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Sexta-feira, 03/06/2016

O Uso de Imagens Como Instrumento de Letramento


 

 


   

O uso de imagens como instrumento de letramento: a Pedagogia dos Multiletramentos na Educação Infantil

 

 

 

 

 

 

Como sabemos, nas classes de pré-alfabetização é importante o trabalho com múltiplas linguagens, estimular a criatividade, enriquecer as experiências e também preparar a criança para sua futura alfabetização, com tarefas relevantes e significativas para ela (KATO, 2002). Nas atividades de contação de histórias a partir de imagens, por exemplo, a criança une com a fantasia elementos que traz da sua realidade. Assim, ela cria suas próprias narrativas, fazendo uso de diversas modalidades que o livro apresenta.


O estudo sobre a multimodalidade torna-se cada vez mais necessário, pois as formas pelas quais os textos se apresentam, digitais ou não, têm incorporado cada vez mais aspectos que os enriquecem, entre eles a imagem. “Assinala-se, então, a relevância de expandir a abordagem dos textos multimodais, sua significação dentro de um contexto social e a necessidade de ampliar a leitura de textos que extrapolam o modo semiótico verbal” (SANTOS, 2008). Nesse sentido, a leitura em livro sem legenda é importante para o desenvolvimento de um trabalho em que a criança tenha participação ativa na leitura, com vistas a criar narrativas orais por meio do estímulo imagético.


Ao se inserir em um ambiente letrado, o aluno se apropria do mundo da leitura, e a imagem exerce a função de aproximá-lo do livro. A partir do momento em que o poder sobre o livro e sobre o seu conteúdo sai das mãos do adulto, a criança pode assumir o papel de autora e fazer uso da sua criatividade. O papel do professor, nesse caso, é mediar essa aproximação, enriquecendo o momento de contação e criação de histórias com a valorização de sua produção e estímulo à sua percepção visual.

Partindo do pressuposto de que a escola é uma das agências mais importantes de letramento, a leitura deve ser eixo norteador de todo processo de ensino e aprendizagem e, por isso, deve ser considerada uma prática voltada para a formação de leitores e não de “alfabetizados”. (ROJO, 2012, p. 82)

O contato da criança com a leitura acontece muito antes do seu ingresso nas classes de alfabetização e, com as novas tecnologias e recursos multimodais, este contato tem sido cada vez mais constante. A Educação Infantil é um espaço privilegiado para o trabalho com os diversos sistemas semióticos, sobretudo a imagem. 


O Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (RCNEI) se apresenta em três volumes e engloba crianças de 0 a 6 anos de idade, traz as diversas vertentes das variadas idades da Educação Infantil e são explanadas como subsídio para o educador orientar o seu trabalho. Para crianças de 0 a 3 anos, o RCNEI destaca como objetivos para o trabalho da linguagem oral e escrita: 

Nas sociedades letradas, as crianças, desde os primeiros meses, estão em permanente contato com a linguagem escrita. É por meio desse contato diversificado em seu ambiente social que as crianças descobrem o aspecto funcional da comunicação escrita, desenvolvendo interesse e curiosidade por essa linguagem. Diante do ambiente de letramento em que vivem, as crianças podem fazer, a partir de dois ou três anos de idade, uma série de perguntas, como “O que está escrito aqui?”, ou “O que isto quer dizer?”, indicando sua reflexão sobre a função e o significado da escrita, ao perceberem que ela representa algo. (BRASIL, 1998, p. 22, 2 v)

A descrição acima mencionada nos remete diretamente ao conceito base desta pesquisa que é o conceito de letramento. A interação começa na família e, em seguida, na escola onde a mesma deve oferecer um ambiente letrado e atividades significativas através das quais a criança poder fazer o uso social da escrita e ser sujeito da sua ação. Sendo assim:
O letramento é muito mais que alfabetização. O letramento é um estado uma condição; o estado ou condição de quem interage com diferentes portadores de leitura e escrita, com diferentes tipos e gêneros de leituras e escritas com as diferentes funções que a leitura e a escrita desempenham na sociedade. (SOARES, 2006, p. 58)

É válido ressaltar que acreditamos que não deve ser utilizado nenhum método de alfabetização na Educação Infantil, pois esse não é o momento em que a criança precisa ser alfabetizada, por isso a importância de diferenciar o termo alfabetização do termo letramento. Destacamos ainda que a criança, mesmo aquela do Maternal I que compreende a faixa etária de 2 e 3 anos, já está se relacionando com a tecnologia e seu avanço diário. É essa inovação tecnológica constante e a emergência de inserir as crianças da educação infantil nas práticas sociais desde então que irá nos levar à Pedagogia do Multiletramentos (ROJO, 2012). 


O conceito de multiletramentos é definido por Rojo (2012) como dois tipos específicos e importantes de multiplicidades presentes em nossas sociedades, principalmente urbanas, na contemporaneidade: a multiplicidade da cultura das populações e a multiplicidade semiótica de constituição dos textos por meio dos quais ela se informa e se comunica. 


Concluímos, então, que a Pedagogia dos Multiletramentos vai além de teorias sobre as várias formas de se letrar ou de trabalhar as diversas vertentes do letramento. Os multiletramentos também representam um cunho sócio-cultural, onde os letramentos múltiplos são portas para a inclusão social através de práticas pedagógicas relevantes para o aluno, desde a Educação Infantil.

 


Referências: 


KATO, M. (Org.). A concepção da escrita pela criança. Campinas: Pontes, 2002.

PRADO, Iara, Santos, Marilene, Referencial Curricular Nacional para educação, Ministério da Educação e do Desporto, Secretaria de Educação Fundamental. — Brasília: MEC/SEF, 1998.

ROJO, (Org.) Multiletramentos na escola. São Paulo: Parábola, 2012.


SANTOS, Záira. A construção de uma leitura multimodal em Língua estrangeira.
Revista Educação em Destaque. Juiz de Fora, v. 1, n. 2, p. 75-86, 2. sem. 2008.

SOARES, Magda Becker. Letramento: um tema em três gêneros. 2 ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2006.

 


  
 

Ana Carolina Vieira de Brito possui graduação em Pedagogia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (2009) e Especialização em Administração e Planejamento da Educação também pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (2012). Atualmente é Professora de Educação Infantil - PEI da prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro e mestranda do curso de mestrado profissional em educação básica do Colégio Pedro II. Participa do Grupo de Estudos e Pesquisas em Lingua(gem) e Projetos Inovadores na Educação (GEPLIED), liderado pela Profa. Dra. Alda Maria Coimbra Aguilar Maciel e cuja missão é elaborar projetos e gerar ações que promovam o desenvolvimento de práticas pedagógicas inovadoras.

 

 

 

 

 

 


   


     

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

                               


 

 

 

 



 



 

 


   
           



   
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