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Sexta-feira, 06/09/2013

Em cartaz: “ÓCULOS MÁGICOS”. Uma Animação Produzida por Alunos da Rede Pública

Tags: blogsderioeducadores, educopédia, mídias, especialistas, literatura, história.

O ônibus foi parando lentamente com os seus quarenta passageiros uniformizados. À direita, a Fundição Progresso, onde a exposição de longas e curtas metragens reunia animações nacionais e internacionais. Um festival. No coletivo, vozes ansiosas: “Chegamos?", "Podemos descer?”

 

Entre os passageiros estavam os autores, produtores e atores que, em 2012, produziram um curta de animação intitulado “Óculos Mágicos”¹. Eram alunos do 9º ano, da Escola Municipal Dunshee de Abranches.

 

Alunos do 9º Ano/2012 da EM Dunshee de Abranches com a Profª Maria José de Carvalho (História), no Festival Internacional de Animação (AnimaMundi), após a projeção do curta “Óculos Mágicos” em agosto de 2013.

Alunos do 9º ano da E. M. Dunshee de Abranches com a Profª  de História Maria José de Carvalho no Festival Internacional de Animação (AnimaMundi), após a projeção do curta “Óculos Mágicos”, em agosto de 2013.

 

O ponto de partida do projeto foi a leitura do livro “A Luneta Mágica em Quadrinhos”, da Editora Panda Books (2009). Este, por sua vez, interpreta a obra de Joaquim Manoel de Macedo, publicada no século XIX, em sua primeira edição. Então, foi reconstruída a narrativa com a inserção dos movimentos, que deram vida/alma (anima) às imagens. Um desenho animado!

 

Justificando essas escolhas, segundo Chartier (apud Rio de Janeiro, p.87)²: “ao construir diferentes percursos para ler os diferentes textos, o leitor torna-se também autor”, daí a utilização da linguagem HQ. Nela, os quadrinhos estão a serviço da imaginação e do movimento corporal (olhos e mãos) do leitor que “caminha” de uma cena a outra. Ela aproxima o estudante da linguagem literária na busca dos seus próprios percursos de leitura e de aprendizagem.

 

 


Ao ressaltar a importância dos vários modos de ver e uma certa miopia, física e moral, que dificulta o relacionamento humano, Macedo utilizou a luneta como objeto símbolo que, ora auxilia, ora prejudica a visão do bom senso. Evidencia-se aí, o tema transversal denominado pluralidade cultural.

 

Nesse uso convergente das mídias, a educação e a comunicação estão em diálogo permanente via novas tecnologias. Ainda que representem campos de conhecimento distintos, elas fundamentaram o caráter interdisciplinar da proposta, a serviço das disciplinas curriculares: História, Língua Portuguesa e Geografia.

 

Alunos do 9º Ano utilizando o software MUAN (Manipulador Universal de Animação).

 

A metodologia oferecida pelo Projeto Anima Escola³, em parceria com a SME/RJ, possibilitou o cronograma em etapas: Pesquisa; Roteiro; Storyboard; Confecção dos cenários e personagens; Filmagem; Edição.

 

Voltamos ao começo deste relato. A exposição em festivais internacionais ratificou o protagonismo dos alunos que, ao final, aplaudiram! Assim, o encantamento que o aprender animando exerce sobre os alunos atua como um terreno fértil na construção do conhecimento e no fortalecimento dos laços com o outro.

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1-Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=htWMyNN5lco.
2-CHARTIER, Roger. IN: RIO DE JANEIRO. A escola entre mídias. MultiRio, 2011.
3-Disponível em: http://www.animaescola.com.br/
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Maria José Carvalho é mestre em História pela UFF; pós-Graduada em EAD pelo SENAC/RJ. Foi docente de Didática e Prática de Ensino de História  na UFRJ e de História da Educação na UERJ, na UniverCidade e na Faculdade Cenecista. Atualmente é Professora de História na SME/RJ e Tutora da Pós-Graduação/EAD no CECIERJ/SEEDUC.

CV: http://lattes.cnpq.br/9801635356889135.
Última atualização/ publicação: 18/07/2013
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Cristiane Guntensperger Sousa

Contatos: cristiane.gun.sousa@gmail.com

Facebook: Cristiane Guntensperger

 

                               

 

 

 


   
           



   
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