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Segunda-feira, 19/10/2015

A Geração Z em Nossa Sala de Aula - Entrevista com Sônia Bertocchi

Tags: entrevista, professor, inovação, .

 

 

 

A educadora Sônia Bertocchi nos concedeu uma entrevista na qual nos fala de sua visão desta geração que lida com tanta facilidade com as novas tecnologias e que, ao mesmo tempo, necessita ainda de nossa mediação.

 

Leia essa entrevista, veja ideias de como usar infográficos, e nos conte o que achou de relevante. Vamos lá?

 

RIOEDUCA - Como usar a tecnologia digital em sala de aula?

SÔNIA BERTOCCHI - Se olharmos à nossa volta, constatamos que vários setores da sociedade incorporaram, já há algum tempo, as novas tecnologias da informação e comunicação ao seu dia-a-dia.

Alguns rápida e intensivamente, como o setor bancário, a indústria, o comércio, as clínicas médicas, o setor de entretenimento etc. Os setores que mais avançaram no uso de novas tecnologias foram buscar nelas formas de potencializar, de alguma forma, suas ações para obterem um melhor resultado.

Outros setores com menos rapidez. Entre eles, a área da educação. Penso que o motivo para se usar tecnologia em sala de aula deveria ser o mesmo que o dos outros setores. No nosso caso, o resultado esperado é a aprendizagem.

Assim, o professor deve buscar sempre conhecer recursos digitais, e identificar neles as funcionalidades que vão colaborar para uma aprendizagem mais eficiente e eficaz: recursos digitais que ofereçam possibilidade de comunicação, de interatividade, de socialização de saberes, espaços para debates, compartilhamento de ideias, busca de informações e personalização do ensino para que fomentem a prática de registros de processos.

A partir dessa identificação de recursos, aliada à intencionalidade pedagógica, o professor precisa se ancorar sempre em metodologias, fazer um bom planejamento de atividades, criar estratégias realistas.  

 

 

RIOEDUCA - O aluno da geração Z não consegue se concentrar em uma aula expositiva. Você teria outra sugestão para auxiliar esse professor?

SÔNIA BERTOCCHI - Acredito que o aluno, em tempo algum, tenha tido facilidade em se concentrar em uma aula expositiva. Sempre foi muito cansativo: o foco está no professor e o aluno funciona como agente passivo, um receptor apenas das informações.

Investir em atividades que privilegiem o diálogo, a interação é um caminho para se conseguir o engajamento, o envolvimento do aluno. Criar oportunidades em sala de aula para ouvir questionamentos, promover situações em que o aluno possa formular e expressar críticas, fomentar debates são também estratégias que colaboram para que o aluno se concentre mais nas atividades.
 

RIOEDUCA - Há uma ideia de que o computador vai resolver todos os problemas na escola. Você concorda com isso?

SÔNIA BERTOCCHI - Esta é uma ideia equivocada que se disseminou: escola que tem computadores tem educação de melhor qualidade. Não é verdade. Os problemas atuais da educação se resolvem, em sua maior parte, com bons projetos pedagógicos, boa formação dos professores, com boas metodologias, com a integração da escola e comunidade escolar.

Computadores, notebooks, netbooks, tablets e telefones celulares são apenas ferramentas que podem (ou não) funcionar como meio para se chegar a uma educação de melhor qualidade. Quem vai decidir sobre isso é sempre um professor bem formado. É ele que dará significado, sentido às funcionalidades da ferramenta. É dele que parte a intencionalidade pedagógica.

 

RIOEDUCA - No seu blog Lousa Digital, observamos vários infográficos. Como esses recursos podem ajudar no processo ensino-aprendizagem?

SÔNIA BERTOCCHIOs infográficos - quadros informativos que misturam texto e ilustração - servem para passar uma informação visualmente. Ou seja: mostram a informação, focam nos aspectos relevantes e têm um grande apelo visual porque abusam de imagens, cores, formas e movimentos.

Considerando que guardamos apenas 10% do que lemos, 20% do que escutamos, 30% do que vemos e 50% do que vemos e escutamos, usar infográficos como recurso didático faz todo sentido.

Sempre lembrando que, na internet, temos a possibilidade de inserir interatividade e outras mídias em um infográfico, como áudio e vídeo.

Veja o exemplo de infográfico interativo: As nossas cidades.

 

 

RIOEDUCA - Como você vê o uso de celulares em sala de aula?

SÔNIA BERTOCCHI - O celular é um grande aliado do professor em sala de aula. Muitos pensam exatamente o contrário. Vêem no celular um inimigo, um vilão. Há, inclusive, leis municipais e estaduais que propõem proibições para o uso do celular nas escolas. Nas redes de ensino onde isso já é praticado, justifica-se que só mesmo com a proibição legal garante-se a autoridade do professor que, dessa forma, amparado pela lei, pode se fazer respeitar durante suas aulas, proibindo o uso do celular. “Celular na escola, não!” ou, como dizem os não tão radicais, “celular durante a aula, não!”.

Mas, sempre pergunto: por que mesmo não pode?

Para responder a esta pergunta, sataniza-se o equipamento, o celular, e destaca-se o quanto os alunos, crianças e jovens,se envolvem com tudo o que a tecnologia de informação e comunicação possibilita, deixando assim de se interessarem pelas aulas dos seus professores. Então, nesse caso, a opção melhor é mesmo proibir, censurar, pois se trata de uma concorrência desleal, argumenta a maioria. 

No entanto, com esse tipo de censura, perde a educação e perde a sociedade. 

Não seria interessante transformar o vilão em mocinho? Colocá-lo a favor do professor em sala de aula? Afinal, com ele, o aluno pode pesquisar, pode fazer registros, gravar áudios, vídeos, escrever e enviar textos, se comunicar, enfim, pode realizar uma série de atividades que são pertinentes a atividades do processo ensino-aprendizagem. Mas isso exige que o professor faça um bom planejamento, que mostre esse planejamento aos alunos de forma que fique claro a eles que as atividades estão integradas a um contexto, a um projeto, a uma atividade.

Essas e outras opiniões sobre celular em sala de aula estão em um artigo que escrevi com meu amigo Claudemir Viana: Pelo celular... lá na escola.

 


 

 

Sônia Bertocchi é educadora, cofundadora e diretora pedagógica da Ideário Consultoria em Educação. Máster em Gestão e Produção de Ambientes Virtuais de Aprendizagem pela Universidade Carlos III de Madri.

 

 

 

 

 

                               

 

 

 


   
           



   
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