uma equipe de jornalistas do Jornal “Folha de São Paulo” e também deverá ser entrevistada para uma apresentação da MultiRio.
Sobre isso, ela diz o seguinte:

 

Mesmo irreverentes, e por muito considerados "difíceis", os alunos da Turma 8301, da Escola Municipal Aldebarã, conquistaram o coração da professora Ana Paula.


“Fiquei muito envergonhada. Para dizer a verdade, nunca imaginei que esse trabalho fosse sair na mídia, ou que o meu nome fosse citado pela secretária Claudia Costin. Quando soube primeiro que a MultiRio iria na escola e depois o Jornal “Folha de São Paulo”, fiquei muito nervosa e apreensiva, agora estou bem mais calma, e alguns dos meus amigos, como o Rodrigo e o Maxuel falaram: Ana, isso é fruto do seu trabalho!”

 


Que belo trabalho a professora Ana Paula vem desenvolvendo na Escola Municipal Aldebarã, com seus alunos da turma 8301.

 


“Gostaria de colocar aqui duas opiniões: primeiramente no que diz respeito aos meus colegas. A vida do professor é muito corrida, o ideal seria passarmos mais tempo em uma única escola para desenvolvermos melhor o nosso trabalho. A segunda opinião diz respeito aos alunos, não apenas da Comunidade de Antares, mas de todas as comunidades que estão localizadas em área conflagradas ou de difícil acesso, penso que eles precisam estudar e trabalhar no contraturno, pois são adolescentes e jovens que permanecem boa parte do dia ociosos e acabam se tornando pessoas fáceis para o aliciamento pelo tráfico.”

 

É preciso estimular e reconhecer o trabalho de enfrentamento dos obstáculos realizado pela professora Ana Paula, que é excelente, não apenas por estar obtendo êxito com a sua turma 8301, de um dos projetos estratégicos da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro, mas pelo seu engajamento e comprometimento com o processo de aprendizagem de todos os seus alunos, independente das dificuldades que ela vem encontrando e superando ao longo do percurso.

 

 

 

 

                                          

 

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Comentários
Lindo amiga, você é ótima! Parabéns pelo trabalho maravilhoso !

Postado por Eliane Atallah em 27/09/2011 17:53

Parabéns pelo lindo e difícil trabalho! Sua dedicação sempre foi marcante. Estou na torcida. Bjs.

Postado por Gloria Regina em 27/09/2011 22:56

Querida Ana, você, além de ser uma mulher grande, é também uma grande mulher! Parabéns! Conte sempre conosco!

Postado por Erika Ueoka em 28/09/2011 14:21

Conheci a Paulinha na década de 90 em Queimados na Baixada Fluminense, onde trabalhamos por um bom tempo num C.I.E.P. da Rede Estadual. A Paulinha sempre gostou de desafios e não foge deles. Trabalhou comi go na Escola Municpal Alexandre Farah, onde fez também um excelente trabalho e deixou saudades. Galera aproveitem, pois a Paulinha sabe que eu a estou aguardando de volta no Farah. Beijos, Eliana ( Diretora Adjunta da E. M. Alexandre Farah )

Postado por Eliana Nonato Thomaz em 28/09/2011 18:52

Parabéns pela dedicação a causa por muitos díficil de contornar. abraços

Postado por MONICA FONSECA em 28/09/2011 19:49

Amiga, Parabéns pelo lindo trabalho, você merece.

Postado por nomeComentario em 28/09/2011 20:37

Muito bonito o trabalho dessa professora. Merece o reconhecimento que vem tendo, mas fica um alerta: é preciso mais colaboração e incentivo por parte da SME na realização de ações como a da vista às famílias. Ação fundamental na elevação da auto-estima desses jovens e de suas famílias.

Postado por Jacqueline Moulin em 03/10/2011 21:09