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Quinta-feira, 14/04/2016

Letramento Crítico nas Aulas de Inglês

Tags: letramento, inglês.

 


   

 

 

 

 

O termo letramento, do inglês literacy, foi trazido para o Brasil pela autora Mary Kato, em 1986. Soares (2012) deixa claro que letramento não compreende somente a habilidade de ler e escrever, mas vai além disso, ele permite a apropriação da escrita como forma de atuação consciente nas práticas sociais. A autora Kleiman (2008: p.15) afirma que o conceito de letramento “[...] começou a ser usado nos meios acadêmicos como tentativa de separar os estudos sobre o impacto social da escrita dos estudos sobre a alfabetização, cujas conotações destacam as competências individuais no uso e na prática da escrita.”. O Letramento Crítico (doravante LC), segundo Cervetti, Pardales, Damico (2001: p. 12), é definido como uma proposta de leitura que visa à “formação de um mundo mais justo através da crítica aos atuais problemas políticos e sociais e da proposição de soluções”, tal crítica se dá através da leitura, reflexão e questionamento das mensagens dos diferentes textos a que os estudantes são expostos. Com isso, trabalhar o LC nas aulas de inglês possibilita a formação de cidadãos críticos, conscientes e não somente reprodutores de ações e discursos.


Ainda sobre os autores acima citados (2001: p.4), ao lermos um texto dos mais diversos gêneros disponíveis no meio social (charge, anúncio publicitário, letra de canção, artigo jornalístico etc) temos que ter em mente que a informação e conhecimento por ele passados não são neutros, ele é ideológico por expor o ponto de vista de um grupo social em específico ou mesmo o interesse pessoal do autor.


Lopes, Andreotti , Menezes de Souza (2006) salientam que o LC é o desenvolvimento da consciência crítica e de questionamentos das ideias defendidas pelo texto. O leitor, então, precisa levar em consideração algumas questões como, por exemplo:


*Quais as ideias e potenciais implicações das sentenças no texto?
*Como a realidade é definida? Quem define?
*Em nome de quem? Beneficia a quem?
*Quais as limitações e perspectivas?
*Como as sentenças e/ou palavras poderiam ser interpretadas em diferentes contextos?
 

Dessa maneira, os estudantes-leitores têm a possibilidade de questionar as diversas formas de dominação e perpetuação das desigualdades social e econômica na leitura de um texto. 
Para Paulo Freire, um dos precursores do LC, “a leitura da palavra não é apenas precedida pela leitura do mundo, mas por uma certa forma de ‘escrevê-lo’ ou de ‘reescrevê-lo’, quer dizer, de transformá-lo através de nossa prática consciente.” (FREIRE. 1989: p.13). O LC permite que o aluno não somente desenvolva habilidades linguísticas nas aulas de língua inglesa, mas preconiza a formação de cidadãos críticos e conscientes a partir da interação, diálogo com seus pares e questionamentos dos conceitos e preconceitos quase que “institucionalizados” pela sociedade e pela própria família (SOUZA: 2014. p.41). 
Como vimos, o objetivo do LC é viabilizar desconstruções de reproduções de falas e atitudes que não passaram por reflexões para um agir mais consciente. Como preconiza Matos & Valério (2010) e Jordão & Fogaça (2012), as aulas de Inglês não só têm o intuito de desenvolver a competência comunicativa do aprendiz, mas também formar o indivíduo cidadão. O aluno, com isso, pode se tornar protagonista de sua própria realidade, questionando-a, interferindo e, se possível, modificando-a.

 

Referências Bibliográficas:


CERVETTI, G., PARDALES, M. J., & DAMICO, J. S. (2001). A Tale of Differences: Comparing the Traditions, Perspectives, and Educational Goals of Critical Reading and Critical Literacy. Reading Online. Disponível em:< http://www.readingonline.org/articles/art_index.asp?HREF=/articles/cervetti/index.html > Acesso em: 4 de jan. 2016.

FREIRE, Paulo. Educação como Prática da Liberdade. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1989.

JORDÃO, C. M.; FOGAÇA, F. C. Critical literacy in the English language classroom.In: D.E.L.T.A., 28:1, 2012, p.69-84

KATO, M. A. No mundo da escrita: uma perspectiva psicolingüística. 7.ed. São Paulo: Ática, 2003.

KLEIMAN, Angela B. (Org.). Os significados do letramento: uma nova perspectiva sobre a prática social da escrita. Campinas: Mercado das Letras, 2008.

LOPES,M.C.L.; ANDREOTTI,V.; MENEZES DE SOUZA, L.M.T. Uma breve introdução ao letramento crítico na educação em línguas estrangeiras. Paraná, 2006. p.6. Disponível em:< http://pt.scribd.com/doc/7965991/letramento-critico> Acesso em: 6 de jan. 2016.

SOARES, Magda. Letramento: um tema em três gêneros. Belo Horizonte: Autêntica, 2012.

SOUZA, Gasperim Ramalho de. Novos significados para o ensino e aprendizagem de inglês: o letramento crítico em uma turma de aceleração. Dissertação de mestrado. UFMG. Faculdade de Letras. 2014.
 



   


      

  Patricia Miranda Medeiros Sardinha 

patymime@yahoo.com.br 


 Professora da rede estadual de ensino do Rio de Janeiro.Graduada em Letras Português/Inglês pela UERJ/FFP. Especialista em Língua Portuguesa na UERJ/FFP. Mestranda do  Programa de Mestrado Profissional em Práticas da Educação Básica no Colégio Pedro II. 

 

 

 

 


   

 


                                    


 

 

 

 


   
           



   
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