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Quinta-feira, 27/10/2016

Professores Inspiradores: Ana Balla

Tags: 3ªcre, inspiração, docente.

 

 

 

  É muito fácil  se apaixonar pelo trabalho desenvolvido pela professora Ana Balla à frente de suas turmas na E. M. Professor Visitação na 3ªCRE.  Aliando competência técnica, amor pela profissão e brilho no olhar, suas turmas ocupam lugar de destaque nas avaliações externas e internas da Rede. 

 

 

A série Professores Inspiradores surgiu, abraçada pela equipe do Rioeduca, como uma forma de se contar histórias sobre a vida, a trajetoria e a rotina de sucesso de  professores da Rede que, espalhados em diferentes unidades, possam inspirar professores pelo mundo com seus projetos de trabalho. A escolha é difícil pois tantos nomes vem à tona quando pensamos em inspiração. Professores que dedicaram suas vidas à docência e hoje estão aposentados, professores que hoje ocupam cargos administrativos, professores que já não estão mais entre nós. A Rede Municipal de Educação do Rio de Janeiro é repleta de talentos.

A professora Ana Maria Felix Balla é um desses talentos. E dá para sentir o motivo de seus sucesso com as crianças, com seus colegas de profissão e nos processos de Avaliação externa e provas da Rede. Em primeiro lugar pelo sorriso contagiante quando fala de cada projeto desenvolvido pela escola, depois pela enorme vontade de aprender e fundamentalmente pelo brilho no olhar que demonstra o compromisso extremo pelo oficio de educar. Entrevistá-la foi um privilégio e seu depoimento e imagens do seu arquivo pessoal  contarão essa rica história.

 

 

Meu histórico profissional é o percurso de uma professora que transitou por mais de duas décadas por funções administrativas do Ensino Fundamental e a prática pedagógica do Ensino Médio. Ingressei no Serviço Público Municipal, especificamente na Secretaria de Educação (SME-RJ), no ano de 1992 como agente educadora. Logo em seguida assumi uma função gratificada na Equipe de Direção do Ciep (03.12.503) Coronel Sarmento como Chefe III e pude contribuir, exercendo com prazer e eficácia, todo o apoio que se fazia necessário.

Durante esse período vivenciei importantes mudanças no Sistema Educacional de nosso Município, tentando sempre encontrar estratégias que viabilizassem questões operacionais.Também acompanhei, de perto, conflitos gerados ao conceber a leitura de mundo e a produção livre de textos pelo aluno, tendo como contexto a realidade brasileira de discentes moradores de áreas de risco.

 

 

Como universitária, experimentei uma formação influenciada e inspirada pela Pedagogia de Paulo Freire, concluindo o curso de LETRAS (Língua Portuguesa/Literatura) na Faculdade da Cidade e pós-graduada em Leitura e Produção Textual pela UFF.

Ingressei, posteriormente, no Curso de Pedagogia na Unicarioca, desafio que ainda estou por concluir. Paralelamente, e até hoje, sigo aproveitando, sempre que posso, as oportunidades de capacitações oferecidas pela SME-RJ, sem esquecer minha fundamental função, que é SEMPRE a de professor pesquisador. Estou convicta de que a pesquisa é base para uma melhor atuação de qualquer profissional. Pesquisando, posso planejar com mais consciência e no momento da prática sinto-me mais segura.

 

 

Recentemente, para minha alegria, ousei assumir uma posição no templo da alfabetização, o chão de uma sala de aula de primeiro segmento do Ensino Fundamental. Na minha experiência com alunos do ensino médio, ao perceber suas fragilidades, sempre me perguntava se não haveria algo a ser feito pelos alunos do primeiro segmento com a finalidade de minimizar dificuldades futuras e só saberia as respostas se passasse a fazer parte do cerne desta questão. Então prestei o concurso e dei andamento aos procedimentos.

Esta mudança não seguiu os parâmetros comuns porque o desejo de mediar conhecimentos entre os "miúdos" antecedeu à formação acadêmica exigida pelo concurso e apesar de já formada em Letras, não possuía o curso Normal e a princípio teria que desistir dos planos. Optei, no entanto, por não desistir e parti para a busca da certificação.

Não foi fácil, pois tinha o tempo contando contra mim e precisei de muita perseverança e determinação, mas o final foi feliz. Precisei pedir final de fila, mas recebi a documentação em uma determinada sexta-feira e tomei posse na segunda. Ufa!

