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Quinta-feira, 09/04/2015

Escola na Mídia - Escola Municipal Dom Pedro I

Tags: 7ªcre.

 

 

“Urubu tem asas” e “Aventuras cariocas”
Curtas são usados para ajudar na valorização do ecossistema brasileiro


Tony Carvalho



 O Rio de Janeiro vive um momento de ampliação urbana econômica que vem gerando impactos sobre os fragmentos florestais que restaram na cidade. Reconhecer os benefícios e as possibilidades de uso sustentável desses ambientes é fundamental para a sua valorização e preservação, segundo o professor André Ribeiro, de Geografia, que por isso, em parceria com a coordenadora pedagógica Marleyde Fernando, da Escola Municipal Dom Pedro I, decidiu realizar o projeto do Ecossistema da cidade do Rio de Janeiro: conhecer para valorizar.

“Muito se fala na preservação da Mata Atlântica, mas é comum desassociarmos os locais de mangue e restinga como pertencentes a este ecossistema. A falta de conhecimento dessa realidade impede a compreensão sobre a importância econômica desses ambientes”, justifica André, que solicitou a coordenadora o trabalho de campo para complementar as aulas teóricas.

O tema contemplava os conteúdos trabalhados com os alunos do 6º ano, principalmente em relação à interação relevo, solo e vegetação, matéria presente nas disciplinas de Ciências e Geografia. Dois professores desta última, Maria Augusta Gonçalves e Alex Rocha, participaram do projeto falando sobre as rochas.

 

 

A preparação para o passeio pedagógico foi sendo trabalhada desde o terceiro bimestre. Para começar a atividade, os alunos participaram de aulas expositivas através de imagens de mapas e satélites da cidade, observaram fotos dos ecossistemas de mangue e restinga, acompanharam aulas no laboratório de Ciências da escola sobre rochas e minerais, e assistiram ao curta “Urubu tem asas”, dos diretores André Rangel e Marcos Negrão, e a série “Aventuras cariocas”, com episódios: mangue, restinga e floresta, produzida pela MultiRio.

A coordenadora pedagógica ressalta que os alunos foram incentivados a enxergar o passeio pedagógico como aula, o que foi fundamental para que vivenciassem a questão com seriedade e tivessem um bom aproveitamento.

O passeio permitiu que os alunos conhecessem as características dos ecossistemas de mangue e restinga. Para isso houve dois momentos: o primeiro deles foi à Reserva Biológica Estadual de Guaratiba. Neste ponto foram utilizados um mapa e uma imagem aérea da cidade para observar a localização da escola, do manguezal e do trajeto percorrido. Após esse momento as turmas visitaram o local, percorrendo uma pequena trilha que permitiu uma boa visão do ambiente.

O segundo ponto foi o Parque Natural Municipal Chico Mendes, no Recreio dos Bandeirantes, onde há um dos poucos fragmentos de vegetação de restinga que restou nessa região. Foi realizada uma pequena caminhada com o objetivo de os alunos avaliarem e sentirem os fatores bióticos e abióticos que compõem esse tipo de ambiente. Um momento que chamou bastante a atenção do grupo foi à visitação ao viveiro onde havia muitos jacarés.

 

 

Segundo André, a aula passeio foi uma oportunidade rara, que serviu para discutir sobre a importância de nossas atitudes individuais para a preservação do ambiente que nos cerca, além de propiciar a experiência de conhecer um dos poucos fragmentos de restinga e mangue que sobraram na cidade. Eles reconheceram a possibilidade de uso sustentável e econômico do ecossistema para várias atividades, como alimentação, paisagismo, turismo e recursos medicinais.

Outro aspecto que chamou muito atenção dos alunos foi o momento histórico de crescimento urbano, com a construção de túneis e a ampliação de vias para a realização dos eventos esportivos que acontecerão no Rio de Janeiro, o que permitiu a reflexão sobre os impactos ambientais que poderão ocorrer.

O pequeno Manoel, que teve oportunidade de entrar no mangue, compreendeu a importância de se cuidar do meio ambiente: “Observei as características do local. Gostei mais do manguezal, onde entrei, peguei conchas e vi vários tipos de mangue, vermelho, branco e preto. Foi a chance de ter uma aula de campo, mas vimos também latinhas de guaraná e sacos de biscoito”, afirma.

Para Marleyde, é sempre uma recompensa ver os estudantes se desenvolvendo a partir do concreto: “Vibramos com as crianças e professores sujos de lama. A aprendizagem fica mais significativa quando o próprio aluno coloca a mão na massa. Eles voltaram animados, querendo mais e mostrando que aprenderam. Essa prática permite que eles saibam que não é só no pantanal que existem jacarés, e que o conhecimento científico, associado com o real, faz com que as coisas ganhem outro significado.” 

 

Publicado na revista Educar nº 92, da APPAI
 

 

 

                               

 

 

 


   
           



   
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