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Terça-feira, 21/05/2019

EDI Professora Maria Berenice Parente - 7ªCRE

Tags: 7ªcre ; projetos.

 

Trabalhando linguagem e relações étnico-raciais na Educação Infantil a partir da atividade Gabriella vai passear!

 

A turma EI-56 do Pré II do EDI Professora Maria Berenice Parente trabalhou a linguagem e as relações étnico-raciais, no mês de abril, através da atividade Gabriella vai passear.

 

 

A atividade trabalhou com o Campo de Experiência: O Eu, o outro e o nós, sugerido pela BNCC explorando, principalmente, os seguintes objetivos:

  • Desenvolver o sentimento de pertencimento de grupo por meio da valorização da linguagem.
  • Produzir suas próprias histórias orais com elementos da narrativa, como personagens, tempo e contexto.
  • Superar as limitações expressando ideias e sentimentos utilizando diversas linguagens e gêneros textuais.
  • Demonstrar empatia pelos outros, percebendo que as pessoas têm diferentes sentimentos, necessidades e maneiras de pensar e agir.
  • Construir representações positivas em relação às próprias características e às características do outro, possibilitando, desde cedo, o enfrentamento de práticas de racismo e outros tipos de preconceitos.

 

Brincando com a boneca Gabriella.

 

Veja o relato enviado pela professora Iolanda Nunes:

O que são os Campos de Experiências da Educação Infantil e como criar atividades lúdicas para trabalhar seus objetivos?

Aqui vai um exemplo!

Gabriella é uma boneca que passeia todo final de semana na casa de alguma criança da turma. Na segunda-feira, a criança traz a Gabriella para a escola e conta na rodinha como foi o final de semana com ela.

Ao contar como foi o final de semana, a criança está criando uma narrativa utilizando todos os elementos desse gênero textual.

Nesse final de semana, Gabriella foi passear na casa da Thaylla. Hoje a Thaylla nos contou como foi essa experiência:

"A gente foi passear no shopping, tomamos sorvete e brincamos. Gabriella chegou muito suada e minha vovó tirou a roupa dela pra lavar, deu banho nela e colocou no sol para secar. Gabriella ficou muito quente e eu achei que ela estava com febre. Dei remédio pra ela de mentirinha. Ela ficou chorando, porque queria a vovó Iolanda aí eu dei meu tablet pra ela brincar. Minha avó fez uma cordinha de fita para a chupeta dela não cair mais e ela parou de chorar."

Percebe-se claramente neste texto a presença dos elementos que compõem uma narrativa: os personagens, o tempo em que aconteceu, o contexto e a sequência lógica dos fatos.

Além de desenvolver essa competência linguística, muitos outros objetivos - relatados anteriormente- estão sendo trabalhados nessa simples atividade.

Tudo começou quando percebi que algumas  crianças sentiam dificuldade para se expressar e as que eram falantes acabavam por dominar as situações, deixando as demais sempre à margem das atividades. Também percebi dificuldade em algumas crianças aceitarem suas características físicas, como cor da pele e tipo de cabelo. Algumas crianças diziam que não achava bonito o cabelo crespo e algumas diziam ter cabelos lisos ou encaracolados, mesmo quando seus cabelos eram visivelmente crespos.

Na sala não havia uma boneca negra e as crianças também não conheciam histórias de príncipes negros e de princesas negras. Faltava, portanto, representações positivas com as quais as crianças pudessem se identificar. Diante desse contexto, resolvi trabalhar com a questão da construção do sentimento de pertencimento de grupo a partir da valorização da individualidade e construção da identidade por meio da linguagem, criando as tais representações positivas que estavam faltando.

 

Boneca sendo apresentada para a turma.

 

 

Boneca negra presente nas brincadeiras em sala.

 

Nesse contexto, a professora começou a ler  algumas histórias que revelavam a beleza e o encantamento de personagens negros (Ex: Menina bonita do laço de fita; Meu cabelo crespo é de rainha e outras) e trabalhou com algumas músicas que tratam da diversidade (Ex: Normal é ser diferente, dentre outras).

 

Livros utilizados pela professora da turma.

 

Depois de um tempo, achei que já era hora de levar uma boneca negra para a sala. Então, num belo dia, levei a boneca e fiquei observando a reação das crianças. Todas a receberam com muito carinho e logo perguntaram seu nome. Então, fizemos uma votação e o nome escolhido foi Gabriella.

A ideia de levar a boneca para casa foi das próprias crianças e eu aproveitei a ideia para trabalhar a questão da linguagem.

Com essa experiência, ficou evidente que é de extrema necessidade incorporar o discurso da diferença na Educação Infantil, a fim de enriquecer nossas práticas e as relações entre as crianças, desmistificando essa ideia de harmonia e de não racismo no ambiente escolar.

Muitas vezes o racismo está justamente no silêncio das crianças, que não se sentem confortáveis para falar de suas origens e de suas características físicas, por não se sentirem representadas na mídia, na literatura e até nos próprios brinquedos. O racismo também se revela no silêncio dos professores e professoras, que preferem tratar certas situações como “normais”, a fim de não incitar o racismo.

O problema, entretanto, é que ao ocultar as diferenças e não tratar dessa questão na escola é também uma forma de racismo, uma vez que silencia as vozes de quem já vive no anonimato e, consequentemente,  favorece ações preconceituosas e racistas.

São várias as metodologias para motivar a produção de textos na EI e de trabalhar com as relações étnico-raciais. Porém, quando a criança é estimulada a falar sobre algo que ela vivenciou, experimentou e se identificou tudo fica mais fácil, pois a criança consegue dar significado à atividade.

Atualmente, as crianças se sentem tão à vontade para falar de si mesmas e de criar suas histórias, que já produziram vários livros. Ano passado chegaram a lançar o livro Etnia.

 

Livro confeccionado por alunos do EDI Maria Berenice.

 

Sabemos que a aprendizagem é um processo complexo e que envolve uma gama de fatores. Porém, é inegável que a elevada autoestima é um dos fatores primordiais para que a ela ocorra. Tomar consciência de si e do outro é fundamental para que a criança construa representações positivas, se constitua enquanto sujeito e vença as desigualdades socialmente impostas pelas diferenças étnico-raciais, colaborando, consequentemente, para a construção de uma sociedade mais plural. Atualmente, nessa turma, é muito comum a criança dizer: “Eu quero falar! ”

 

Relato da professora Iolanda Nunes.

 

 

 

 

Parabéns a todos os envolvidos pelo trabalho realizado!

 

 

Contato para publicações:

robertavitagliano@rioeduca.net

 

Contato do EDI Maria Berenice Parente:

ediberenice@rioeduca.net

Telefone: 3342-4681

 

 

 

 

 

 

 


   
           



   
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