Desde então venho alimentando cotidianamente a expectativa, o sonho e a alegria que senti no primeiro contato que tive com meus pequenos naquela sala de aula. Zelo para não perder este encantamento e me esforço para que seja mútuo.


 

 

Então, ainda era 2013 e a turma extremamente musical. As comemorações do Centenário de Vinícius de Moraes vieram viabilizar o desejo que já havia em todos nós dentro de sala. E ainda nos daria a oportunidade de abordagem em outras disciplinas, como Geografia, História, Artes, Literatura, Música etc.

As atividades giravam em torno do exercício da escrita através da música, desenvolvimento da oralidade, gosto pela poesia, danças, consciência do próprio corpo, autoestima, acesso às informações de hábitos sociais diferenciados. Privilegiamos também um conhecimento extenso e agradável sobre o autor e sua obra. Escolhemos encenar Garota de Ipanema por conta da graça e do charme envolvidos.

A culminância deu-se com uma linda apresentação de dança e teatro. Trouxemos a praia de Ipanema para o Méier com sua areia e calçadão, guarda-sol, bolas e petecas, vendedores de biscoito Globo e mate Leão. Não faltou sol, nem céu azul. Como convidados especiais, é claro, Tom e Vinícius. Garotas de Ipanema, várias. O garçom amigo de Tom e Vinícius também deu o ar de sua graça. Figura importante. Foi contagiante o espetáculo.

Aprendemos brincando. Criança precisa brincar, pois essa é sua linguagem. 

 

 

Depois de toda paixão desenvolvida por Ipanema no projeto anterior, ampliar este sentimento para outros recantos da Cidade do Rio de Janeiro foi um pulo. As atividades de leitura e escrita durante esse período abordaram pontos turísticos do Rio, como Jardim Botânico, Morro do Corcovado e Cristo Redentor, Pão de Açúcar e, claro, nossas lindas praias que já sabíamos que tinham encantadoTom e Vinícius. O mural se tornou um porta cartões postais.

As "carioquices", as quais dominamos tão bem, estiveram presentes nas brincadeiras, vídeos e músicas. Prestigiamos a canção de Gilberto Gil chamada "Aquele Abraço". Em particular, me chamou atenção o grande interesse que demonstraram por leitura de mapas e pelo Globo Terrestre.

 

 

Foi com a turma 1201 no ano 2014 claro, Copa do Mundo.

Estavam todos empolgados e criar motivação não foi problema. O tema era rico e podíamos explorar toda mistura cultural que brota de um evento como este. Assistíamos muitos vídeos que davam início às rodas de conversas. Tivemos oportunidade de viajar virtualmente por várias partes do mundo. Isso foi despertando curiosidades e desejo de conhecerem outras culturas e costumes.

As atividades foram distribuídas entre confecção de murais (lindos) com figuras humanas possuindo diferentes características físicas (com o foco no respeito às diferenças) , passamos pelas preferências gastronômicas de cada povo e treinamos a leitura e escrita com receitas básicas, como oportunamente matemática em medidas e capacidades. Trabalhamos questões de meio ambiente e a preservação de animais ameaçados de extinção como tatu bola (mascote) que tem seu habitat no cerrado e caatinga do Brasil e então nos inclinamos para geografia também. Foi muito abrangente e como sempre, a música se fez presente.

O encerramento foi marcado por uma coreografia fantástica para toda comunidade escolar e jamais esqueceremos. Ficou lindo! Sensacional mesmo!!!!!

 

 

Ainda nas palavras da Professora Ana Balla:

Venho construindo-me professora e eles, da mesma forma, alunos. Nossas trocas e relação saudáveis são o combustível para esse processo. Sabemos que temos funções diferentes, mas com valores equiparados e gostamos disso.

Neste CHÃO venho reunindo aos conhecimentos dos meus pequenos, a iniciação de conteúdos universais e transversais, que são base firme para o desenvolvimento emocional, social e político de futuros e plenos cidadãos.

É com muita satisfação que analiso este bom começo, visto que, a turma em que pude investir durante três anos seguidos, junto com toda comunidade escolar da Escola Municipal Professor Visitação, apresentou tão bom resultado nas avaliações externas, para alegria de todos. Ainda há muito que crescer, aprender, ensinar, trocar experiências com outras/outros profissionais e encorajar aos que estão chegando a arriscar com intrepidez neste rico espaço da Educação.

 

 

Muito obrigada Professora Ana Balla pelas liçoes diárias, pela sua generosidade em partilhar o que sabe e principlmente pela sua postura de ser uma eterna arendiz.

Feliz Dia do Mestre!

 

 


   
           



   
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